sexta-feira, 13 de junho de 2014

1451-Saber transumano


Os caminhos oferecidos


O caráter breve e precioso de uma vida humana sobre o planeta com todas as suas nuances de crescimento e realização, vem sendo empurrado para um dos extremos radicais: sofrer ou gozar. Para uns, é "oferecido" o sofrimento como "credencial" para uma vida eterna depois da morte”. Para outros, é "oferecido" o gozo como alternativa para "aproveitar" todo o tempo da vida. A alternativa é única de ambos: "pagar". Paga-se para sofrer e paga-se para gozar.

Por causa do falso abismo entre prazer e sofrimento, o caminho da sabedoria não é compreendido e nem trilhado. A espiritualidade "vendida" nos balcões do mercado da fé tem duas vias: numa ela é apresentada como o melhor modo de se alcançar a felicidade, a bem-aventurança e o bem-estar futuros; noutra ela é descrita como o caminho da cruz, do sofrimento e do sacrifício, com o mesmo objetivo temporal.

Mais esfuziante que o caminho do sofrimento, é o caminho do gozo vendido dentro dos pacotes dos prazeres promovidos pela sociedade de consumo: comer, beber, fumar, comprar, drogar-se, praticar muito sexo, levar vantagem sempre, ainda que tudo acabe também em sofrimento, doença, irresponsabilidade, violência, cadeia, morte... (Anote: não somos arautos do bom cidadão que paga, perde, se conforma e aceita, mas também não admitimos a safadeza do engodo, da falta de ética, da pilantragem).

O pedregoso caminho do sofrimento vende o recolhimento, a abstinência, a santidade, o jejum, a penitência, o comedimento, a anulação... E, de certa forma, o menos pedregoso caminho da felicidade futura, tira das pessoas o direito de serem felizes hoje.

São sistemas puramente materialistas que concentram suas atenções no corpo e nas emoções, muito pouco na mente humana, sem nada no espiritual.

O aspecto espiritual para algumas crenças fica restrito à visita dos obsessores e as bruxarias, que devem ser afastados, e noutras como assunto para ser considerado apenas depois da morte do corpo. Em ambos os casos o que sobra é materialismo e ignorância.

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