terça-feira, 15 de julho de 2014

1483-Templários: uma história cristã


Uma riqueza imensa e cobiçada

Estamos no século XI. O mundo cristão havia passado pela virada do primeiro milênio, tempo em que se falava em fim de mundo e aflorava o desejo de salvação eterna não só para os cristãos, através de Jesus, mas também para os muçulmanos, através de Maomé. A Terra Santa onde nascera e morrera Jesus (que o islã o tem como profeta) estava na posse de governos não cristãos e hostis aos cristãos, que nem mesmo podiam visitar esses locais como devoção, coisa que os muçulmanos faziam livremenete em Meca.

Moveu-se uma guerra, uma não, várias guerras contra os muçulmanos na tentativa de reconquistar Jerusalém, movimento que ficou conhecido como Cruzadas – mal organizadas, improvisadas, cheias de fanatismo -, com muitas mortes e sofrimentos para os dois lados.

Num dos vários ataques, este financiado pela nobreza europeia (antes os ataques eram de iniciativa do povo) e comandado por Godofredo de Bouillon, levou para o Oriente Médio 100 mil homens para atacar os “pagãos”: terminou com um final feliz para os cruzados, pois eles conseguiram não só reconquistar Jerusalém, como também tomar a terra dos turcos, como eram (erroneamente) chamados (1098). Logo depois se dava a formação da Ordem do Templo, que é tema desta série.

Pelo que se lê nos códigos de honra ou ética dos Templários eles eram profundamente religiosos e incluíam rituais na abertura e encerramento de suas atividades, como se sabe que também havia nas corporações de ofício, em que se abria o livro sagrado, fazia a leitura e se orava.

A atuação dos templários como cavaleiros de honra do Papa, contribuiu sobremaneira para o equilíbrio das relações entre cristãos e muçulmanos. A cada nova oportunidade, mais um serviço templário era oferecido ao desenvolvimento das nações cristãs. Acabou evoluindo para a construção de catedrais e palácios e, mesmo, a primeira ordem bancária de que tem notícia.

Com o crescimento da Ordem, os Templários não pararam mais de receber doações e a obter lucros, e em pouco tempo estavam administrando uma gigantesca fortuna espalhada por toda a Europa, composta de peças de ouro, prata, castelos, fortalezas, navios, moinhos, videiras, pastos e terras aráveis. O grupo emitia cartas de crédito: o peregrino à Terra Santa depositava uma determinada soma na Europa, que podia ser resgatada quando chegasse a Jerusalém. “O Templo de Londres foi chamado de precursor medieval do Banco da Inglaterra”, escreve o historiador britânico Edward Burman, no livro “Templários: Os Cavaleiros de Deus”. Isso fez crescer o olho de muitos novos adeptos.

No início do século XIV os Templários eram a maior potência econômica da Europa e tinham total liberdade para agir, pois seu comando era o Papa. Mas, já não entravam em guerras e sim investiam em áreas estratégicas, uma das quais a navegação, que ganhavam força com as descobertas de meios de orientação através dos mares. Nas primeiras décadas do século XIV a maior, mais equipada e veloz frota marítima do planeta estava em poder dos Templários, como se voltará a abordar nesta série.

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