quinta-feira, 3 de julho de 2014

1471-Sobre o Espírito


O que dirá o poeta?

Dirá: Nada se alterará, tudo mudará.


“Se você compreende, as coisas são tal como são;

        se você não compreende, as coisas são tal como são.”

Tudo não passa de que as nossas percepções e avaliações continuarão por muito tempo um pesadelo subjetivo e coletivo.

Nossos sentidos (comuns) da realidade prática – do mundo, tal como o vemos numa manhã de sol – é uma elaboração de repressão e condicionamentos sociais, um sistema de falta de atenção seletiva, pelo qual aprendemos a eliminar aspectos e relações dentro da natureza das coisas que não estejam de acordo com as regras do jogo da vida civilizada. E, curiosamente, a visão quase sempre reforça a percepção de que todas as restrições sofridas pela nossa consciência não se afastam um milímetro da normalidade e da adequação de todas as coisas.

No mínimo, o homem carece de realimentar seu constante processo físico, emocional, psíquico, intelectual e espiritual em pólos que contemplem equilibradamente conteúdos de cunho social, político, religioso, artístico e econômico. E não é difícil compreender que o econômico dominou pelo lado puramente material de acumulação. Os homens se petrificaram. Melhor dizendo: se monetizaram. Pedras são pedras. Têm Espírito? Não. Têm capacidade de armazenar energias segundo estudos dizendo que elas, em estágio muitíssimo menos avançado, são como os chips. E o homem não é uma pedra. Nem um chip. Moedas têm Espírito? Moedas têm deuses. São a representação do que o poder do dinheiro é capaz. O que se poderia chamar de “espírito das moedas” é, nada mais, que o poder de comprar, corromper, realimentar a ambição, criar apegos ao mundo material, apesar, é claro, de serem companheiras do prazer, do prazer embrutecido que a moeda pode pagar. Nunca o êxtase.

O êxtase não se atrela aos prazeres da boca, do sexo, do tato, mas pode estar associado à audição, à visão, ao olfato. Um bom exercício de meditação ou contemplação pode ser auxiliado por uma linda paisagem, uma música especial para esse fim e os odores de alguns perfumes naturais. Mas, acima de tudo, o êxtase é o orgasmo da alma e deve acontecer exclusivamente no plano espiritual e de cara limpa, o que dispensa qualquer aditivo como entorpecente.

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