domingo, 24 de agosto de 2014

1523-Conhecimento condicionado


Introdução

Quando o apressado intérprete da realidade nacional brasileira olha para o regime de propriedade da terra secularmente mantido no modelo latifundiário, em geral improdutivo e, em geral, com exploração desumana da mão de obra, é possível que sinta vontade de xingar os governos e os propritários por sua insensibilidade e desumanidade. E o que é pior: o modelo latifundiarista inspirou o modelo industrial. E este inspirou o modelo bancário. E a Universidade não se fez de rogada: formou imensas levas de profissionais com a cabeça centrada no emprego. Entre as raras exceções que escapam do modelo empreguista são a Medicina e a Odontologia. Mais que insensíveis e desumanos, governos e proprietários e capitalistas respondem por um grande atraso na economia primária, secundária e financeira do país. Existe, no mínimo, meio Brasil territorial por ser explorado técnicamente. E outra de Brasil a espera da eficiência da indústria. E os juros cobrados pelo sistema financeiro respondem pelo restante da estagnação em termos de investimentos. É mais atraente viver de juros do que gerar riqueza. A exceção no campo são as cooperativas que conseguem distribuir entre os seus associados os excedentes da comercialização e industrialização dos produtos primários. A exceção mais rara nas fábricas são os empregados participando dos resultados da indústria. Mas, é muito pouco em vista da imensidão a conquistar.

Onde está o nó? Na cultura, na consciência. E a saída deve vir de onde? Da Escola Superior, principalmente.

Quem diria que um dia a poderosa universidade pudesse ser contestada em sua sobriedade, austeridade e arrogância?

Temos 8,5 milhões de quilômetros quadrados de área territorial. Vamos retirar disso 50% para deixar com as montanhas, rios e alagados e áreas urbanas. Ficaremos com mais de 4 milhões de km², o que equivale dizer 400 milhões de hectares cultiváveis. Usamos, disso tudo, 68 milhões. Temos 250 milhões de hectares em latifúndios improdutivos e semi-produtivos. Quatro vezes mais do que hoje está cultivado e produzindo.

Já temos assistido as falas das autoridades e economistas que a agropecuária tirou o Brasil da falência já por varios anos seguidos. E não tem nenhum absurdo nisso. Absurdo seria o Chile ou o Japão viverem da agropecuária sem ter área para tanto. O Brasil tem área agricultável como nenhum outro país do planeta. Vai fazer o que com seus 8,5 milhões de km² se não produzir grãos, frutas, madeira, hortaliças, proteína animal e seus derivados?

Toda a riqueza de matéria-prima deixa de ser explorada aqui para ser exportada, beneficiada lá fora, de onde retorna tristemente como fuga de divisas na primeira e na segunda operação.

Acontece que somos frutos de um Conhecimento condicionado. Pensamos como feudatários ou como vassalos. Reside justamente nessa mentalidade retrógrada da Universidade, da Igreja, da Política, da Economia, os principais e graves problemas do riquíssimo e paupérrimo país que mora no nosso coração.

Esta série tem a pretensão de levantar as raízes culturais dos Brasis rural e industrial (e não só do Brasil, como também de várias outras culturas próximas da nossa, como da Argentina e Uruguai, onde imperou a influência europeia e cristã) para identificar porque toleramos, aceitamos, reproduzimos a mentalidade feudal. Por que (3 séculos depois) ainda não adentramos no Iluminismo?

Opa! Mas a proposta deste blog é maioridade espiritual e de repente passa a tratar de agricultura, feudo, indústria, modelo econômico, cultura, etc. Sim, leitor, o atraso espiritual que nos coloca como índios na jornada do espírito tem uma âncora chamada economia feudal, pensamento feudal, afazeres medievais. Âncora fundeada, impedindo nosso navegar, pés de chumbo impedindo nosso voo, especialmente porque fomos colonizados por portugueses e espanhóis. Você verá adiante, como chegamos nisso.

Você nos acompanha? Então, vem...

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