segunda-feira, 14 de julho de 2014

1482-Templários: uma história cristã


Monges, artistas, militares, burocratas

A instabilidade dividiu o Império Romano em duas partes distintas. Uma sediada no Ocidente (Roma) e outra com sede em Bizâncio, depois Constantinopla, atual Istambul com cuja providência o Imperador Teodósio desejava amenizar as contradições internas e controlar as vagas de invasores, que chamavam de bárbaros por não terem os mesmos costumes, a mesma religião e não flarem a mesma língua. Ganhou fama e abriu a porta a uma nova realidade econômico-militar, com a fragmentação do poder em vários senhorios produtivos, em suma o Feudalismo.

As práticas feudais ditaram modos e fazeres por quase um milênio de história européia-americana, tendo as igrejas com as grandes interessadas no modelo, eis que os senhores feudais exigiam de seus vassalos compromissos religiosos que incluiam a contribuição para com a igreja da jurisdição religiosa. A cultura humana ficou amarrada num Deus praticante deste modelo de governo. Quem, primeiro, fosse batizado – isto é cadastrado – e, segundo, pagasse a contribuição, estava limpo e puro. Qualquer semelhança com o CPF e o Imposto de Renda não é mera coincidência.  

A partir do fim do século III, com o enfraquecimento do poderio de Roma, alguns povos que habitavam nas proximidades das fronteiras do Império começaram a se instalar pacificamente em seu território, como aliados, isto é, como colonos e, sobretudo, como soldados, pois era entregue aos senhores feudais (como também o foi no Brasil no séculos XVIII e XIX com a instituição dos coronéis rurais), a formação de milícias e a defesa do território.

O Império Romano não se manteve e em seu lugar foram nascendo burgos/borgos, condados, principados, mantendo-se o modelo feudal em que o grande proprietário entregava as terras aos vassalos para cultivar mediante divisão da produção. Esse modelo ainda está em vigor em algumas regiões do Brasil, quando o arrendatário usa a terra e paga o arrendamento com percetuais do que é produzido.

O feudo viria estabelecer a hereditariedade apenas aos primogênitos; os demais filhos e filhas estavam excluídos de serem sucessores do pai; assim, preferiam ir embora da propriedade para servirem como monges, artistas, militares e burocratas, enquanto as mulheres se faziam freiras, artistas e prostitutas.

O modelo modelou a cultura. E no meio cultural arraigou-se uma espiritualidade praticamente nula.

A seleção humana para os quadros templários foi feita nos mosteiros entre os rapazes monges com estatura física ideal para a função, aos quais era ministrado treinamento de equitação no lombo dos melhores cavalos e técnicas de esgrima para as guerras cavaleiras com combate de espadas e lanças.

Veja como se chegou à ética templária. Com a intensificação das invasões germânicas na Europa ocidental houve mudanças e acrescentaram-se novos elementos culturais à sociedade que se formava. Os povos germânicos trouxeram consigo certos costumes que se incorporaram à sociedade nascente, como o padrão de justiça, baseada na tradição (consuetudinário), e noções de honra e lealdade, que fundamentavam as relações entre o chefe guerreiro e seus comandados, passando depois para as relações de patrão e empregados.

Era prática comum entre os germânicos, o ato de conceder terras como recompensa aos homens que se destacavam nos combates e ela foi consolidada nesse período. Assim, à medida que avançavam e se instalavam nos territórios do Império Romano, os guerreiros tornavam-se senhores de terras. A união entre eles e seus comandantes baseava-se apenas na lealdade e na palavra. Assim, os novos senhores da terra passavam a ser praticamente independentes dentro daqueles novos domínios, que agregavam germânicos e povos de outras etnias.

Fala-se muito dos guetos dentro dos quais os judeus se organizavam. Mas as comunidades praticamente fechadas, não judias, funcionavam praticamente do mesmo jeito. Com o tempo, esses senhores se transformariam em senhores feudais, e a administração fortemente centralizada do Império Romano iria dar lugar a um poder descentralizado, de que já nos referimos: burgos, borgos, condados etc.

A igreja romana copiou isso ou serviu de cópia. E a espiritualidade europeia a caminho. Caminho de quê?

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