terça-feira, 30 de setembro de 2014

1560-Allan Kardec


Hippolyte Léon Denizard Rivail

Este é o nome de batismo do codificador e sistematizador da Doutrina Espírita, nascido a 3 de outubro de 1804, em Lyon, na França, e falecido em Paris na data de 31 de março de 1969, com, portanto, 64 anos idade.

Seu trabalho como professor, pedagogo, autor e tradutor, tinha uma excelente repercussão na Europa, mas alcançou o mundo quando lançou sua primeira obra espírita, em abril de 1857, chamada “O Livro dos Espíritos”.

Contudo, para chegar ao seu primeiro trabalho de repercussão internacional, Hippolyte enfrentou uma trajetória difícil, como soe acontecer com qualquer um que se proponha transformar costumes, quebrar paradigmas, alterar padrões de pensamentos e concepções. Enfrentou preconceitos, rejeições, ameaças e só não foi parar na fogueira da Inquisição porque aquele tribunal já havia cessado suas atividades na França (país católico), onde nasceu e viveu.

Hippolyte Léon Denizard Rivail antes de usar o pseudônimo Allan Kardec (que utilizou também para esconder sua verdadeira identidade e livrar-se de perseguições) foi um influente educador, autor e tradutor francês.

Adotou o seu pseudônimo também para fazer uma diferenciação entre o autor da Codificação Espírita e aos seus anteriores trabalhos literários e pedagógicos.

Segundo algumas fontes, seu pseudônimo foi escolhido depois que um espírito revelou-lhe que haviam vivido juntos entre os druidas, na Gália, e que então o Hippolyte se chamava "Allan Kardec".

Nascido numa antiga família de orientação católica com tradição na magistratura e na advocacia, desde cedo manifestou propensão para o estudo das ciências e da filosofia.

Fez os seus estudos na Escola Pestalozzi, no Castelo Yverdon, em Yverdon-les-Bains, na Suíça (país protestante), tornando-se um dos seus mais distintos discípulos e ativo propagador de seu método, que tão grande influência teve na reforma do ensino na França e na Alemanha. Aos quatorze anos de idade já ensinava aos seus colegas menos adiantados, criando cursos gratuitos. Aos dezoito anos bacharelou-se em Ciências e Letras.

Concluídos os seus estudos, o jovem Rivail retornou ao seu país natal. Profundo conhecedor da língua alemã, traduzia para este idioma diferentes obras de educação e de moral, com destaque para as obras de François Fénelon, pelas quais manifestava particular atração. Conhecia a fundo os idiomas francês, alemão, inglês e holandês, além de dominar perfeitamente os idiomas italiano e espanhol.

Era membro de diversas sociedades acadêmicas, entre elas o Instituto Histórico de Paris e a Academia Real de Arras; esta última, em concurso promovido em 1811 premiou-o em razão do trabalho "Qual o sistema de estudos mais em harmonia com as necessidades da época?"

A 6 de fevereiro de 1832 desposou Amélie Gabrielle Boudet, com quem permaneceu casado até o desencarne. Em 1824, retornou a Paris e publicou um plano para aperfeiçoamento do ensino público. Após o ano de 1834, passou a lecionar, publicando diversas obras sobre educação. Era membro da Real Academia de Ciências Naturais da França.

Como pedagogo, o jovem Rivail dedicou-se à luta para uma maior democratização do ensino público. Entre 1835 e 1840, manteve em sua residência, à rua de Sèvres, cursos gratuitos de Química, Física, Anatomia comparada, Astronomia e outros. Nesse período, preocupado com a didática, elaborou um manual de aritmética, que foi adotado por décadas nas escolas francesas, e um quadro mnemônico da História da França, que visou facilitar ao estudante memorizar as datas dos acontecimentos de maior expressão e as descobertas de cada reinado do país.

As matérias que lecionou como pedagogo são: Química, Matemática, Astronomia, Física, Fisiologia, Retórica, Anatomia Comparada e Francês.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

1559-Allan Kardec


Introdução

A humanidade ocidental dedicada aos estudos espirituais ou carente de informações relativas à espiritualidade deve a um cidadão francês o grande trabalho desta área, o maior dos trabalhos, semelhante ou superior ao que produziu Helena Blavatsky. Refiro-me a Allan Kardec, um dedicado professor que ofereceu os melhores anos de sua vida à pesquisa com espíritos e médiuns capaz de esclarecer o que para muitos não passava de um embuste, enquanto que, para outros, era objeto de show com objetivo financeiro.

Vamos dedicar esta série à vida e obra de Allan Kardec, mais ainda porque, se vivo fosse, neste mês de outubro de 2014, estaria ele completando110 anos de vida.

Muito se tem escrito, falado, novelizado, filmado sobre espíritos e vida espiritual, mas ninguém, tanto quanto Allan Kardec, foi a fundo, chamou equipes de médiuns, as fez trabalharem simultaneamente em locais distintos recebendo comunicações dos mesmos mentores espirituais, tudo com o objetivo de testar, efetivamente, se as mensagens eram as mesmas ou muito próximas umas das outras, criando, assim, o que se chama em pesquisa, de testemunha ou contraprova.

Uma das grandes mágoas ou decepção da comunidade espírita ao redor do planeta é quanto a Universidade, cujos recursos são imensos não só humanos como também materiais, metodológicos, e que ainda não se dignou realizar um trabalho em profundidade para corroborar com Kardec ou para desmenti-lo, frente à estonteante realidade de que a vida que conhecemos está ancorada noutra dimensão, totalmente energética. E quando se trata de energia, trata-se de conteúdos não religiosos e, portanto, do interesse acadêmico.

