segunda-feira, 9 de junho de 2014

1447-Saber transumano


Desumanização

Podemos mesmo questionar (o que vínhamos abordando na postagem anterior) até que ponto a fantasia da separatividade, sob a forma de objetividade científica pode ter influenciado a desumanização da ciência, da tecnologia, da educação, do ser humano para chegar aos assustadores comportamentos como registra a mídia: temos entre nós monstros, ladrões descarados, estupradores destemidos, safados condecorados. Demonstramos essa índole a furar a fila, ao estacionar na vaga do deficiente, ao subornar o porteiro, o garçom, o guarda. Nesta linha, a separatividade seria responsável também pelo desaparecimento dos valores éticos, com consequências desastrosas. Boa parte da humanidade não está nem aí pra Deus. Separados, entendemos que a vida é esta e deve ser bem aproveitada.

Outro resultado desse ponto de vista, que se baseia na antiga visão, mas ainda atual graças ao paradigma newtoniano-cartesiano, é a crise de fragmentação por que passa toda a civilização pós-industrial.

Comportamos-nos como ondas que se esquecem de que são o mar. Pior, nos esquecemos que para existirem as ondas é preciso que exista uma energia para impulsioná-las, uma brisa, um magnetismo planetário, um balanço rotatório planetário. Assim, a destruição se instala a partir e em decorrência da fantasia da separatividade. É quando a NPP (já enfocada) entra em ação.

A fantasia da separatividade é um fenômeno individual que se tornou coletiva. Como a maior parte da humanidade é submissa a essa ilusão, forma-se um consenso que a reforça radicalmente em ressonância. Constitui-se, assim, uma miragem coletiva.

É desse modo que o princípio da objetividade da ciência torna-se um dogma quase inviolável. Enquanto esperamos que a humanidade se dê conta dessa ilusão fundamental, sua consequ ência continuam a se propagar, tanto no plano individual como no coletivo.

Por causa da separatividade percebemos-nos como sujeitos sólidos, em relação de conhecimento e ação como objetos exteriores, também percebidos como sólidos e permanentes. Na real, nada e ninguém é mais que um evento em transição para o próximo evento.

Em função de nossas sensações de dor e prazer isso faz com que comecemos a classificar esses objetos em três categorias segundo a sua "utilidade" que nós "seres ou coisas separadas do meio" damos a eles: agradáveis, desagradáveis e indiferentes.

Chegaremos a ser parte do todo? O sentido da vida aponta para lá.

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