sábado, 7 de junho de 2014

1445-Saber transumano


A normose

Antes de prosseguirmos, é indispensável que se compreenda o significado do termo normose criado por Jean-Yves Leloup, pioneiro da psicologia transpessoal na Europa. Ele chamou de normose a perigosa realidade em que um hábito nocivo ou prejudicial se torna norma de consenso, cujos resultados podem ser a ignorância, o fanatismo, a doença, a destruição, a morte. Exemplos disso, entre centenas de outros, é o hábito de fumar, ou ingerir bebida alcoólica, ou aplicar veneno sobre as hortaliças, frutas, grãos e outros alimentos que são consumidos pela população, coisas até pouco tempo "aceitas" como "normais" e manifestadas nas principais atividades humanas como as ciências, a tecnologia, a mídia, o direito, a medicina, a agricultura, o meio ambiente e a ecologia.

Aqueles que "aceitam isso como normal", são chamados por Leloup de normóticos, acometidos da doença epidêmica chamada normose, numa alusão ao que se conhece, também, por neuróticos, psicóticos. Ele faz pesadas críticas aos normóticos, chamando-os de suicidas inconsequentes, cegos, obtusos, seguidores de normas, escravos de normas bloqueadoras da sabedoria e a da inteligência, duas das principais e mais maravilhosas características do ser humano.

Em "Saber Transpessoal" Lelup trata daquilo que é pessoal e mais além do pessoal de cada indivíduo. Para melhor compreensão, a pessoalidade trabalhada aí se volta para aquilo que é intransferível em cada ser humano, as suas marcas registradas: corpo e formato físico, nome ou apelido, impressão digital, voz, valores, criatividade, sabedoria, inteligência, etc. Não se inclui entre essas marcas registradas a crença. A crença não nos pertence, nos foi sugerida. Crer é aceitar sem ter certeza. A certeza nasce com o saber. Logo, para fugir do território incerto da crença e penetrar no território da certeza, temos, segundo ele, de experimentar. E experiência é sabedoria, não crença.

O “Saber Transumano” avança para aquilo que vai além do que é pessoal: as suas características cognitivas, afetivas e volitivas em relação a toda a vida que circunda, abastece e pode ser tangida pelas pessoas. Tanto estas questões transpessoais como as transumanas, são conteúdos que se inscrevem diretamente na qualidade da vida não apenas do homem, mas do planeta.

As questões transpessoais respondem pela construção interna-externa dos seres, e as questões transumanas vão além ao responderem também pela dimensão de suas relações com o meio e com o cosmos.

Para que as relações do indivíduo com o meio e com o cosmos se tornem estreitas e compensadoras, é necessário que aconteçam no nível da transumanidade. É disso que vamos tratar doravante.

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