domingo, 22 de junho de 2014

1460-Eu Líder de Mim


Um novo “ser”

As pessoas deixaram de ser importantes para “a minha felicidade”. “Eu posso ser feliz de outra forma, distante das pessoas, até mesmo da minha família”.

Por conta desse raciocínio, “eu deixo de preocupar-me com a felicidade dos outros”. O mendigo, o doente, o miserável, o velho, os abandonados, o político corrupto, deixam de ter importância “para mim”, pois “não me servem, não têm utilidade para mim”. “Se representarem uma ameaça para mim, eu ergo um muro, coloco câmeras de vídeo, cães ferozes... Para sair à rua sem ser incomodado, eu travo as portas e vidros à prova de bala do meu carro e lá vou eu isolado do mundo...”

Distante do afeto, das trocas inerentes e necessárias entre os seres, o homem apresentou um sem número de distúrbios emocionais, psíquicos, intelectuais e, por consequência, também físicos, e foi buscar alívio no alcoolismo, nas drogas, nos remédios, no barulho das discotecas e nos megashows, onde novamente ele nada diz e nada ouve além daquela barulheira infernal destinada a afastá-lo de si mesmo.

Conduzido a essa fórmula para “ser feliz”, o indivíduo se fecha em sua casa, em seu quarto, tem seu aparelho individual de tevê, tem seu banheiro individual, seu carro pessoal, seu computador pessoal, seu telefone celular ou tablet, sua marca preferida de sonífero, seu insubstituível antiácido contra azia, seu “eficiente” atenuador da úlcera estomacal, seu insubstituível laxante, seu walkman, para não ir mais longe na lista de aparelhinhos que lhe “dão prazer”...

Chegamos a uma sociedade em que as pessoas acham cada vez mais difícil demonstrar um mínimo de afeto aos outros. Em vez da noção de comunidade e da sensação de fazer parte de um grupo, encontramos um alto grau de solidão e perda dos laços afetivos. Apesar de, na maioria dos casos, as multidões viverem em grande proximidade, parece que muita gente não tem com quem falar afetuosamente, a não ser com seus bichos de estimação e, quando muito ao telefone ou no chat da web. E é importante registrar uma tendência à formação de tribos e gangues não com o sentimento de fraternidade e sim para reação.

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