terça-feira, 1 de julho de 2014

1469-Sobre o Espírito


Visões de que mundo?

O fato mais impressionante na experiência intelectual, espiritual e poética do homem sempre foi a preponderância universal desses espantosos momentos de intuição, de visão interior e exterior por ele alcançado, que se chama “consciência cósmica”. Não existe um nome satisfatório para esse tipo de experiência. Chamam-na de mística e confundem-na com visões de um outro mundo, ou de deuses e anjos. Chamam-na de espiritual e metafísica, sugerindo não se tratar de algo extremamente concreto e físico, ao mesmo tempo em que a expressão “consciência cósmica” possui um indisfarçável sabor de jargão ocultista.

Na verdade, tudo parece ser uma coisa só e a expressão “cósmica” pode significar o “eu superior”, por vezes também chamado de supraconsciente. E com um pouquinho mais de esforço, pode-se dar ao “eu superior” um status de entidade conectada com o divino.

Em todos os tempos, em todas as culturas, são pródigos os relatos do envolvimento do homem com as sensações inequívocas do transcendental no sensorial, surgindo, via de regra, de forma repentina e inesperada, sem causas claramente compreendidas. É o nosso despreparo para a coisa? É possível.

Quem já não teve um lampejo, uma iluminação, um insight completamente furtuito, inesperado, repentino, extraordinário e maravilhoso? Se ainda não teve é, também, porque não se oferece para nada mais que as coisas completamente materiais. Quem, no mínimo, ore, certamente andou chegando mais perto da visão interior, onde mora sua alma. Daí aos estágios subsequentes é só uma questão de tempo.

Ter visões de outros mundos mais ricos e esplêndidos que o já espetacular mundo das formas físicas, que é o nosso, não é coisa reservada a pessoas extraordinárias. A supraconsciência é um estágio disponível a todos. Chegar a ele é como cantar. Todos podemos contar. Há os que nascem cantando e há os que precisam de muito treino para educar a voz. Outra comparação pertinente: toda sondagem terra adentro trará água dos lençóis subterrâneos que existem; em alguns pontos do planeta a água aflora e verte; noutros, as sondas precisam ir muito fundo. Assim somos nós quanto à capacidade de acessar outros níveis de consciência.

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