quarta-feira, 23 de julho de 2014

1491-Jesus com efes e erres


 
Confusão entre messias, rei e até de data

As profecias dos quatro séculos anteriores ao nascimento de Joshua Bar Levi o davam como o messias esperado para fazer uma virada nos costumes do povo escolhido por Deus para servir de exemplo para toda a humanidade. Não fosse assim, o Espírito de Cristo poderia ter encarnado  na China, na Índia, no Irã, onde quer que fosse. O povo judeu foi escolhido por sua tradição na lida com as coisas espirituais.

A vinculação do nascimento do messias à cidade de Belém só piorou as coisas para Jesus, pois reduziu sua importância como messias e ampliou sua predestinação como rei judaico, fazendo crescer a reação das autoridades ameaçadas, enquanto o planeta e os próprios judeus foram perdendo a confiança no acontecimento messiânico.

Para sua libertação definitiva os judeus não precisavam de um tutor, um guia terreno e protetor como foram Salomão e Davi. Tutores existem para encaminhar os incapazes. Os Judeus estavam recebendo na carne de um judeu o Espírito mais qualificado para a missão messiânica, indicado para fazer uma revolução com repercussões no mundo todo, como de fato ocorreu, inclusive com a alteração do calendário humano, hoje adotado e conhecido em todo o planeta.

É estranho, mas essa vinculação com Belém e com a dinastia de Davi parece ser uma manobra processual romana para livrar a cara dos romanos na sua execução.

Por que Jesus não poderia ser o messias esperado tendo nascido em Cafarnaum? Como já dissemos, Jesus poderia ter nascido em qualquer território do planeta. Se nasceu na Palestina, certamente foi para valer-se, repito, da importância da história religiosa judaica perante os povos da maior parte do planeta.

Outro consenso é o de que Jesus nasceu "antes do Cristo apregoado". A fonte aí é a própria Bíblia. Mateus e Lucas dizem que ele veio ao mundo durante o reinado de Herodes, o Grande (não confunda com Herodes Antipas, seu filho, o soberano da Galileia durante a fase adulta de Jesus). Bom, como esse reinado terminou em 4 a.C., ele não pode ter nascido depois disso, o que faz com o calendário gregoriano traga consigo um erro matricial de, no mínimo, quatro anos. Há quem afirme serem 6 anos.

E sobre o dia do nascimento a Bíblia é clara: não diz nada.

"No início do cristianismo não se tinha uma data exata para o nascimento de Jesus. Então, lugares diferentes celebravam em datas diferentes", diz o teólogo Irineu Rabuke, da PUC/RS. O dia 25 de dezembro acabou adotado, no século 4, porque nessa data os romanos já comemoravam uma festa importante, a Natalis Solis Invicti, ou "Nascimento do Sol Invencível". Era uma comemoração pelo solstício de inverno (hemisfério norte), o dia mais curto do ano. É que, depois do solstício, os dias vão ficando cada vez mais longos. A festa, então, é pela vida, que a partir daí volta a florescer. E é também uma manobra romana para colar a data cristã na data profana, do mesmo modo que colou o dia de finados na data do “halloween”.

Por isso mesmo, os solstícios de inverno (dezembro no norte e junho no sul) foi e é celebrado com festa em boa parte das culturas humanas, desde sempre. Um exemplo: o círculo de pedras de Stonehenge já era palco de festas assim 3 mil anos antes de Jesus nascer. Por esse ponto de vista, dá para dizer que o monumento pré-histórico inglês é, no fundo, uma enorme árvore de natal.

Continuamos abrindo as caixas pretas.

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