quarta-feira, 11 de junho de 2014

1449-Saber transumano


O outro, o próximo...

O maior perigo ou ameaça a esta civilização aculturada para sentir-se superior ao meio ambiente e até mesmo superior a outros da mesma espécie, é a repetição das experiências cognitivas. É, sobretudo, na educação que a normose é transmitida e instalada, seja pelo exemplo dos educadores (pais, avós, tios, amigos, professores, líderes), seja por meio dos programas escolares. Nessa área existe uma normose essencial, que parece dominar muitos dos métodos pedagógicos ocidentais: o caráter de culpabilidade dos homens pelos fatos lendários contidos nas escrituras. Todo o cidadão, não importa a idade ou profissão é culpado por algo, agora já não no que contém as escrituras. Com a mesma facilidade com que se culpa, se cultiva a prática da desculpa. Há uma desculpa para tudo o que deixou de ser feito em prol da vida.

No plano da ciência e da tecnologia, que são as novas moedas em moda, vivemos uma superstição por excelência: a objetividade. Na verdade, trata-se de um engodo, denunciado pela física quântica e pela psicologia transpessoal. Por causa da normose científica, desenvolveram-se disciplinas praticamente independentes, transformadas pelas universidades em novas torres de Babel, apesar da declaração de Veneza, de 1986, da Unesco, recomendando a transdisciplinariedade, isto é, o reencontro complementar da ciência, da filosofia, da arte e da educação. E a normose científica, sem ética e sem o concurso do coração do cientista, tem tudo para destruir o que de mais belo existe para todos nós, a vida, a nossa vida planetária.

No plano político, uma normose afeta grande parte da sociedade ocidental desde muitos séculos, reforçada pela Revolução Francesa. Liberdade, igualdade e fraternidade foi um slogan nunca praticado por inteiro. A fraternidade equivale ao amor universal e à amizade entre todos os homens, o que nunca aconteceu, nem mesmo no seio das religiões. A igualdade equivale a não existência de famintos e superalimentados vivendo na mesma rua, na mesma cidade, no mesmo país. A liberdade equivale a viver livremente, e o que se vê é o cidadão X prisioneiro em sua própria residência para defender-se do cidadão Y.

Ainda no plano político e principalmente no econômico, a luta pelo poder chega ao extremo da violência e da guerra. Países invadem países e isso é "normal".

A crença na propriedade de territórios, pelas nações, pode ser vista como ampliação do apego, da possessividade, próprias da neurose do paraíso perdido. Essa neurose pode ser estendida à maioria das religiões que, como as nações, acreditam-se superiores umas às outras. E o processo evolui da propriedade da terra para a propriedade da verdade.

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