sábado, 19 de julho de 2014

1487-Templários: uma história cristã


Uma tropa de elite

Os apreciadores de filmes de ação sabem da existência da SWAT - Special Weapons And Tactics (Armas e Táticas Especiais), uma corporação de elite da polícia dos Estados Unidos. Também no Brasil se fala de Tropa de Elite, ou Atirador de Elite para referir-se a pessoal tático de alto nível nas operações de segurança. Os Templários também eram uma tropa de elite.

A ordem foi fundada em Jerusalém, no ano de 1119. Seu propósito era – como já enfocamos brevemente - dar proteção aos peregrinos cristãos na Terra Santa. A cidade tinha sido conquistada pelos cruzados em 1099, mas chegar até lá continuava sendo muito difícil. Ela era praticamente uma ilha, cercada de muçulmanos por todos os lados. A solução, proposta pelo cavaleiro francês Hugo de Payns, agradou ao rei (cristão) de Jerusalém, Balduino II: criar uma força militar subordinada à Igreja. A ideia era inédita. Até então, existiam monges de um lado e cavaleiros de outro.

“Payns inventou uma nova figura, a do monge-cavaleiro”, diz Marion Melville, autora de “La Vida Secreta de los Templários” (sem tradução para português).

O exército seria formado por frades bons de espada, que fariam, além dos votos de pobreza, castidade e obediência, um quarto juramento: o de defender os lugares sagrados da cristandade e, se necessário, liquidar os infiéis. Balduino alojou-os no local onde outrora fora construído o mítico Templo de Salomão. Daí o nome do grupo: templários.

Em 1129, a ordem recebeu aprovação do papa no Concílio de Troyes. Em 1139, veio a consagração definitiva: uma nova bula papal isentava os templários da obediência às leis locais. Eles ficariam submetidos, dali em diante, somente ao sumo pontífice. Os Cavaleiros do Templo admitiam excomungados em suas igrejas (o que era uma senhora blasfêmia para a mentalidade religiosa da época – mas o sentido de justiça os faziam piedosos).

Certa vez, um grupo de templários interrompeu, entre risos e com uma revoada de flechas, uma missa na Basílica de Jerusalém. O padre era de outra ordem, a dos Hospitalários, e entre as duas havia uma rixa histórica.

“Apesar da bravura reconhecida, os templários muitas vezes foram censurados por seu orgulho e arrogância”, afirma o historiador francês Alain Demurger no livro “Os Templários: Uma Cavalaria Cristã na Idade Média”.

No elenco de privilégios da Ordem os Cavaleiros do Templo, também, eram proibidos de se confessar a outros que não fossem os capelães templários. Desta forma, ficava assegurado dentro do grupo os segredos dos membros da corporação. Igualmente, o “Livro da Regra” – que tinha sido escrito por ninguém menos que são Bernardo de Claraval – era restrito ao alto escalão da ordem e ali estavam os marcos templários de ação e solução. Os membros tinham de sabê-lo de cor. Era uma forma de preservá-lo, caso caísse em mãos erradas. Porém, entre cochichos, se especulava que a Regra continha artigos secretos cifrados, cuja interpretação dava posse de conhecimentos esotéricos, como a fonte da juventude ou a transmutação de metais.

O teólogo inglês João de Salisbury, em 1179, se perguntava se os cavaleiros não tinham cedido às ambições terrenas. Essa suspeita se tornou certeza em diversos casos.

Havia muita inveja frente aos privilégios oferecidos à Ordem enquanto os Templários seguraram as pontas na Palestina. Quando o jogo na Terra Santa virou, e os muçulmanos gradualmente reconquistaram a região – processo que culminou com a expulsão dos cristãos do solo sagrado em 1303 –, a animosidade contra a Ordem explodiu. “A expulsão foi particularmente séria para os Templários, cujo prestígio e função se identificavam com a defesa dos lugares da vida, morte e ressurreição de Cristo”, diz Malcolm Barber.

Especialmente depois da campanha de difamação movida pelo rei francês, o nome e a história templária viraram chacota. Na Alemanha, “beber como um Templário” virou sinônimo de bebedeiras, e “Tempelhaus” (a Casa do Templo), era lugar de farra e até prostituição. O que antes era motivo de honra, transformou-se em piada. E tem mais, na sequência.

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