Hoje temos alguns trabalhos isolados, sem muito apoio financeiro e técnico, buscando sofregamente levar adiante o trabalho de Kardec, como é o caso do delegado paranaense de polícia, que vem demonstrando sistematicamente que ao reencarnar os espíritos levam consigo a mesma impressão digital que tinham na encarnação anterior. Veja, o leitor, este trabalho derruba todo e qualquer argumento contra a reencarnação. Comprova cientificamente a possibilidade de os espíritos retornarem a outro corpo algum tempo depois da morte do corpo anterior. Derruba o argumento que vem sendo repetidamente apresentado por aqueles que se opõem a esta ideia alegando que não existem provas convincentes disso. Mas, diante da clareza de um sistema datiloscópico o que resta para argumentar?

Nos anos passados, quando o sistema de identificação oficial não tomava as impressões digitais na identificação das pessoas, era impossível realizar uma pesquisa como esta. Agora, não. Os sistemas estão operando aproximadamente há um século e neste período muitos espíritos puderam ganhar uma nova chance de vida biológica. É o que tenta fazer e consegue o delegado João Alberto Fiorini, do Serviço de Identificação do Paraná. Ele vem sendo chamado a proferir palestras em seminários espiritualistas e à medida que o assunto se torna conhecido mais e mais casos vêm para a coleção do pesquisador.

O espiritismo não começou com Kardec e/ou Blavatsky, recebeu destes dois novos paladinos enormes contribuições. O espiritismo com este ou com qualquer outro nome é tema de muita gente há muitos milênios. Pitágoras, cinco séculos antes de Cristo, já tratava deste tema entre os pioneiros da filosofia grega.

Vamos conhecer o codificador e organizador do conhecimento espírita da modernidade?

Você vem conosco? Seja bem-vindo(a).

domingo, 28 de setembro de 2014

1558-Helena Petrovna Blavatsky


Sucessão e testamento
 
Helena Blavatsky faleceu 1891, em Londres. Após sua morte e a de Henry Steel Olcott, a liderança da Sociedade Teosófica foi entregue à discípula favorita de Blavatsky, Annie Besant, e a William Quan Judge. Seu corpo foi cremado e um terço das cinzas ficou na Europa, um terço foi para os Estados Unidos, levado por William Quan Judge, e o outro terço encontra-se na Sede Internacional da S.T., depositadas no interior de uma estátua dela.

Em seu testamento, Blavatsky pede aos teósofos que celebrem a data de seu falecimento como o Dia do Lótus Branco. Atendendo ao seu pedido, desde 1892, os membros da Sociedade Teosófica ao redor do mundo reúnem-se nesta data para homenageá-la.

OBRAS PUBLICADAS DE SUA AUTORIA:

Ísis Sem Véu, vol. I, II, III e IV (1877)

A Doutrina Secreta, vol. I, II, III, IV, V e VI (1888)

Glossário Teosófico (editado em 1892)

A Chave para a Teosofia (1889)

Ocultismo Prático

A Voz do Silêncio (1889)

No País das Montanhas Azuis

Pelas Grutas e Selvas do Hindustão

Cinco Anos de Teosofia (artigos da revista The Theosophist)

Gemas do Oriente (pensamentos para cada dia do ano)

Transações da Loja de Londres

Narrativas Fantásticas

O Dubar em Lahore (escrito em russo sob o pseudônimo de Radha-Bai)

Cartas de Blavatsky para as Convenções da Sociedade Teosófica nos EUA

As Obras Completas de Blavatsky (editada por Trevor Barker)

Estudos em Ocultismo

Cartas de Blavatsky para A.P. Sinnet

Cartas de Blavatsky para sua Família na Rússia

Cartas de Blavatsky para William Q. Judge

Sonhos

Programa Original da Sociedade Teosófica

sábado, 27 de setembro de 2014

1557-Helena Petrovna Blavatsky


Acusações de racismo contra a madame

Os críticos de Helena também a acusam de racismo, particularmente quando ela, ao escrever suas obras se refere a alguns grupos étnicos, os aborígenes australianos, por exemplo, como pertencendo a uma raça inferior, já que os identifica como "mestiços atlanto-lemurianos". Com relação aos semitas, particularmente, os árabes, diz que são "espiritualmente degenerados".

Para autores como Herrick, Penn e Newman, entre muitos outros, Blavatsky advogou uma filosofia racista a partir de suas ideias sobre a evolução do homem, que estavam possivelmente, segundo eles, influenciadas pela teoria da seleção natural esposada por Darwin e por argumentos derivados da linguística da sua época, que relacionavam complexidade de língua com nível evolutivo social. Seu conceito de evolução descrevia a sucessão cíclica de várias raças sobre a Terra desde tempos imemoriais, e dizia que a tendência geral era em direção a um constante aprimoramento das formas físicas e das capacidades morais e espirituais. Analisando o panorama presente da humanidade reconhecia que certas raças eram mais avançadas do que outras.

Na época em que viveu Helena, a ideia de superioridade racial não causava o espanto que aprendemos a sentir depois dos episódios proporcionados por Hitler e seus asseclas. De qualquer forma não fica claro se no seu esquema de evolução e avanço estivesse implícito o conceito de superioridade racial, mas ela foi acusada também disso.

Além do mais, aceitando que isso estava implícito naquela doutrina, como afirmam vários autores, parece haver-se perdido a perspectiva teleológica inerente à sua doutrina e esquecido de relacioná-la à sua crença concomitante na reencarnação. Para Blavatsky, todos os seres humanos estão de fato em estágios diferenciados de evolução, mas enquanto que os corpos mudam e evoluem, e a expressão exterior da divindade interna de cada um difere em dado momento, dizia categoricamente que os espíritos de todos são igualmente divinos, possuem uma idêntica dignidade e aguardam um destino glorioso idêntico.

O que mais importava para ela era a evolução da raça humana como um todo, e não suas diferenciações regionais exteriores, que são apenas como roupas usadas temporariamente por grupos de egos, de idades diferentes, para cumprir objetivos e desenvolver qualidades específicos.

