terça-feira, 10 de junho de 2014

1448-Saber transumano


Ser e ter parte

Uma relação com o meio e com o cosmos só é real e absoluta, independentemente de ser agradável ou desagradável e nunca indiferente, porque o indivíduo é a parte, quando o indivíduo não apenas percebe, mas sente-se pertencente ao meio. E este processo é maior que estar no meio, como veremos.

O indivíduo precisa ESTAR (ter presença física), SER (pensar, ter autoestima, dar-se valor, autoria), PERTENCER (incluir-se, inserir-se totalmente), PARTICIPAR (oferecer-se, disponibilizar-se, comprometer-se), DAR (contribuir, semear), para RECEBER (colher, receber o prêmio) e REALIZAR(-SE) (ser feliz, realizar-se).

Aparentemente estas matrizes de comportamentos e procedimentos em sucessão ou isoladas parecem um exercício fácil. Mas, no homem cultural eurocêntrico isto não tem mais raízes. Culturalmente ele hoje se comporta e procede como algo superior ao todo-natural que o acolhe e vivifica, e hoje entende que veio para ser servido, se nega a servir, e sente-se no direito de destruir indiscriminadamente, como já nos referimos quando enfocamos a separatividade.

O homem finge desconhecer o mais elementar dos adágios populares: "Deus perdoa sempre, o homem às vezes e a natureza nunca". E quando, dentro da frase, se fala de "natureza", estamos falando também do homem. Quando falamos de Deus dentro da frase, estamos falando também do homem. Ele tanto maltrata seu aparelho físico-biológico que seu aparelho chega ao ponto de revoltar-se contra o seu usuário ou portador. Aqui reside grande parte dos males físicos e psíquicos do homem.

Água, terra, pedra...

No aspecto da matriz de comportamento/procedimento, o homem europeu e seu descendente americano precisa reaprender com o índio, voltar a ser índio, onde estava quando foram buscá-lo para a dita sociedade civilizada.

A cultura indígena manda "cuidar da minha água, da minha terra, da minha pedra, da minha jóia, da minha planta, da minha flor, do meu animal, do meu feminino, do meu masculino, do meu casal, do meu anjo".

O indígena original se comporta e procede como sendo e tendo parte do todo-natural e traz o todo-natural para dentro de seu corpo e de sua alma, ao mesmo tempo que se insere por inteiro nos reinos mineral, vegetal, animal, angelical, (outro?) conhecidos ou não. Assim ele cuida da água (os líquidos de seu corpo, os rios que correm dentro de si), da terra (a massa muscular e celular de seu corpo), da pedra (os seus ossos), da jóia (a semente que lhe deu origem no ventre materno), da planta (o brotar de seu ser a partir do ventre-da-terra, sua mãe), da flor (o seu crescimento e desabrochar já como promessa de nova semente), do animal (o instinto sem maldade que está nele), do feminino (a sensibilidade, o sonho, a ingenuidade e o espírito maternal acolhedor), do masculino (a ação, a razão, a responsabilidade paternal), do casal (a união do feminino e do masculino para dar origem ao terceiro estado do ser, o ser holístico), e do anjo (o ganho de asas, a procura de quem somos, qual é o anjo do meu ser?).

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