segunda-feira, 25 de agosto de 2014

1524-Conhecimento condicionado


O início do feudo

O Feudalismo na Europa compreende o período da Idade Média a partir da descentralização do Império Romano tendo surgido entre os séculos IX e X na Europa Ocidental. Instituições feudais perduraram na Europa até o fim do Antigo Regime quebrado pelas revoluções (de que falarei adiante). Na França, o feudalismo foi uma expressão criada no século XVII e usada depois pelos advogados franceses e ingleses e popularizada pelo filosofo Charles-Louis de Secondat, Barão de Montesquieu como um modelo acabado de relações entre proprietários e serviçais, antecedendo o capitalismo.

O sistema de coronelato rural implantando no Brasil pelo regime de Pedro II em torno de 1850, era a mais perfeita evolução do feudalismo. Em troca da defesa do território, da harmonia e da manutenção de um parlamento simpático ao rei, os coronéis ganhavam terras e outros favores e podiam organizar e dirigir milícias rurais.

De onde vem isso? Com uma multiplicidade de problemas a afetá-lo, Teodósio (Rei de Roma) viu-se na necessidade de dividir o Império Romano em duas partes distintas. Uma sediada no Ocidente (Roma) e outra com sede em Bizâncio, depois Constantinopla, atual Istambul.

Sortes distintas tiveram estes territórios. O do ocidente acossado pelas contradições internas, mas também assolado por várias vagas de invasores, sucumbiu, não conseguindo mais manter o poderio que lhe deu fama e riqueza. Abriu a porta a uma nova realidade, a fragmentação do poder em vários senhores responsáveis pela ordem, em suma o Feudalismo. O senhor da terra cedia o espaço para o cultivador mediante cobrança de um percentual dos resultados. Terceirizava-se o papel do Estado. Hoje quando universidades e escolas particulares, hospitais particulares, serviços privados de segurança, saúde, educação, estradas, comunicações, substituem o papel do Estado, é o feudalismo evoluído vivo.

A formação do feudalismo se deu como se vê (essa era a desculpa) para proteger a área contra invasores. Mas, na verdade, era um capitalismo selvagem, escravagista, em que a única virtude era permitir ao vassalo a tomada de decisões sobre a propiedade a cultivar, coisa que, após isso, o capitalismo retirou por completo. O trabalhador perdeu a autoria, a iniciativa.

Os romanos, a exemplo dos gregos, chamavam de "bárbaros" a todos aqueles que não tinham seus costumes e que não falavam sua língua. Entre esses povos, estavam os germanos, cujas invasões provocariam a desestruturação do Império Romano do Ocidente.

A partir do fim do século III, com o enfraquecimento do poderio de Roma, alguns povos que habitavam nas proximidades das fronteiras do Império Romano começaram a se instalar pacificamente em seu território, como aliados, isto é, como colonos e, sobretudo, como soldados. No final do século IV, os hunos, povo guerreiro de origem asiática, chegaram à Europa oriental e mudaram esse quadro, acelerando o processo de desintegração do Império Romano. Praticamente empurrados pelas invasões dos hunos, os povos germânicos levariam de roldão as fragilizadas defesas das fronteiras romanas. Assim, francos, burgúndios, alamanos, ostrogodos, visigodos, anglo-saxões invadiam e pilhavam o território do decadente Império Romano. De certa forma, vemos isso acontecendo novamente nos países desenvolvidos com a hordas de imigrantes que os invadem a procura de emprego, alimento, proteção e saúde.

Em 410 d.C., os visigodos ocuparam a península itálica, tomando e saqueando Roma. Os vândalos, por sua vez, avançaram pela peníncula ibérica, atravessaram o estreito de Gibraltar e estabeleceram-se no norte da África. São, hoje, a cultura terrorista que se destaca nos noticiários.

O golpe definitivo ocorreu em 476 d.C., quando Odoarco, chefe dos hérulos, destronou o Imperador de Roma, pondo fim ao Império Romano do Ocidente. Esse acontecimento assinala a passagem entre a Antiguidade e a Idade Média na Europa, mas também, segundo alguns historiadores, em outras formas de passagem entre as mesmas, por exemplo: divisão do império em oriente e ocidente, deposição do ultimo imperador no ocidente ou a liberdade de culto para os cristãos e, mais tarde, pelo agravamento do controle episcopal, a cisão do cristianismo.

Assim, ao término do século V, toda a porção ocidental do Império Romano, agora sob o domínio dos germanos, começava a assumir uma configuração inteiramente diversa do ponto de vista de sua organização social, política e econômica. Era o mundo feudal que começava a se formar.

Mas, seriam necessários mais de três séculos para que as estruturas da nova sociedade estivessem plenamente consolidadas (século VIII). Nesse período, definitivamente, a administração centralizada do Império Romano daria lugar a diversos reinos, como o dos ostrogodos, o dos francos e outros nos quais vigoravam formas descentralizadas de poder.

De todos os reinos feudais, o mais duradouro foi o dos francos. Por volta do século IX seu poder era tão grande que alguns acreditavam na possibilidade de o Império Romano do Ocidente voltar a surgir através do que hoje é a França. Porém muito aliada à Igreja. Isso nos levaria às Cruzadas, raiz de um ódio confessional que instalou entre cristão-judeus e muçulmanos.

A base social dos reinos feudais se constituia a partir do encontro e da combinação de tradições, costumes, crenças e estruturas sociais herdadas dos romanos e dos povos germânicos.

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