domingo, 20 de julho de 2014

1488-Templários: uma história cristã


O horror e o retorno templário

A ressaca pela perda da Terra Santa, porém, não foi o fundo do poço para os Templários. A aliança com o papa, que se mostrava tão útil desde o século 12, revelou-se uma faca de dois gumes. Em 1305, o novo sumo pontífice, Clemente V, se tornou aliado do rei da França, Filipe, o Belo. E os dois conspiraram para a destruição da Ordem do Templo. “O rei precisava de dinheiro para financiar seu aparato bélico”, diz Edward Burman. Em 1306, Filipe desvalorizou a moeda francesa. Os parisienses ficaram furiosos e saquearam a cidade. A coisa foi tão feia que Filipe, ironicamente, teve de se ocultar numa fortaleza dos Templários nos arredores de Paris. Lá, bem sob seus olhos, jazia a resposta para as suas orações: sacos e sacos de moedas de ouro.

No dia 13 de outubro de 1307, como já vimos, uma operação sigilosa da guarda de Filipe deteve e encarcerou boa parte dos Templários da França. As acusações eram pesadas e seguiam os moldes dos processos inquisitoriais daquela época: rejeição da cruz e de Jesus Cristo, beijos obscenos, sodomia e idolatria do Diabo. A tortura foi legitimada pelo rei. Os interrogatórios eram brutais: o cavaleiro Bernardo Vado, por exemplo, teve os pés tão queimados que seus ossos acabaram expostos.

Em março de 1312, no Concílio de Vienne, o Papa extinguiu a Ordem. A pá de cal foi a execução de Jacques De Molay, o último grão-mestre dos Templários daquela fase. Os monges-guerreiros que sobreviveram se mantiveram fiéis à Igreja, vivendo no anonimato. Um detalhe curioso e mórbido: a praga rogada por Jacques pegou. Clemente V morreu 42 dias depois de De Molay, e Filipe bateu as botas em 29 de novembro daquele mesmo ano.

Terminava assim a história dos cavaleiros de Cristo. Terminava? Bem... ainda não terminava.

Depois da blitz aos templários engendrada por Filipe, o Belo, alguns frades teriam reconstruído secretamente a Ordem. E dezenas de sociedades secretas posteriores seriam filhotes do movimento. Será que isso é verdade? Quando fizeram essa pergunta ao historiador Malcolm Barber, ele apenas sorriu e respondeu com ironia: “Como escreveu Umberto Eco em “O Pêndulo de Foucault”, ‘os templários sempre estão por trás de tudo’”.

Quando a frota de Cabral singrava pelas águas do Atlântico a caminho da Bahia – um Porto Seguro já mapeado pela espionagem templária e depois que a economia templária havia financiado Colombo em sua ida às Índias Ocidentales – como foi chamada a América, nada mais pesava sobre a ficha dos Templários. Seu nome estava limpo, sua economia preservada, sua Ordem não era uma, eram muitas, espalhadas pelo território europeu.

A potência dos mares era Portugal. E a potência marítima de Portugal estava com os Templários. A potência bancária da Europa estava na Suíça. E o dinheiro suíço era controlado pelos Templários. A Grã Bretanha sucede Portugal nas iniciativas marinhas e sucede a Suíça nas iniciativas bancárias. Sai da Grã Bretanha o grupo que funda os Estados Unidos da América. Seus principais líderes tinham cultura templária.

E hoje? Bem para falar dos templários hoje eu preciso de uns seis meses de estágio numa de suas escolas secretas. Está disposto(a) a esperar até que eu volte?

Se a resposta for “sim”, espere-me. Enquanto isso, uma nova série irá para a página.

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