segunda-feira, 2 de junho de 2014

1440-Saber transumano


Introdução

Como conversas de largada de uma nova série aqui no blog, começo por resgatar o que de há muito se diz e se pensa sobre o ser humano: que o homem é um ser superior a toda a biodiversidade, um ser divino; que Deus está nos céus; que o fim da vida é a morte; que a diferença principal entre os homens e os animais é a consciência; que cada ser humano é diferente de todos os demais.

Em tese, se diz e se pensa muito mais. Se crê em muito mais. O objetivo deste trabalho, você verá, é mais modesto e começa por corroborar que quase tudo o que se diz e se pensa (como ali está escrito no parágrafo anterior) parece que está correto. Talvez tenhamos de fazer dois reparos: a morte sinaliza não ser o fim da vida (depende do que se entenda por vida) e a diferença absoluta entre homens e animais já não é mais a consciência, desde que se passou a conhecer mais a fundo alguns animais.

Mas, nem por isso a série deixará de abordar algo que pode aumentar o acervo quanto ao que se diz e se pensa sobre o homem e suas relações.

O homem não é tão superior a toda a biodiversidade. Não é melhor e nem mesmo tão perfeito em relação aos seus demais colegas de planeta. Se o ser humano é divino, a firmação pode ser aceita se divina for toda a criação presente no cosmos. Deus não está só nos céus.

Quanto à morte, hoje temos estudos comprovando a emergência da consciência fora do cérebro e então a morte não é o fim de nada se pudermos definir o ser humano como sendo a sua consciência. E aí já pode pular para outra avenida: quem disse que os animais não têm consciência? Quem afirma isso conhece pouco de animais e possivelmente menos ainda de homens. Os seres humanos entre eles são 99,999% iguais em tudo, atestam os exames de DNA, claro, ficando de fora, até prova em contrário, a impressão digital (que vai merecer uma série aqui).

Viemos de uma sucessão de visões humanas para Deus e para a vida. Até a visão mitológica o que imperava era a visão xamânica que via na natureza (toda) a presença da Força Grande da Natureza mineral, vegetal, animal, humana e climática. Depois os céus foram povoados de deuses (mitológicos), um para cada atividade humana. Fomos surpreendidos com o monoteísmo, que veio dizer que Deus é um só, mora nos céus e nos deu suas leis. As religiões, então, complementaram os códigos e chegou o dia em que a mente humana já não suportava tantas regras e rompeu com os mandatários executores das leis.

Tinha curso, aí, através, agora, de uma filosofia laica, o chamado Humanismo, à sombra do Renascimento que deixou para trás o que se chama Idade Média e, de pulo em pulo, chegamos ao Iluminismo, no século XVI e tivemos algumas mentes privilegiadas a escrever sobre a natureza, os homens e sobre a vida. Inaugura-se o tempo em que o homem pensa, existe, decide, faz, é. Sem, mesmo, deixar lugar para a fé. Ao menos a o que a fé, à época, ajudava como reforço das crenças.

Acreditar em que, então? O saber se dividiu.

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