Desta forma, as aparentes deficiências de certas raças, também explicava ela, são explicadas como fenômeno circunstancial e mesmo inescapável como parte de um processo evolutivo que não se limita a uma única encarnação, e não são um traço perene das individualidades divinas que habitam aqueles corpos. Um exemplo típico dessa visão é uma passagem da Doutrina Secreta dizendo que os africanos estão milênios atrás na evolução em relação aos europeus, mas que é tolice pensar em superioridade racial porque um dia, no curso dos séculos, quando os europeus tiverem sido varridos da face da Terra, os africanos serão o povo dominante, o que se insere em sua doutrina sobre os ciclos de nascimento, ascensão e queda de todas as culturas e civilizações.

O problema emerge, desta forma, da limitação da discussão ao âmbito biológico, o que reduz drasticamente a proposta original de Blavatsky, e da confusão entre personalidade mortal e individualidade eterna, levando à crença generalizada de que a vida presente é a única que as pessoas possuem. Dentro dessa perspectiva de uma única vida, naturalmente quaisquer distinções raciais se tornam relevantes, dando margem, como têm dado, a distorções de interpretação e ao uso de suas ideias por políticas totalitárias e eugênicas.

Goodrick-Clarke denunciou a conhecida apropriação de elementos teosóficos pelo nazismo como uma leitura tendenciosa e seletiva de trechos descontextualizados da obra de Blavatsky, e não considera legítima a responsabilização da Teosofia pelo desastre nazista, e Maroney a coloca contra o seu contexto histórico, quando o racismo era um lugar-comum, e diz que seria demais esperar que uma autora europeia do século XIX, por mais avançada que fosse, se furtasse inteiramente à influência da cultura de seu tempo.

Autores como Spring e Jayawardena, por outro lado, vão mais longe e discordam frontalmente das tentativas de se ler a teoria evolutiva e racial de Blavatsky como racista com o sentido que esta palavra tem hoje, e lembram que entre os objetivos fundamentais da Sociedade Teosófica, declarados em seus Três Princípios, está o de promover uma fraternidade universal sem distinção de sexo, credo, cor ou casta, e dizem que a atuação pública de Blavatsky e dos teosofistas em geral seguiu e tem seguido essas linhas.

Allan Kardec também faz referência ao atraso evolutivo dos indígenas, numa clara referência de que os espíritos nascem ingênuos, inocentes, ignorantes e são convidados a crescer sucessivamente reencarnação após reencarnação.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

1556-Helena Petrovna Blavatsky


O sofrimento da incompreensão
Como já informamos, Helena Petrovna Blavatsky nasceu na Ucrânia, no Império Russo, no dia 12 de Agosto de 1831. Casou aos 17 anos com um oficial do exército russo, de quem se separou meses depois.

Tendo-se interessado pelo ocultismo e espiritualismo, Helena Blavatsky viajou pela Europa, Estados Unidos e Ásia (sobretudo pela Índia e pelo Tibete). Na Índia terá, alegadamente, estudado sob a orientação de diversos mahatmas hindus.

Em 1873 viajou até Nova Iorque, onde conheceu H.S. Olcott, com quem fundou, entre outras obras, a Sociedade Teosófica (1875). Dois anos mais tarde, publicou “Ísis sem Véu”, o livro em que a autora critica a ciência e a religião, exaltando a experiência e a doutrina místicas como derradeiro meio para alcançar as verdadeiras perspectiva e autoridade espirituais.

Em 1879 viajou com Olcott para a Índia, onde estabeleceram com grande sucesso uma sucursal da Sociedade Teosófica e editaram o jornal da Sociedade, “O Teosófilo”. Na década de 1880, Helena Blavatsky é acusada pela imprensa indiana de forjar fenômenos espirituais, e em 1885 uma investigação da London Society for Physical Research declara-a uma fraude. Parte definitivamente da Índia para viver na Europa. É na capital britânica que escreve “A Voz do Silêncio” e “A Doutrina Secreta”, textos que continuam a debruçar-se sobre a Teosofia.
Morreu no dia 8 de Maio de 1891, em Londres. 
 
Blavatsky sofreu campanha acérrima dos inimigos da sua doutrina; difamações violentas, ataques a mão armada, e até um sinistro provocado a bordo do navio em que ela viajava para o Oriente. Sabe-se que no ano de 1870, ao atravessar o canal de Suez, explodiu a embarcação "onde a maior parte dos viajantes foi reduzida a poeira tão fina que nem se achou mais vestígio de seus cadáveres", J. Bergier, em livro publicado, disse “Desse ataque, madame Blavatsky escapou miraculosamente”.
Várias frentes decidiram lutar contra a fundadora da Sociedade Teosófica: ora o governo inglês, e consequentemente a polícia do vice-rei da Índia, ora os missionários protestantes; sem falar nos jesuítas. A Sociedade de Pesquisas Psíquicas, sediada em Londres, tinha na pessoa de Hodgson, vigoroso panfletista, um caluniador de Blavatsky; porém, E.S. Dutt provou a integridade moral da acusada, bem como a honestidade de seus propósitos. Dutt provou ainda a existência de uma conspiração, muito bem organizada para destruí-la. Logo no início do nosso século, surgem ainda duas obras contrárias ao valor da fundadora da Sociedade Teosófica: José Vasconcelos com “Estúdios Indoslânicos” e René Guénon com “Le Théosophisme - Histoire d'une Pseudo-religion”, respectivamente de 1923 e 1929.

Essas acusações, porém, iriam se arrebentar como o vidro de uma garrafa contra o rochedo impassível da evidência. Basta ler as respostas de G. R. Mead, Concerning H. P. B.; J. Ranson, Madame Blavatsky Occultist; F. Arundale, My Guest H. P. B.; W. Kingsland, La Verdadera H. P. Blavatsky; A. L. Cleather, H. P. Blavatsky, as I Kn.ew Her e., principalmente, a documentada e volumosa obra de Mario Roso de Luna, “Una Mártir dei Siglo XIX, Helena Petrovna Blavatsky”. São estudos criteriosos, desapaixonados, que convergem unanimemente à consagração de uma consciente missionária da Teosofia, da qual foi pioneira no Ocidente.

