sábado, 21 de junho de 2014

1459-Eu Líder de Mim


Faliu o modelo

Depois de financiar a fabricação de armas e depois de estimular guerras durante séculos, as altas finanças do mundo sentiram-se ameaçadas pelo nacionalismo de esquerda e de direita.

A segurança do planeta estava ameaçada. E os financistas, que são humanos e têm família, ainda não possuem outro lugar seguro para viver, que não seja neste planeta. Derrubou-se o Muro de Berlim, símbolo da divisão do mundo em esquerda e direita e apregoou-se que esquerda e direta “são coisas do passado”, mas a ameaça persiste, a revelia dos detentores do poder coercitivo mundial na esfera do dinheiro, envolvendo energia, principalmente.

A providência de abrir a economia (pelo processo liberal, neoliberal), torná-la globalizada e globalizante, no entender dos seus mentores, anularia a ação do estado nacional subjugado às leis do mercado. O livre mercado, porém, assim como a ausência das liberdades individuais, em vigor nos estados totalitários com ou sem mercado, não respondem, não podem responder pela bem-aventurança dos homens. Isso já ficou provado há décadas. As pseudo democracias presentes no estado patrimonialista (que é o modelo no qual o governante confunde a propriedade do patrimônio público com o patrimônio privado, seu e de seus amigos) que tentou substituir o estado paternalista (que é o modelo no qual o governante faz concessões aos governados em troca de fidelidade, obediência ou subserviência) em alguns países também não têm podido responder pela bem-aventurança dos homens. Isso também é definitivo.

Caminhamos sobre modelos que não atendem o objetivo da maioria.

Sem compensação

O modo de vida competitivo, materialista e acumulador, como acontece em muitas sociedades no planeta, em todos os regimes, conduziu o homem ao isolamento. As tecnologias substituíram a solidariedade e a cooperação entre os homens e impuseram um modo de sociedade marcado pela solidão e pela ausência de afeto. O homem foi colocando máquinas no lugar de pessoas; ausentes as pessoas, o homem foi colocando máquinas também na intermediação dos seus contatos com o mundo e com as pessoas; e foi colocando animais de estimação como novos agentes de afeto. Até mesmo no interior da família, passou a existir dois grupos humanos desconexos: o grupo “familiarizado” com a tecnologia e o grupo “desfamiliarizado” pela tecnologia porque não tem familiaridade com ela. Nem mesmo o diálogo tem sido possível entre aqueles que estão “por dentro” e aqueles que estão “por fora” da “modernidade tecnológica”.

Levados a colocar máquinas e instrumentos a seu serviço, os indivíduos com acesso a tais tecnologias imaginam-se cada dia mais “independentes”, mais “autônomos”. E todos sabemos que é o oposto. Até mesmo para a prática do sexo existem “ferramentas” substituindo um dos parceiros.

O que, por milênios, foi realizado com base na ajuda mútua, com a participação de pessoas servindo pessoas e sendo servidas, intercambiando, conversando, dando e recebendo atenção, energia e afeto, o novo modelo veio substituir. Substitui, mas não oferece compensação.

Um filósofo ou poeta de quase obscuridade na seara da fama definiu as invenções tecnológicas como diabos e se refere que os diabos vêm a nós para tirar o nosso tempo e levar o nosso dinheiro. E acrescenta: e inventam novos diabos todos os dias. Eles chegam com a nossa imaginação já imaginada, com os nossos sonhos já sonhados. E fazem conosco o que eles querem.

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