domingo, 13 de julho de 2014

1481-Templários: uma história cristã


Apresentação

Nascida à sombra da Igreja Católica na Idade Média, a Ordem do Templo (Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão) – também chamada simplesmente de Templários, foi uma organização integrada por monges cristãos celibatários, cavaleiros muito bem treinados e muito bem montados, exímios espadachins, invencíveis nos combates da época em que prevalecia a força do cavalo, do homem e da espada (não essas flexíveis espadas das provas de esgrima, mas pesadas e afiadas lâminas de aço) capazes de atorar um homem pelo meio num só golpe.

À época proliferavam corporações de ofício, maioria delas secreta, com o fim de proteger segredos profissionais, religiosos, políticos e/ou outros. Na verdade foram precursoras das hoje chamadas entidades de defesa dos direitos autorais ou de resguardo do monopólio profissional como são os conselhos de classes profissionais destinados a regulamentar e fiscalizar o exercício das profissões, conhecidos como OAB, CRM, CREA, etc.

Os mais antigos nisso talvez tenham sido os pedreiros ou maçons (em francês), preparadores de pedras para as construções de palácios e catedrais. O corte das pedras ante a ausência do cimento consistia num segredo profissional porque essas pedras seriam depois encaixadas umas às outras para formarem as maravilhas que ainda estão em pé nas catedrais e palácios de um tempo de mais de 1.000 anos pelo mundo a fora.

Também os carpinteiros tinham seus segredos profissionais, notadamente para cortar e arquear as madeiras aplicadas em pipas e barcos. No primeiro caso, o líquido não podia sair; no segundo, não podia entrar.

Eram máfias no bom sentido, cooperativas ou sindicatos de trabalhadores autônomos e livres, que, em grupos fechados, não prestavam obediência a nenhuma organização que não fosse a sua, e contratavam obras imensas e ganhavam muito dinheiro ao escapar da maldição escravista que ainda não acabou. Por isso, se chamavam pedreiros livres ou carpinteiros livres.

Havia outras organizações desse tipo, sob cuja modalidade organizaram-se os Templários. Eles tinham seus segredos de guerra, suas informações privilegiadas e isso, à época, como agora, fazia toda a diferença em qualquer tipo de empreendimento. Nos dias atuais é a espionagem governamental, industrial ou comercial e militar que cuida de descobrir o que os concorrentes ou inimigos andam engendrando, bem como as chamadas tendências de mercado.

Os Templários foram criados para proteger o templo que fora de Salomão e o Santo Sepulcro, recém conquistados pelos cristãos aos muçulmanos e também para acompanhar peregrinos cristãos europeus que visitavam a Terra Santa e carregavam dinheiro, joias e objetos de valor, que eram, frequentemente, saqueados no caminho entre a Europa e o Oriente Médio.

Acredito que para contar a história dos cavaleiros templários se torna necessário voltarmos ao final do século IV em paralelo à História da Igreja Católica e ao final do Império Romano do Ocidente. Os hunos, povo guerreiro de origem asiática, chegaram à Europa oriental e mudaram a história, acelerando o processo de desintegração do Império Romano. Praticamente empurrados pelas invasões dos hunos, os povos germânicos levariam de roldão as fragilizadas defesas das fronteiras romanas. Assim, francos, burgúndios, alamanos, ostrogodos, visigodos, anglo-saxões invadiam e pilhavam as cidades do Império. E era chamados de bárbaros porque não professavam a fé católica.

A história dos templários, aparentemente profana, está intimamente ligada à questão espiritual de muçulmanos, cristãos, judeus e de outras correntes de fé. É o que veremos nas postagens que se seguirão. Repito: uma história profana com reflexos na espiritualidade de praticamente metade da humanidade terrena.
Quer conhecer? Vem. 

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