quinta-feira, 28 de agosto de 2014

1527-Conhecimento condicionado


A estrutura feudal

Os feudos eram os núcleos com base nos quais a sociedade feudal se organizou e ser viu de modelo às sociedades do futuro. Por volta do ano 1000, a maioria das pessoas na Europa ocidental vivia em feudos. Nesse período, a terra converteu-se no bem mais importante, por ser a principal fonte de sobrevivência e de poder. Aqui temos nós, brasileiros, uma forte âncora cultural, presente em nossos dias. Passamos a ver a terra como a maior conquista do homem simples e pobre, mas este, por seu encolhimento mental jamais chegará a produzir excedentes. Ele mourejará sobre a terra como um pária. A Reforma Agrária buscada pelo MST, no Brasil, padece dessa mentaldiade. Para produzir excedentes e gerar riqueza, o homem deve ser educado, profissionalizado.

As terras do feudo distribuíam-se da seguinte forma:

Manso senhorial – representava cerca de um terço da área total e nela os servos e vilões trabalhavam alguns dias por semana. Toda produção obtida nessa parte da propriedade pertencia ao senhor feudal.

Manso servil – área destinada ao usufruto dos servos. Parte do que era produzido ali era entregue como pagamento ao senhor feudal.

Terras comunais – era a parte do feudo usada em comum pelos servos e pelos senhores. Destinava-se à pastagem do gado, à extração de madeira e à caça, direito exclusivo dos senhores.

Os feudos não eram apenas agrícolas. Ali havia outras atividades artesanais.

Os servos, principal mão-de-obra dos feudos, deviam varias obrigações ao senhor feudal, destacando-se:

A corvéia – prestação de trabalho gratuito durante vários dias da semana no manso senhorial;

A talha – entrega ao senhor de parte da produção obtida no manso servil;

A banalidade – pagamento de taxa pelo uso do forno, do lagar (onde se fazia o vinho) e do moinho, dentre outros equipamentos do feudo;

O censo – pagamento efetuado com parte da produção em dinheiro, ao qual estavam obrigados somente os vilões ou homens livres;

A capitação – imposto per capita (por cabeça), pago apenas pelos servos;

A mão-morta – taxa paga pelos familiares do servo para continuar explorando a terra após sua morte.
 
Essas e outras formas de pagamento eram compulsórias. Por meio delas, transferia-se para o senhor feudal a maior parte da produção.

Os camponeses tinham de viver com o pouco que sobrava. Moravam em casa de madeira, sem divisões internas, com telhado de palha e chão batido. Assim como os senhores, em sua maioria não sabiam ler nem escrever. Vestiam-se com roupas de lã, linho ou couro. Seu divertimento, geralmente, estava relacionado à fé cristã e aos festejos comemorativos por ocasião do plantio, da colheita e dos santos padroeiros.

A Europa foi ocupada por vários reinos, cuja principal característica era a descentralização do poder, dividido entre o rei e os senhores do feudo. O rei cumpria, sobretudo, funções simbólicas. Era considerado o principal suserano. Também subordinado às obrigações do sistema de suserania e vassalagem, dependia do exército (milícia) formado por seu vassalos e dos tributos recolhidos em seus próprios domínios feudais.

Ao ser reconhecido e legitimado pela Igreja, o poder do rei revestia-se de um caráter: ele era “rei pela graça de Deus”. Apesar disso, não tinha poderes para interferir nas terras de seus vassalos. Nelas, o senhor feudal era soberano, comandando o seu funcionamento e fazendo justiça segundo as tradições e o direito consuetudinário, isto é, o direito consagrado pelos costumes.

Quando, hoje, o político galga o poder, no Brasil, de certa forma, os vassalos eleitores o veem como alguém que pela graça de Deus ali foi colocado. Não sabe o eleitor das maracutaias que ocorrem no interior dos partidos políticos para que isso aconteça. Mas, foi pior.

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