domingo, 31 de agosto de 2014

1530-Conhecimento condicionado


O conhecimento à margem da igreja

Devido à forte presença da Igreja, os primeiros pensadores medievais, chamados doutores da Igreja, voltaram-se para questões relativas aos dogmas e preceitos da fé numa tentativa de dar forma à nova religião que ainda se organizava. Inúmeros foram aqueles que estabeleceram os fundamentos da teologia católica combinando por vezes elementos da filosofia greco-romana com ensinamentos propriamente cristãos e sempre mais distantes da proposta original.

Entre os principais estudiosos que ajudaram a transformar a religião de Cristo (mais simples e mais espiritual) em uma doutrina formal, está Santo Agostinho. Associando o cristianismo aos textos do filósofo grego Platão e de seus seguidores, Santo Agostinho construiu argumentações capazes de sustentar e explicar o que foi levado ao grande público como verdades religiosas.

Algum tempo depois, São Tomás de Aquino, professor da Universidade de Paris, e um dos mais importantes doutores da história da Igreja, reuniu o saber medieval na obra Suma Teológica.

O caminho aberto por ele, a Esolástica - movimento que reunia as ideias de Tomás de Aquino - representou uma tentativa de conciliar fé e razão com base no pensamento de Aristóteles, fundindo assim elementos da filosofia pagã com a doutrina católica. Um esforço para convencer a humanidade de que Deus existe e sua escola evolutiva se assenta numa só e única igreja.

No final da Idade Média, houve algumas tentativas de mudar as orientações teóricas. Na obra de Roger Bacon, por exemplo, estão fortemente presentes preocupações científicas. Monge franciscano inglês do século XIII, Bacon recomendava observações e experimentação como meios indispensáveis para chegar ao conhecimento. Isso lhe custou a condenação pela Igreja ao cumprimento de uma pena de catorze anos de prisão.

Bacon, que é dado como uma reencarnação de São José, pai biológico de Jesus, tentou mostrar que Deus não necessita de mistérios para ser interpretado, pois todo o Universo pode ser explicado dentro da lógica científica e que nenhum dos eventos que tenham relação com a fé carecem de ser apresentados como milagres se os intérpretes usarem de honestidade na sua apresentação. Bacon acabou cognominado Pai da Ciência Moderna que viria a seguir e a igreja continuou mergulhada nas suas revelações de mistérios.

Com a arte não foi diferente. A arte medieval era também dominada pelos preceitos da religião. Na pintura e na escultura, os temas representados eram: Deus, os anjos, os santos e, de modo geral, as cenas que instruíssem os fiéis a respeito dos conhecimentos morais e espirituais da doutrina cristã.

Na arquitetura imperava a mesma concepção. As maiores construções medievais foram as igrejas, sempre imensas, sempre suntuosas. Nos primeiros tempos, imitavam-se os modelos romanos. A partir do século XI, desenvolveu-se um estilo arquitetônico propriamente medieval, chamado românico. Os edifícios eram relativamente simples, embora de grandes proporções. Sua aparência sólida, com paredes grossas e poucas janelas, assemelhava-se à das fortalezas. Seus elementos característicos eram a coluna e o arco romano.

A partir do século XII, começou a afirmar-se no norte da França um novo estilo, batizado posteriormente com o nome de gótico, referindo-se aos povos godos germânicos, muito fortemente religiosos. Introduzindo uma nova técnica de construção – o arco ogival -, o estilo gótico disseminou-se com a edificação de enormes catedrais, que passaram a simbolizar a riqueza das novas cidades, da qual Notre Dame, em Paris, é um belo exemplo.

Caracterizadas pelas torres altas e pontiagudas, pelas colunas graciosas e, claro, pelos arcos ogivais, as catedrais são construções elegantes, ornamentadas com muitas estátuas e com belos vitrais coloridos, representando cenas da vida de Cristo, da Virgem Maria e dos santos.

Contudo, viria a transformação. A sociedade feudal conheceu, entre os séculos XI e XIII, um período de grandes mudanças, assinalado pelo advento da arte gótica, da Escolástica e das universidades, notadamente nos países protestantes.

Durante esse período, que compreende os primeiros séculos da Baixa Idade Média, houve um aumento populacional proporcionado pela diminuição das invasões e das epidemias que assolaram a Europa durante os primeiros séculos do feudalismo. Esses acontecimentos, associados às características do próprio sistema feudal, como descentralização do poder e isolamento dos feudos, minaram algumas estruturas peculiares a esse sistema.

Para a composição do novo quadro, foram decisivas as Cruzadas, que apesar da mortandade e do sacrifício imposto, foram expedições de caráter religioso e militar surgidas no final do século XI, com posteriores desdobramentos. Elas contribuíram para acentuar as mudanças na estrutura do feudalismo na Baixa Idade Média.

Em decorrência das Cruzadas algumas cidades começaram a surgir, outras renasceram e os vínculos de servos e senhores feudais sofreram drásticas alterações. As profundas transformações que se verificaram tiveram como consequência a modificação das organizações internas dos feudos, bem como das relações entre eles e os reis.

O crescimento populacional foi decisivo, inclusive, para o povoamento das Américas recém descobertas.

A população européia era de aproximadamente 18 milhões de pessoas no ano 800 d.C. Em trezentos anos, até o ano 1100, esse número aumentou em cerca de 8 milhões de habitantes, saltando para quase 26 milhões. Em 1200, foi atingida a marca de 34 milhões de habitantes. Isso quer dizer que em apenas quatrocentos anos a população da Europa praticamente dobrou. Durante o século XIX a população eurpeia saltou de 200 para 400 milhões de habitantes, faltou emprego, comida e não havia pestes nem guerras para reduzir o crescimento.

Já vinha de longa data. A diminuição das invasões a partir do século X gerou um clima de estabilidade social sem precedentes no mundo feudal. O isolamento entre os feudos permitiu que o número de mortes por epidemia diminuísse consideravelmente. Sem disputas contra invasores e momentaneamente livres das epidemias, o número de nascimentos começou a superar o de mortes, ocasionando o aumento populacional.

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