A Sociedade para a Pesquisa Psíquica (SPP) em Londres (London Society for Psychical Research) criou um comitê especial para investigar Madame Blavatsky. Em dezembro de 1884, Richard Hodgson, um membro do comitê da S.P.P. chegou à Índia para investigar e preparar um relatório sobre as alegações dos Coulomb. Baseado no relatório Hodgson, o comitê da S.P.P., em um relatório final em 1885, acusou Madame Blavatsky como "uma das maiores impostoras da história”.

Segundo testemunhas da época, Blavatsky trabalhava incessantemente em seus projetos, mesmo com sua saúde seriamente abalada. Seu trabalho pode ser visto na monumental obra “A Doutrina Secreta”. Nesta obra ela inclui mais de 2.000 citações, com indicações precisas de páginas e autores, relacionadas a livros que ela não poderia ter lido, pelo menos diretamente. Outro exemplo de seu extenso trabalho e dedicação é o livro “Ísis Sem Véu”, com mais de 1.300 páginas.
Várias testemunhas afirmam que sua biblioteca, que a acompanhava nas viagens, se limitava a poucos dicionários de inglês.

Segundo o crítico inglês William Emmett Coleman, para escrever “Isis sem Véu”, Blavatsky precisaria ter estudado 1.400 livros, o que seria impossível para alguém que viajava constantemente com uma pequena quantidade de livros em sua biblioteca pessoal. Além disso, se Blavatsky tivesse lido todos os livros (muitos deles disponíveis somente em alguns museus ou bibliotecas longínquas) dos quais cita trechos in verbatim durante seus livros, teria levado várias vidas para concluir a leitura.

Madame Blavatsky explicava que escreveu tanto “Ísis Sem Véu” quanto a “Doutrina Secreta” com a ajuda dos Mahatmas, que certas vezes transferiam suas consciências para o corpo físico de HPB, em um processo chamado “tulku” – hoje conhecido como bilocação de consciência.

Blavatsky afirma que tal processo, na concepção teosófica, não seria mediúnico, uma vez que os Mahatmas não seriam espíritos dos mortos, mas seres humanos em corpos físicos. Ainda segundo ela própria, algumas cenas e citações lhes eram mostradas clarividentemente através da luz astral, outras vezes, enquanto dormia, páginas inteiras eram precipitadas em sua própria letra, ou cartas dos Mestres se materializavam em papéis.

Esses fatos contribuíram fortemente para que Blavatsky fosse tomada como uma farsante. Mas, ela teve de enfrentar também outras acusações, como veremos.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

1555-Helena Petrovna Blavatsky


Uma doutrina nem tão secreta

A DOUTRINA SECRETA se define por seu próprio título. Mas, era um título apropriado para o momento de sua edição. Expõe "não a Doutrina Secreta em sua totalidade, mas um número selecionado de fragmentos dos seus princípios fundamentais".

1) Mostra: que é possível obter uma percepção das verdades universais, mediante o estudo comparativo da Cosmogonia dos antigos;

2) Proporciona o fio que conduz à decifração da verdadeira história das raças humanas;

3) Levanta o véu da alegoria e do simbolismo para revelar a beleza da Verdade; 

4) Apresenta ao intelecto ávido, à intuição e à percepção espiritual os "segredos" científicos (até então desconhecidos da maioria) do Universo, para sua compreensão. Segredos que continuarão como tais enquanto não forem entendidos.

H. P. B. faleceu a 8 de maio de 1891, deixando à posteridade o grande legado de alguns pensamentos dos mais sublimes que o mundo já conheceu. Ela abriu as portas, há tanto tempo cerradas, dos Mistérios; revelou, uma vez mais, a verdade sobre o Homem e a Natureza; deu testemunho da presença, na Terra, da Hierarquia Oculta que vela e guia o mundo. Ela é reverenciada por muitos milhares de pessoas, porque foi e é um farol que ilumina o caminho para as alturas a que todos devem ascender.

Fonte: Do livro: A Doutrina Secreta, Ed. Pensamento, São Paulo 1973, Volume I.

Ela também se relacionou com as lideranças do Espiritismo. Suas relações com o Espiritismo evoluíram de um agudo interesse e envolvimento inicial para uma posterior rejeição. De início considerou essa prática como de grande valor para a comprovação da existência do mundo invisível dos espíritos, como base de sua luta contra o materialismo e ceticismo da Ciência. Como já se viu, ela fundara uma sociedade espírita no Egito, e nos Estados Unidos se envolveu ativamente com vários médiuns, produziu vários fenômenos e gerou acesa polêmica, mas finalmente acabou vendo este método como excessivamente passivo e descontrolado, como um recurso limitado e pouco fiável para a investigação profunda do mundo espiritual, e demasiado sujeito a manipulações, fraudes voluntárias e equívocos involuntários. Preferiu se voltar então para uma disciplina rigorosa, ensinada pelos seus mestres, de treinamento da vontade e das capacidades psíquicas, para que fossem postas sob o completo domínio da pessoa. Assim, declarou que o contato com os espíritos e os fenômenos psíquicos, mesmo sendo um fato, não tinham grande valor em si, e era infinitamente preferível o aperfeiçoamento através do serviço altruísta que levasse finalmente a uma comunhão com os verdadeiros mestres de sabedoria, e não uma prática de psiquismo vulgar de contato com os mortos comuns, que não possuem maior conhecimento ou poder, ou com os vários tipos de espíritos da natureza, cuja principal diversão é enganar com seus poderes ilusionistas e telepáticos os médiuns e sua crédula assistência, entidades que ela disse serem as principais responsáveis pelas manifestações em sessões mediúnicas ordinárias, sendo raros os guias espirituais que mereçam este nome.

