segunda-feira, 7 de julho de 2014

1475-Dimensões do ego


(A busca do Eu Divino)

Através d’O Atleta


A palavra “atleta” usada para definir a etapa primeira do homem/ mulher adulto, nada tem de depreciativa ao comportamento atlético. Ela é utilizada como uma descrição do momento da vida adulta em que nos identificamos com o corpo físico e com o modo de como ele funciona no cotidiano. Esse é o momento em que medimos valor e felicidade por meio de nossas habilidades e aparência física. No tocante às habilidades, tornam-se importantes fatores como o quão longe podemos jogar uma bola, quão alto podemos pular e o tamanho de nossos músculos. Julgamos o valor da presença física por um critério de atratividade que se baseia na forma, tamanho, cor e textura do corpo, cabelo etc. Até no sexo estamos buscando ser atletas. Na cultura consumista em que vivemos, a apreciação se estende para a roupa e marca que vestimos, a casa e bairro nos qual moramos e o carro que ostentamos, etc..

Numa extraordinária contribuição a este raciocínio, veja o que acontece com as pessoas simples que refletem os atletas do magnífico mundo do futebol e de alguns outros esportes: pintam os cabelos, fazem ali desenhos, exigem o tórax, a cada nova jogada ficam olhando para o telão instalado no estádio, como que a dizer “espelho, espelho meu, existirá no mundo alguém mais especial que eu?” Eles não são só atletas de futebol, eles são padrões para a fase atleta do homem e mulher adulto deste início de século.

A fase “atleta” é a fase da vida em que para a maioria das pessoas é impossível viver sem um espelho e sem uma torrente de aprovações que conduzam à segurança, com vista ao desempenho, a atratividade e as realizações. O mais grave é que a idade vem se reduzindo. Já é possível encontrar adolescentes e até mesmo crianças com as mesmas necessidades e então haja roupa de marca, celular de última geração, etc. etc.

Mesmo com a possibilidade de sair desta para uma fase posterior e mais evoluída, a maioria das pessoas permanece nela por toda a vida ou quase, ainda que evolua. Parece ser uma sina. Muda de faixa mas o vício velho vem junto.

Não podemos avançar para a fase seguinte sem esclarecer que é saudável e necessário cuidar bem do corpo, amando-o, exercitando-o e alimentando-o do melhor modo possível, bem como não é errado orgulhar-se da aparência física e do modo de vestir-se, e gostar dos elogios porventura recebidos. O que está sendo destacado é que se para determinadas pessoas o interesse único gira em torno de um padrão (deste, por exemplo) predeterminado de desempenho e aparência. O estilo não seu, é cópia. Cópia burra porque não deixa alternativa de criatividade e autoria. Estas são pessoas exclusivamente “atletas”, que vivem nesse atletismo e se dariam por satisfeitas e felizes se pudessem morrer conduzidas para o melhor e mais bonito mausoléu, ocupando o melhor e mais bonito esquife, enterradas dentro uma montanha de flores e coroas, em féretro acompanhado por uma selecionada platéia bem vestida, usando carrões do ano e se comunicando por telinhas.

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