quinta-feira, 5 de junho de 2014

1443-Saber transumano

 
Irracionais com razão?
 
O ato de tornar-se simpático e (de certa forma) obediente à Grande Força da Natureza (não só deste planeta), que é o carinhoso e novo nome dado para Deus, foi um comportamento humano nascido no seio do Segundo Humanismo, nascido na Europa depois da segunda grande guerra e hoje perfeitamente universalizado. Não é só uma retomada da consciência do homem primitivo de 15 mil ou mais anos atrás, é a atitude de salvar o planeta e o contém nele.
 
O movimento ecológico não quer apenas coibir a destruição dos rios, mares, atmosfera, quer também erradicar a fome. Em outras palavras: (mesmo não explicitamente) quer salvar a humanidade.  
 
O cão, o gato, o cavalo, a onça, ... membros da fauna irracional, disputam o direito de viver sobre a face do planeta, sujeitos, sim, às mesmas leis biológicas, porém também desenvolvendo emoções e carências afetivas, sexuais e amorosas, percebendo, conhecendo e reconhecendo seus donos e/ou inimigos, manifestando medo, exercendo a vontade e o instinto. E até, de certa forma, alguns tendo crises de consciência ou sentimento de culpa ou remorso.
 
Bem, a consciência então deixa de ser o diferencial? Não propriamente a consciência, mas o seu grau. E, claro, também a inteligência, o tamanho do cérebro. Será só isso?
 
É exatamente o grau de consciência, o grau de razão, o grau de capacidade de avaliar, escolher e julgar com perspectiva de erro e acerto, o grau de inteligência que fazem a pequena diferença entre os seres só animais em evolução e os seres do mundo animal já com inserção no mundo angelical, que são os humanos especiais, dentre os muitos.
 
Sem negar a participação do homem nos campos em que ele se nivela aos demais viventes, é preciso reafirmar que mesmo aos fungos, às algas, aos liquens, aos musgos, às bactérias e pteridófitos, é permitido conhecer para relacionarem-se com seu meio. Cognição, à luz dos novos conhecimentos de física e biologia, nunca foi um privilégio apenas humano.
 
Da mesma forma que o instinto não é característica exclusiva dos animais, a vontade também não é exclusiva dos homens. E certamente a crise de consciência já pode ser identificada em alguns animais. Como também a emoção, pois os animais também a exercitam das mais diferentes formas como conhecemos. O choro dos bois sobre o sangue derramado por seus pares sangrados a campo, e o uivo dos cães abandonados pelos seus donos, são manifestações conhecidas.
 
Como a consciência, a culpa e o remorso do cãozinho admoestado pelo dono após praticar um ato faltoso. Como a inteligência de certos animais: há animais de estimação que andam dezenas de quilômetros até localizar seus donos depois que se perdem deles ou são abandonados por conta de mudanças de endereços. O interior do Brasil é rico de histórias verdadeiras de cães que salvaram a vida dos seus donos ao exercerem papéis aparentemente restritos aos seres inteligentes.
 
Começamos por compreender que apesar das autorizações provindas do deus judaico (na Gênese Bíblica – 1:28) para que “o homem submeta a terra, domine sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre os animais que se arrastam sobre a terra”, ele não é mais que um elo do sistema. Sem os animais e sem as árvores, ele não terá oxigênio e morrerá asfixiado, para não dizer de fome e sede.

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