Helena desenvolveu uma doutrina intermediária entre o espiritismo, o hinduísmo e o budismo.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

1554-Helena Petrovna Blavatsky


Uma Associação Espiritual

Quando Helena Petrovna Blavatsky foi "enviada" aos Estados Unidos, um de seus objetivos mais importantes consistiu em fundar uma associação, que foi formada sob a denominação de THE THEOSOPHICAL SOCIETY (Sociedade Teosófica), "para pesquisas e difundir o conhecimento das leis que governam o Universo". A Sociedade apelou para a "fraternal cooperação de todos os que pudessem compreender o seu campo de ação e simpatizassem com os objetivos que ditaram a sua organização" Essa "fraterna cooperação" tornou-se a primeira das Três Metas do trabalho da Sociedade, as quais foram durante muitos anos enunciadas nestes termos:

Formar um núcleo de Fraternidade Universal na Humanidade, sem distinção de raça, credo, sexo, casta ou cor. 

Fomentar o estudo comparativo das Religiões, Filosofias e Ciências. 

Investigar as leis inexplicáveis da Natureza e os poderes latentes do homem.

Foi recomendado à Senhora Blavatsky que persuadisse o Coronel Henry Steel Olcott a cooperar com ela na formação da Sociedade. Era um homem altamente conceituado e muito conhecido na vida pública da América, e tanto ele como H. P. B. tudo sacrificaram em prol da realização da tarefa que os Mestres lhes haviam confiado.

Ambos foram para a Índia em 1879, e ali construíram os primeiros e sólidos alicerces do seu trabalho. A Sociedade expandiu-se rapidamente de país em país; sua afirmação de serviço pró-humanidade, a amplitude de seu programa, a clareza e a lógica de sua filosofia e a inspiração de sua orientação espiritual ecoaram de modo convincente em muitos homens e mulheres que lhe deram o mais firme apoio. H. P. B. foi investida pelos Mestres com a responsabilidade de apresentar ao mundo a Doutrina Secreta ou Teosofia: ela era a instrutora por excelência; ao Coronel Olcott (que também era advogado) foi delegada a incumbência de organizar a Sociedade, o que ele fez com notável eficiência.

Como era natural, esses dois pioneiros encontraram a oposição e a incompreensão de muita gente; especialmente H. P. B. Mas ela estava preparada para o sacrifício. Como escreveu no Prefácio de A DOUTRINA SECRETA: "Estou acostumada às injúrias, e em contato diário com a calúnia; e encaro a maledicência com um sorriso de silencioso desdém".

A fase mais brilhante e produtiva de H. P. B. foi, talvez, a que se passou na Inglaterra entre os anos de 1887 e 1891. Os efeitos do injusto Relatório da "Sociedade de Investigações Psíquicas" (1885) acerca dos fenômenos que ela produzia, assim como os dos ataques desfechados pelos missionários cristãos da Índia, já haviam em parte desaparecido. Ao seu incessante labor de escrever, editar e atender à correspondência, somava-se a tarefa de formar e instruir discípulos capazes de dar prosseguimento à sua obra. Para este fim, organizou, com a aprovação oficial do Presidente (Coronel Olcott), a Seção Esotérica da Sociedade Teosófica. Em 1890 contava-se em mais de um milhar o número de membros que se achavam sob a sua direção em muitos países.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

1553-Helena Petrovna Blavatsky


Um ganho de popularidade

Em 1873, H. P. Blavatsky viajou para os Estados Unidos da América a fim de trabalhar na missão para a qual fora preparada. E assim ganhou projeção.

A alguém de menos coragem a tarefa havia de parecer impossível. Mas ela, uma russa desconhecida, irrompeu no movimento espiritualista, que então empolgava tão profundamente a América e, em menor escala, muitos outros países.

Os espíritos científicos ansiavam por descobrir o significado dos estranhos fenômenos, e se defrontavam com dificuldades para abrir caminho em meio às numerosas fraudes e mistificações. De duas maneiras tentou H. P. B. explicá-los: (1) pela demonstração prática de seus próprios poderes; e (2) afirmando que havia uma ciência antiquíssima das mais profundas leis da vida, estudada e preservada por aqueles que podiam usá-la com segurança e no sentido do bem, seres que em suas mais altas categorias recebiam a denominação de "Mestres", embora outros títulos também lhes fossem conferidos, como os de Adeptos, Chohans, Irmãos Mais Velhos, Hierarquia Oculta, etc.

Para ilustrar suas afirmações, H. P. B. escreveu Isis Unveiled (Isis sem Véu), em 1877, e The Secret Doctrine (A Doutrina Secreta), em 1888, obras ambas "ditadas" a ela pelos Mestres. Em “Isis sem Véu” lançou o peso da evidência colhida em todas as Escrituras do mundo e em outros anais contra a ortodoxia religiosa, o materialismo científico e a fé cega, o ceticismo e a ignorância. Foi recebida com agravos e injúrias, mas não deixou de impressionar e esclarecer o pensamento mundial.

É importante destacar como os médiuns ganham notoriedade, como foi o caso de Helena: o mais comum é pela reação contrária aos seus trabalhos, pelas críticas, pelas denúncias, pelas perseguições sofridas e, obviamente, pela divulgação que essas contrariedades recebem através da mídia. Mas, também é destacável, que a notoriedade alcança, geralmente, médiuns com inserção nas classes sociais mais elevadas. A sociedade está recheada de excelentes médiuns atuando nas camadas mais pobres das populações, sem grande visibilidade midiática e que acabam desencarnando sem merecer as manchetes. Esta também é a razão porque quando se reconhece um personagem reencarnado, este, geralmente, se encontra inserido nas classes mais elevadas da sociedade de onde, do mesmo modo, o assunto ganha notoriedade. No entanto, são aos milhares os reencarnantes anônimos que ocupam corpos de artesãos, pedreiros, professores, motoristas, policiais, pequenos comerciantes, trabalhadores em geral, que nunca serão reconhecidos por suas vidas passadas porque as suas vidas atuais não têm notoriedade.

