sexta-feira, 29 de agosto de 2014

1528-Conhecimento condicionado


A repartição e a fé nos feudos

Na Alta Idade Média (476-1453) ocorreu uma acentuada retração das atividades comerciais e artesanais. Em razão disso, houve um processo de ruralização da sociedade da Europa ocidental, com o predomínio da agricultura de subsistência.

Dentro dos feudos, a agricultura era praticada por meio de técnicas simples. Os principais instrumentos eram feitos de madeira, pois o ferro era de difícil aquisição. O arado, puxado por boi, era o equipamento principal. Para não esgotar o solo, usava-se um sistema de rotação trienal: a terra de cultivo era dividida em três partes e o plantio era feito de tal modo que sempre uma dessas partes permanecia em descanso, enquanto nas outras duas havia rotação de culturas.

Cada família de servos tinha a posse de um lote (ou tenência) em cada um desses campos, para que sempre houvesse terra disponível para o cultivo.

Em quase toda a Europa Ocidental, durante a Idade Média, o cristianismo romano era a crença religiosa predominante e que exercia seu poder máximo. A grande exceção constituía a parte da península Ibérica ocupada pelos árabes, naquilo que conhecemos por Invasão Moura, que durou de 711 a 1492 d.C., de confissão muçulmana. Aí, a religião dominante era o islamismo. Outro caso particular dizia respeito às comunidades de judeus disseminadas pela Europa, praticantes do judaísmo. Na maior parte do continente, porém, a vida das pessoas era determinada pelos ensinamentos e pela ação da Igreja Católica Apostólica Romana.

Herdeira e transmissora dos valores greco-romanos, essa poderosa instituição marcou de maneira profunda a cultura medieval, tanto do ponto de vista material quanto espiritual. A própria presença muçulmana numa parte da Europa apenas fez acentuar o rigor cristão, posto que era confrontado com o modelo islamita.

A Igreja era a mais importante instituição do mundo feudal. Os membros mais elevados de sua hierarquia, bispos e abades, eram recrutados entre os nobres. Naquela época, tinha-se o costume de fazer com que o segundo filho de uma família nobre seguisse a carreira eclesiástica - o primeiro filho (homem) herdava o feudo, segundo o direito de primogenitura. E as filhas mulheres eram educadas para casar. Caso contrário iam para os coventos como freiras.

Até mesmo o tempo era regulado pela religião cristã - as pessoas marcavam o ritmo de suas vidas pelo toque do sino das igrejas. Completamente voltadas para as práticas religiosas, acreditavam que a vida na Terra era apenas um momento antes da eternidade, que seria vivida ao lado de Deus.

Na Idade Média, a Igreja Católica dominava o cenário religioso. Detentora do poder espiritual, a Igreja influenciava o modo de pensar, a psicologia e as formas de comportamento na Idade Média e até mesmo a geração de filhos pelos casais. A igreja também tinha grande poder econômico, pois possuía terras em grande quantidade e até mesmo servos trabalhando. Os monges viviam em mosteiros e eram responsáveis pela proteção espiritual da sociedade. Passavam grande parte do tempo rezando e copiando livros sagrados e educacionais.

Colocando-se como a única intermediária entre a humanidade e Deus, a Igreja passou a deter o monopólio da salvação. Sua organização hierárquica, no topo da qual estava o Papa, era extremamente centralizada e rígida. A serviço de Deus, os membros do clero cumpriam um rigoroso regime de obediência e disciplina.

Seu raio de ação, entretanto, não se limitava à vida espiritual. Na verdade, ao longo dos séculos, a Igreja tornou-se proprietária de grande patrimônio – possuía terras, vassalos e servos – acumulados graças às doações feitas por aqueles que queriam, por seu intermédio, ser libertados da condenação divina.

Em meio a uma sociedade constituída de pessoas iletradas, mantinha o controle absoluto do saber erudito. Detendo informações e conhecimento importantes, garantia que seu domínio se estendesse ao longo de séculos de maneira quase inabalável e inquestionável. Isso só mudou quando Martin Luther, um padre alemão questionou o método católico e liderou uma cisão conhecida por Protestantismo.

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