segunda-feira, 23 de junho de 2014

1461-Eu Líder de Mim


A Máquina que era

A sociedade pós-industrial moderna valorizou tanto a máquina, que parece ser uma imensa máquina autopropulsionada. Ao invés dos seres humanos acionarem a máquina, cada indivíduo torna-se dela um pequeno componente insignificante, sem outra opção a não ser mover-se quando a máquina se move e parar quando a máquina pára.

Numa dessas funestas ironias, o que o homem (Newton) julgou ser uma máquina (o mundo) e tratou-o (medicina) como uma máquina (ele próprio), acabou a ironia adotada como modelo de vida. Não é mais ironia. É paradigma.

Essa situação gera a retórica contemporânea de crescimento e desenvolvimento econômico, que reforça intensamente a tendência das pessoas para a competitividade e a inveja. E com isso vem a percepção da necessidade de manter as aparências (corpo, roupa, fone, carro, mansão), por si só uma importante fonte de problemas, tensões e infelicidade, apesar de movimentar muitos bilhões de dólares. Quanto você acha que vale uma rua congestionada por milhares de carrões?

O mais importante e o pior, é que não se trata de algo cultural, o homem nada tem disso tudo, muito pelo contrário, se trata tão somente de uma tendência, uma onda, um delírio, muito parecido com o vício do tabagismo, das drogas, do alcoolismo. A vítima tem noção do mal que está causando a si própria, mas por inúmeras razões não é capaz de abandonar a sua prática. Ou melhor, porque existem pessoas fazendo assim, “eu também faço desse jeito”.

Remédios existem

As pessoas precisam de ajuda para livrarem-se dos vícios, como acontece com todos os vícios. De nada adianta condenar este ou aquele vício ou o viciado. É preciso curar.

O que é ou seria correto? Condenar os avanços tecnológicos? Voltar ao modelo de sociedade tribal, artesanal, tradicional?

As conquistas da ciência e da tecnologia refletem claramente nosso desejo de alcançar uma existência melhor, mais confortável. Isso é muito bom.

Quem poderia deixar de aplaudir muitos dos progressos da medicina moderna? Ao mesmo tempo é inegável que membros de certas comunidades rurais e tradicionais desfrutam de maior harmonia e tranquilidade, e mesmo de saúde, mesmo residindo nos recantos mais distantes do progresso.

O paradoxo está em que nas comunidades onde as pessoas vivem mais próximas uma das outras, o absurdo é o crime. Nas metrópoles, o absurdo é quando o noticiário do dia não tem a tragédia. Lá no interior o absurdo é a tragédia. Aqui está o divisor de qualidade de vida.

Não se pode, contudo, imaginar que todos os nossos problemas estarão resolvidos quando abandonarmos o progresso material.

Grandes movimentos neste último século, como democracia, liberalismo, socialismo, comunismo, não produziram os benefícios prometidos. As religiões, com suas igrejas cada dia mais vazias de fiéis e mais cheias de fanáticos, também não conseguiram evitar o caos humano, ainda que todas elas prometam a paz, o amor, a felicidade, a salvação.

A raiz de muitos dos problemas da humanidade tem a ver com moral e ética. E ética não é gêmea de religião. Moral, sim. Porém, não moralismo. Como veremos.

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