sábado, 26 de julho de 2014

1494-Jesus com efes e erres


Um profeta entre muitos

Cristo viveu em um período favorável ao surgimento de profetas. Só no livro Guerra dos Judeus (do historiador Flávio Josefo, que viveu no século I) dá para identificar pelo menos 15 figuras semelhantes a Jesus, que viveram mais ou menos na mesma época dele.

A Bíblia cita outros quatro. Um é João Batista, que anunciava o fim do mundo aos seus seguidores, e de quem os cristãos herdaram o ritual do batismo.

"Cerca de cem anos depois da morte de João Batista, seus discípulos ainda diziam que ele era maior que Jesus", segundo o autor Chevitarese, que consultamos.

Para esse historiador, João Batista era um concorrente de Cristo. Os dois eram profetas apocalípticos (já que pregavam o fim dos tempos) e viviam na mesma região. A diferença é que João chegou primeiro. "Ele não se ajoelharia na frente de Jesus e dizia não ser digno de amarrar a sua sandália, como está nos evangelhos. Como se sabe, um discípulo nada acha de indigno amarrar as tiras da sandália do mestre”.

Segundo Chevitarese, foi a redação da Bíblia, evidentemente favorável a Jesus, que transformou Batista num coadjuvante: "Os textos pró-Jesus é que vão amarrar o Batista à tradição de Jesus. João Batista é um dos melhores exemplos que nós temos de um candidato messiânico marcadamente popular". Apesar de tudo, Batista é dado como primo de Jesus. Mas, como as divisões entre judeus não é novidade desde tempos muitos anteriores, mais essa divisão não seria novidade.

O segundo desses profetas contemporâneos é Simão, o Feiticeiro. Conforme o livro Atos dos Apóstolos, do Novo Testamento, Simão é conhecido por "praticar mágica", e quando ouve os apóstolos falarem sobre Jesus, oferece dinheiro a eles para tentar comprar o dom de Deus (de fazer curas milagrosas). Os apóstolos recusam a oferta, claro.

O terceiro desses é Bar-Jesus, que os apóstolos encontram quando chegam à Grécia e a quem nomeiam como "falso profeta".

E o último é o "egípcio", com quem Paulo é confundido no templo de Jerusalém. O egípcio era um candidato a Messias que viveu por volta do ano 40, e prometeu levar os seus seguidores para atravessar o leito do Rio Jordão, que, ele dizia, se abriria quando eles passassem. Chevitarese conta que eles sequer tiveram tempo de chegar às margens do rio: "Os romanos, quando ficaram sabendo disso, mandaram a tropa aniquilar todo mundo. Vai que o rio abre mesmo?".

E assim, nós que acompanhamos essas histórias dois mil anos depois dos fatos vamos tomando conhecimento de que os governos eram perversos e mortíferos. Não se furtavam fazer massacres em nome da preservação do poder.

Quanto aos “profetas” muitos, circulando pelas aldeias naquele período judaico (do ano judaico de 5800) em que a escrita era limitada aos papiros, que hoje se pode comparar com um preparado tipo papelão obtido a partir das fibras de um capim ou (também havia) sobre o couro curtido de carneiros e ovelhas, repito, sua existência jamais chegou claramente aos séculos posteriores dada a degradação dos registros históricos. O próprio Cristo teria passado anônimo para nós não fosse a conversão de Paulo ao cristianismo primitivo, sua divulgação do cristianismo primitivo entre outros povos a ponto de alcançar Roma e daí para frente com a adoção do cristianismo por Roma como religião oficial do Império Romano.

Um exemplo disso são os nomes de Confúcio, Lao Tsé, Osho, Krishna e tantos outros líderes religiosos do Oriente que se tornaram universais depois que a imprensa foi inventada e mais ainda com a recente globalização.

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