sexta-feira, 1 de agosto de 2014

1500-Jesus com efes e erres


Um apocalipse de muitos séculos

Como você sabe, o Apocalipse é o último livro do Novo Testamento incluído na Bíblia Judaico-Católica. E será, também, o último tema desta série. Mas, antes, quero retomar argumentos já abordados, mas nunca esgotados. Trata-se da adaptação havida aos textos originais por iniciativa da Comissão Litúrgica nomeada no século IV para selecionar o que entraria como Bíblia na nova religião.

Devemos levar em consideração que a verdadeira doutrina de Jesus foi ofuscada a partir do século IV quando o próprio Jesus foi elevado à categoria de Deus. Mais tarde também Maria foi reabilitada e passou a chamar-se a Mãe de Deus. Vê se é possível Deus ter uma mãe.

Nesse tempo, as atenções se voltaram para a pessoa de Jesus e na reiterada promessa de sua volta. A pessoa ocupou o espaço da doutrina. Muitos dos seus ensinamentos se perderam na visão de que ele voltaria para completar seu trabalho. E, na verdade, ele não prometera voltar mas, sim, enviar um consolador, confortador, encorajador e reanimador (essa é a tradução para “paráclito”, nome grego que aparece nos versículos do capítulo 14 do Evangelho de João).

No século XIX, quando surgiu a doutrina espírita foi muito explorada a possibilidade de ser esta o paráclito prometido por Jesus. E mais ainda porque na primeira reunião dos apóstolos após o desaparecimento de Jesus, conforme registra Atos dos Apóstolos, cuja autoria é atribuída a Lucas, que era médico de Paulo de Tarso, novamente existem importantes colocações sobre a questão espiritual. Narra um evento que ocorreu no dia de pentecostes em que os apóstolos juntamente com Maria, a mãe de Jesus e os irmãos dele (cap. 1, v. 13 e 14) reunidos no Monte das Oliveiras, passaram a receber espíritos, como línguas de fogo e a falar em outras línguas (cap. 2, v. 1 a 3).

O episódio de pentecostes é dado como o início da Igreja de Pedro (entenda, ainda não é a Igreja de Roma, mas a Igreja Primitiva de Jesus). Sendo assim, a igreja presidida por Pedro, antes que ele tivesse sido condenado e crucificado de cabeça para baixo pelos representantes do Império Romano, essa terá sido, efetivamente, uma Igreja Espiritual.

As coisas se alteraram depois que o Império Romano aceitou as indicações de Constantino e passou a trabalhar o surgimento de uma nova religião, que resultou na Católica Apostólica Romana que, como sabemos, tem muito pouco de espiritual.

Lendo tudo o que se escreveu sobre Jesus pode haver ficado (no leitor) a impressão de que há demérito na sua pessoa e na sua obra. Na verdade nua e crua, não há. O que temos de separar é o homem Joshua Bar Levi (seu nome verdadeiro) daquele Espírito de Luz que ali se aninhou por alguns anos para que a Obra do Cristo pudesse frutificar. E frutificou. Pode haver uma crítica aqui e acolá à Igreja Católica e às outras igrejas ditas cristãs, que inverteram algumas coisas, mas, no fundo, a obra prosperou e os homens de todo o Planeta Terra sabem o que ele disse e o que ele sustentou.

Estamos concluindo o Apocalipse que durou 20 séculos e encerrou-se com o fim da II Grande Guerra, quando o chamado Anticristo foi derrotado. (já mostramos isso na série “Os motores da evolução humana”)

Com todos os efes e erres, o Espírito Cristo passou por aqui e marcou como nenhum outro antes dele e depois dele, o roteiro do Reino dos Céus reinando na Terra. Toda a iniquidade dos homens foi sendo engolida pela evolução e a obra está a um passo de consumar-se. O amor prospera. A vitória é breve.

Fim da série.

 

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