Se Helena não fosse uma Hahn, casada com um Blavatsky e sim uma operária ou camponesa russa, certamente não seria menos capaz em sua mediunidade, mas certamente também, ninguém teria tomado conhecimento de seus pendores além dos próprios familiares e vizinhos. Ou quem sabe, mal compreendida, seria podada e enrustida para sempre.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

1552-Helena Petrovna Blavatsky


Agora a senhora Blavatsky                                 

 
A natureza de Helena estava fortemente impregnada de uma inata capacidade psíquica, de tal modo que constituía sua característica predominante. Ela se dizia (e o demonstrava) dotada da faculdade de comunicar-se com os habitantes de outras esferas ou mundos invisíveis e sutis, e com os entes humanos que consideramos "mortos". Essa potencialidade natural foi posteriormente disciplinada e desenvolvida. Sua educação recebeu a influência da posição social da família e dos fatores culturais então imperantes. Assim, ela era hábil poliglota e tinha excelentes conhecimentos musicais; de sua erudita avó herdou o senso científico e a experiência; e partilhava dos pendores literários que pareciam correr nas veias da família.

Em 1848, com a idade de 17 anos, Helena contraiu matrimônio com o general Nicephoro V. Blavatsky, governador da província de Erivan, que era um homem já entrado em anos. Existem muitas versões sobre a razão desse casamento; que não foi do seu agrado, ela o demonstrou desde o primeiro momento. Após três meses, abandonou o marido e fugiu para a casa da família, que a encaminhou ao pai. Receando ser obrigada a voltar para o general Blavatsky, tornou a fugir; e durante vários anos correu o mundo em viagens cheias de aventuras. O pai conseguiu comunicar-se com ela e fez-lhe remessa de dinheiro. Ao que parece, manteve-se ela ausente da Rússia o tempo suficiente para poder legalizar a sua separação do marido.

Em 1851 Helena, enquanto senhora Blavatsky ou H. P. B., teve o seu primeiro encontro físico com o Mestre, o Irmão Mais Velho ou Adepto, que fora sempre o seu protetor e a havia preservado de sérios perigos em suas irrequietas travessuras da infância. Pouco se sabe sobre ele, mas é dado como um Mestre Oriental de Rajput, de nome Morya. A partir desse momento, passou ela a ser a sua fiel discípula, obedecendo-lhe inteiramente à influência e diretiva.

Sob a orientação do Mestre Morya, aprendeu a controlar e dirigir as forças a que estava submetida em razão de sua natureza excepcional. Essa orientação conduziu-a através de várias e extraordinárias experiências nos domínios da "magia" e do ocultismo. Aprendeu a receber mensagens dos Mestres e a transmiti-Ias aos seus destinatários, bem como a enfrentar valentemente todos os riscos e incompreensões no seu caminho.

Seguir o rastro de suas peregrinações durante o período desse aprendizado é vê-Ia em constante atividade pelo mundo inteiro. Parte do tempo ela passou nas regiões do Himalaia, estudando em mosteiros onde se conservam os ensinamentos de alguns dos Mestres mais esclarecidos e espirituais do passado. Estudou a Vida e as Leis dos mundos ocultos, assim corno as regras que devem ser cumpridas para o acesso a eles. Como testemunho desse estágio de sua educação esotérica, deixou-nos uma primorosa versão de axiomas espirituais em seu livro The Voice of Silence (A Voz do Silêncio).

domingo, 21 de setembro de 2014

1551-Helena Petrovna Blavatsky


Uma mulher de linhagem nobre

Helena Petrovna nasceu de sobrenome Hahn, prematuramente, à meia-noite de 30 para 31 de julho (12 de agosto pelo calendário russo) de 1831, em Ekaterinoslav, na província do mesmo nome, ao sul da Rússia. Tão estranhos foram os incidentes ocorridos na hora do seu nascimento e por ocasião do seu batismo, que os serviçais da família lhe predisseram uma existência cheia de tribulações.

Helena foi uma criança voluntariosa, oriunda de uma linhagem tradicional de homens e mulheres influentes e poderosos. A história dos seus antepassados é a história mesma da Rússia.

Séculos atrás, os nômades eslavos erravam através da Europa central e oriental. Tinham formas de governo próprias; mas, quando se estabeleceram em Novgorod, fracionaram-se em feudos, que se digladiavam entre si, não sendo possível chegarem a uma conciliação. Por isso, chamaram em seu auxílio um mediador (Rurik (862 d.C.), chefe de uma das tribos errantes de "Russ", homens do Norte ou escandinavos, que andavam à cata de mercado e procurando estender o seu domínio. Rurik veio e organizou em Novgorod o primeiro governo civil, que se constituiu em um centro opulento de comércio com o Oriente e o Ocidente. Foi ele o primeiro soberano e reinou pelo espaço de quinze anos. Durante sua vida, seu filho Igor e seu sobrinho Oleg consolidaram seu domínio no Oeste e no Sul.

Foi assim se chegou à importante cidade de Kiev; graças ao principado fundado por Rurik e seus descendentes.

Kiev tornou-se um grande Principado, e aquele que o governava era virtualmente o soberano da Rússia. Isso, de certa forma, nos leva a entender as raízes dos conflitos de 2014 entre Ucrânia e Rússia.

Ao longo dos séculos, os descendentes de Rurik ampliaram as suas conquistas e a sua autoridade sobre todo o país. Vladimir I (1015) escolheu o Cristianismo como religião do seu povo, e o chamado "paganismo" desapareceu. Yaroslav, o Sábio (1034), elaborou Códigos e os "Direitos Russos". O sexto filho de Vladimir XI (1113-24) foi Yuri, o ambicioso ou "dolgoroukiy", cujas biografias estão à disposição na Internet.

