quarta-feira, 27 de agosto de 2014

1526-Conhecimento condicionado


A sociedade feudal e sua herdeira

A sociedade feudal é dividida em três grandes ordens. A primeira compreendia os integrantes do Clero, que cuidavam da fé cristã com mão de ferro: nada coexistia se não professasse e obedecesse a fé com sede em Roma. A segunda reunia a Nobreza como um todo, parasita, responsável pela moeda, pela língua, pela conquista (guerra) e pela segurança (interna). Já a última ordem era aquela constituída pelos Servos, que trabalhavam para sustentar tudo mais, como ainda hoje ocorre, pois os donos do capital nada mais são do que exploradores de dividendos obtidos pela geração de riqueza pelas mãos e pelas máquinas de quem labora.

A possibilidade de ascensão social praticamente inexistia. Rígidas tradições e vínculos jurídicos determinavam a posição social de cada indivíduo desde o nascimento. Na sociedade feudal, a honra e a palavra tinham importância fundamental. Desse modo, os senhores feudais ligavam-se entre si por meio de um complexo sistema de obrigações e tradições, do mesmo modo que exerciam esse padrão sobre os seus vassalos. O compadrio que ainda existe entre trabalhadores e proprietários rurais no Brasil, é uma extensão desse padrão herdado dos feudos.

A fim de obter proteção, os senhores feudais geralmente procuravam por outro senhor mais poderoso, jurando-lhe fidelidade e obediência. Chamava-se vassalo, o senhor feudal que pedia proteção a outro. Essa aliança deveria ser consolidada pelo senhor mais poderoso, o suserano, por meio da concessão de um feudo, que podia ser constituído de terras ou de bens ou de ambos. Herdamos daqui, também, a figura dos coronéis rurais que, por exemplo, no Nordeste Brasileiro, ainda estão ativos.

Nesse sistema, o vassalo devia várias obrigações ao seu suserano, como o serviço militar, por exemplo. Nascia assim as milícias que, mais tarde viriam servir aos interesses dos coronéis do campo no Brasil. Por essa razão, quanto maior o número de vassalos, maior o prestígio e o poder de um suserano. (As oligarquias políticas de que vários estados brasileiros tiveram e têm de enfrentar, é herança daí) O compromisso estabelecido nesse sistema tinha caráter sagrado e constituía falta grave sua violação. Esse modelo, com algumas variantes, viemos encontrar também no Brasil do século XVIII, XIX e XX quando o Império começou por instituir os coronéis rurais, responsáveis pela segurança nacional através de milícia armada e depois evoluiu para os chefes políticos (como ocorreu no Brasil): Flores da Cunha, Borges de Medeiros, Felipe Schmidt, Vidal Ramos, Irineu Bornhausen, Aderbal Ramos, José Sarney, Tenório Cavalcanti e uma centena mais de outros chefões políticos.

A terceira (última) ordem da sociedade do século V era formada pelos servos. A relação que se deu inicialmente entre os colonos e os proprietários das vilas romanas pode explicar a origem de servidão no feudalismo posterior e a sua extensão nas fazendas de café, cacau, cana-de-açúcar, gado, e nas explorações das minas e engenhos. Diferentemente dos escravos, os servos estavam presos à terra e dali não podiam sair. Mesmo que um feudo mudasse de senhor, não poderiam ser expulsos dele, passando a prestar obrigações ao novo senhor.

Além dos servos, havia os vilões, pequenos proprietários que, por algum motivo, tinham entregado suas terras a um senhor. Embora livres, deviam várias obrigações ao dono do feudo.

Na Europa, os escravos, em número reduzido e mantidos apenas em algumas regiões próximas ao Mediterrâneo, trabalhavam em atividades domésticas. Também no Brasil houve isso.

Havia diferenças, de fato, entre o servo e o escravo. O servo tinha o direito à sua vida, garantia que o escravo não conhecia, pois podia até ser morto pelo amo. Além disso, ainda que entregasse grande parte da colheita ao senhor, o servo produzia sua própria economia. Entretanto, a condição de exploração de ambos era semelhante. Os servos ficavam à mercê de circunstâncias quase tão cruéis quanto as enfrentadas pelos escravos. Numa sociedade marcadamente lusitana, como Florianópolis e Porto Alegre, ali pelo século XIX, os proprietários mesmo urbanos não trabalhavam, tudo era feito pelos servos, pelas amas.

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