terça-feira, 3 de junho de 2014

1441-Saber transumano


E agora, José, como fica?
 

Não fica (parado). Anda para frente.

Infelizmente, as sociedades bastante influenciadas pelo Vaticano ficaram para trás, sim, na corrida do desenvolvimento de consciências propiciado pelo Iluminismo. Deixe de lado a questão do ateísmo, porque, no fundo, os adversários do Vaticano só eram ateus na fala dos bispos. Eles se negavam aceitar o Universo e o deus apresentado pelos padres. Nesse racha, as sociedades que vetaram as ideias iluministas, perderam entre 100 e 300 anos de avanços. O Brasil foi um dos mais atingidos.

Do século XVI para cá, livres das influências das religiões, pensadores de peso interpretavam a realidade humana à margem das escrituras e tudo o que se conhece de avanços quanto à sabedoria, consciência, ciência, artes, direito, conhecimentos, se deve aos novos tempos não controlados pelas igrejas de então.

A revolução industrial, a revolução republicana e a libertação da vontade humana e a condenação de uma série de coisas do passado, entre elas a escravidão (que no Brasil foi até o final do século XIX), foram os ventos do iluminismo que empurraram. Contudo, alguns setores da Europa seriam salvos do chamado ateísmo, graças ao protestantismo, que sepultou o axioma católico de que Deus é sinônimo de pobreza e que rico não entra nos céus. Assim, países onde se implantou a religião Luterana, caminharam na marcha iluminista.

O homem é que sabe, pensa, existe, tem razão, decide, inventa, faz. Foi retirada a cadeia da consciência imposta pelo Vaticano e responsável pela Inquisição, que matou milhares de inocentes hereges. Sabe o que quer dizer herege? Não alinhado.

Retirada a cadeia, a mente humana atropelou quanto pôde. Mas, a consciência continuava vazia de conteúdo sagrado. Aliás, os seus conteúdos cabiam no bolso, no ventre, na gaveta, no cofre, quem sabe no silo ou no armazém.

A chamada desconstrução do que havia, trazida pelo Humanismo Iluminista deu causa até mesmo ao marxismo, ateu, propondo a existência de uma só classe social, nivelada por baixo, entregando ao proletariado o comando político e econômico para fazer frente ao domínio do capitalismo e seus estragos sociais.

Havia, com muita clareza, um vazio no iluminado homem do século XIX. Ele está debaixo da lâmpada, mas não tem luz própria. A tem para iluminar para baixo, apenas. E esse vazio precisa ser preenchido com algo que consiga atingir o que sua consciência abrange como importante também quanto à capacidade de iluminar para cima. Para onde? Para os degraus mais altos, porque o homem não é apenas um animal inteligente.

A visão xamânica tinha o manancial do rio, a chuva, a árvore, o raio, como manifestação da Grande Força. E entendia, apesar das borrascas e tempestades, secas e inundações, que tudo transmitia amor e exigia obediência. A vida era puro amor e poder. Na desconstrução do sagrado místico estávamos na era do sagrado com rosto humano.

As carências humanas modernas ainda continuavam centradas, como lá no comecinho, no afeto, no sexo, no alimento, no convívio. E isso tudo estava disponível ao homem se ele quisesse desfrutar.

E o maior fato político desde 1789, foi o grito em favor da ecologia, sem ideologia, sem partidos, em busca da salvação de todos. Isso tem um nome: altruísmo. E altruísmo é amor.

É, parece incrível, mas os tempos modernos e pós-modernos podem contar com a ferramenta amor no quotidiano dos homens.

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