Este apelido persistiu como título de família, algo como designação de nobreza. Yuri fundou Moscou, e sua dinastia deu origem aos poderosos Grão-Duques, cujos governos se caracterizaram por lutas violentas entre eles próprios. As hordas mong6is, em 1224, tiraram partido das divergências e sujeitaram os grupos turbulentos que se rivalizavam em sua sede de poder e posição. Mas Ivan III, um Dolgoroukiy, libertou-se, em 1480, do jugo mongol; e Ivan IV exigiu ser coroado Czar da Rússia, arrogando-se a autoridade suprema. Com a morte de seu filho terminou a longa e brilhante dinastia dos Dolgoroukiy. Mas a família ainda exercia influência nos dias dos Romanoff, até a morte da avó da Senhora Blavatsky, a talentosa e culta Princesa Elena Dolgoroukiy, que se casou com André Mikaelovitch Fadeef, o "mais velho" da linhagem Dolgoroukiy, da qual os Czares Romanoff eram considerados um dos ramos "mais novos".

Vê-se, pois, que a família de Helena pertencia à classe superior, na Rússia, com tradição e dignidade a preservar, sendo conhecida em toda a Europa. Helena era uma rebelde, e desde a infância sempre manifestou desprezo pelas convenções, o que não a impedia de compreender que as suas ações não deviam molestar a família, nem lhe ferir a honra. Seu pai, o Capitão Peter Hahn, descendia de velha estirpe dos Cruzados de Mecklemburg, os Rottenstern Hahn. Em virtude de, aos onze anos de idade, haver perdido a mãe, mulher inteligente e devotada à literatura, Helena passou a adolescência em companhia de seus avós, os Fadeef, em um antigo e vasto solar de Saratov, que abrigava, muitos membros da família e grande número de criados e servidores (seu avô Fadeef era governador da província de Saratov).

Descendente de pessoas influentes nas áreas da administração pública e das forças armadas e, portanto, com larga ficha pregressa de decisões que envolvem os destinos de muita gente no bem e no mal, Helena Blavatsky destoava deste padrão e sempre mais longe dos centros de poder, preferia a natureza, os estudos místicos. Era, com certeza, um espírito experimentado na liderança de grupos sociais e viria a liderar novamente no plano espiritual a caminho de sua maioridade espiritual.

sábado, 20 de setembro de 2014

1550-Helena Petrovna Blavatsky


Introdução

Em círculos restritos de iniciados, em todo o mundo, sempre se lidou com assuntos espirituais, a vida após a morte e os mistérios divinais. Mas houve um apagão na Idade Média, que coincidiu com o período mais obscuro da humanidade e com todo o fervor dos fanatismos. Até um tribunal para julgar e condenar à morte os hereges (isto é, não alinhados) foi organizado e comandado pela Igreja que pretendia ser a única e verdadeira.

Após o encerramento das atividades do Tribunal de Inquisição ou Santo Ofício, também conhecido apenas por Inquisição, o que ocorreu com variação de data de país para país, podendo-se afirmar que ocorreu entre o final do século XII até cerca de 1840, o mundo ocidental experimentou um espantoso crescimento na divulgação da temática espiritual, que estava engavetada. Antes desse ocaso, qualquer pessoa cristã que fosse acusada de bruxaria e também do que se chamava heresia, era processada pelo Tribunal e poderia vir a ser executada, normalmente queimada em praça pública.

Vêm desse período de, mais ou menos (1840), como dissemos, os trabalhos espirituais mais conhecidos, que são as obras de Allan Kardec e de Helena Petrovna Blavtsky.
Antes desse tempo já nas obras de alguns pensadores orientais e gregos a temática espiritual era de relevante importância e até com certa popularidade. O incêndio da biblioteca de Alexandria (sec. VI d.C.) deve ter consumido muita coisa não só desta área.

A humanidade sempre teve a caminhar ao lado de sua marcha, os chamados gurus. Ora era Zaratustra, ora Confúcio, ora Lao Tsé, ora Pitágoras, ora Gandhi, ora Krishnamurti, ora Raum Sol e todos eles com conteúdos ligados à espiritualidade. As próprias doutrinas de Sidarta Gautama (o Buda) e de Maomé (Islã) são profundamente espirituais. O que hoje acontece com o islã de Maomé – dos muçulmanos – é que ele está muito distante do que ensinou o profeta do povo árabe.  

O Ocidente acabou prejudicado pela dominância da Igreja de Roma, com o veto à espiritualidade ensinada por Jesus, desconhecida dos líderes romanos, que não tinham nenhuma queda por estas coisas. E o materialismo extremo dos especialistas e conquistadores romanos acabou por impregnar a igreja romana, dita cristã, mas não cristã na essência. Os movimentos empreendidos pelos Jesuítas na América, conquistando territórios indígenas, construindo igrejas católicas, ensinando línguas europeias aos índios e os obrigando a viver como se fossem europeus, nada mais foi do que a repetição das incursões dos exércitos romanos sobre os povos conquistados.

Esta série deseja abordar um dos respeitáveis trabalhos espirituais do tempo pós Inquisição, no caso, o trabalho de Helena Blavatsky, para que os leitores tenham a oportunidade, não só de conhecer o trabalho dela, mas também de conhecer a ela própria.

Você nos acompanha? Seja bem-vindo(a).

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

1549-Religiões, fanatismo e espiritualidade


Um povo escolhido espiritualmente

Um Grande Plano Espiritual para a conversão da Terra precisava ser elaborado e posto em prática no momento certo, em situação ideal. Este plano esperou que os filósofos gregos acabassem suas propostas e que Alexandria marcasse com tanto impacto os últimos duzentos anos que antecederam o fato central e optou pelos judeus, cuja história é um rosário de acertos, erros, derrotas, vitórias, porém com espiritualismo, fé, persistência e determinação. Havia chegado o momento. Este povo escolhido para exemplo, para espelho, para testemunha e não como eleito por Deus como povo exclusivo desse mesmo Deus, como equivocadamente entenderam os patriarcas hebreus. Esta foi a errônea interpretação das lideranças religiosas judaicas ocorrida, já, desde antes da passagem de Cristo pelo corpo de Jesus. Ser escolhido para uma experiência, uma demonstração, não dá direito a outorgar-se como único povo escolhido.

Olhemos para trás e vejamos o quanto de maldade, mortandade, falsidade, desamor, traição, ambição, orgulho, fanatismo estão registrados na história humana, que nem poderia ser chamada de humana e muito menos de animal, pois o animal não chega a tanto e nem o homem deveria chegar. O planeta abrigou e ainda abriga os últimos (são muitos, porém) exemplares perversos da raça humana de víboras, como denunciou Cristo.

A escolha divina para o choque de humanidade na Terra poderia ter recaído em outro território e outra cultura, num chinês, num coreano, num indiano ou africano, russo ou japonês, mas a repercussão teria sido pífia. A escolha centrou-se no povo judeu e tendo um judeu no centro dos acontecimentos.

De outra forma, mais da metade dos habitantes do planeta não teriam conhecimento do que se passou: a cultura dessas outras nações mencionadas era fechada e fechada permaneceu até que se abrisse o processo de globalização da economia, vindo com ela a globalização cultural. Isso, já, em torno de 1980 de nossa era. Mas, quase 100% da população universal tomou e toma conhecimento da existência dos judeus e de Jesus. Judeus que também foram bárbaros nas suas relações com outros povos e que, em contrapartida, enfrentaram as barbaridades de outros povos contra sua nação. A sua escolha não foi, propriamente por seu bom comportamento, mas pelo alcance de suas relações com os povos do planeta.

Ali teria de nascer o homem portador do Espírito Superior de Cristo, o grande comandante da revolução terrena. E nem podia ele declarar-se adversário da cultura judaica, pois geneticamente era um judeu. Mas, disse: “não vim revogar as leis e os profetas, mas sim dar-lhes cumprimento”.

O restante desta história é conhecido de todos. O Cristo foi negado pelos judeus, temido pelos romanos e combatidos foram os seus seguidores, tudo dentro de um plano de mais longo prazo, que apenas estava começando. A ira que se volta hoje entre judeus e palestinos e os desvios da Igreja de Roma em relação à proposta de Cristo, tudo anda na mesma marcha para colimar-se, se não pelo bom exemplo de trégua e entendimento, com certeza pelo mau exemplo de como não devem ser as relações entre povos da mesma origem e tradição.

O impacto de Cristo tinha de ser com uma política de choque. Esses povos que ainda brigam ali no Oriente Médio têm de reconhecer a Proposta de Cristo e enquanto não a fizerem estarão se matando com base na lei do talião: “olho por olho dente por dente”. No momento em que judeus e muçulmanos entenderem que sua fé pode andar sem a guerra e que o amor entre primos precisa ser resgatado, a guerra acabará, o ódio cessará e a região dará um gigantesco exemplo de reconciliação para o mundo, como queria Cristo. Vocês já perceberam que 90% dos conflitos mais recentes tiveram a participação ou de judeus, ou de muçulmanos, ou dos dois?

Quando estes se derem as mãos, a missão dos judeus terá acabado quanto ao Plano de Deus para eles. Será uma conquista suada, marcada pelo sangue derramado, mas é, justamente, esse tipo de conquista que não tem recuo. Cristo não quer maquiagem, quer a reforma por inteiro. Ele mesmo disse: “não vim trazer a paz, vim trazer a espada”. Entenda-se por espada, a justiça.

E não pensem que Jesus esteja pedindo a judeus e muçulmanos sua filiação ao cristianismo. Não, nunca, principalmente não a este cristianismo mascarado que temos. Mas, sim ao Amor. Filiação à Lei do Amor. A religião não serve para nada. O fanatismo só leva à guerra. A espiritualidade através do Caminho do Amor é que marcará a passagem da Terra do estágio velho para o estágio novo.

Quando o ser humano se descobre como ser espiritual, sujeito a retornar numa reencarnação como filho ou pai de seu desafeto atual – acertos que são costurados nos planos astrais – vai pensar mil vezes antes de jogar bombas ou pedras no adversário ou concorrente. Pelo contrário, vai compor com ele um pacto de coexistência enquanto caminham sob o Sol.

Os chamados foram todos, escolhidos foram os judeus. Não entenderam ainda o chamado. Mas, estamos a um passo disso. Todos os judeus que já não estão mais no Oriente Médio e não comandam organizações que se beneficiam com as guerras, já se encontram de mãos dadas com outros povos, inclusive de descendência árabe e de fé muçulmana. A conversão aguardada está inteiramente nas mãos dos israelenses.

E ela virá. Mais breve do que se pode imaginar.

Fim da série.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

1548-Religiões, fanatismo e espiritualidade

 
Enfim (?), a pátria judaica
 
Entre 1941 e 1945 matar judeus foi a grande prioridade para Adolf Hitler e seus asseclas, assim como ganhar a Segunda Guerra Mundial. A partir de 15 de setembro de 1941, a população judaica com mais de seis anos de idade passa a estar facilmente identificável com a obrigatoriedade de usar a Estrela de David amarela com a palavra JUDE escrita no meio, sob pena de execução. Torna-se ainda obrigatório acrescentar ao nome próprio os nomes Sarah (para as mulheres) ou Israel (para os homens). Para alguns judeus, tais fatos constituíram motivo de orgulho.
 
Começam a ser criados campos de concentração, inicialmente para opositores ao regime. O objetivo de Hitler era exterminar fisicamente os judeus da Europa. No entanto, antes de proceder à solução final queria humilhá-los e torturá-los. Auschwitz foi o maior campo de concentração, onde pereceram cerca de um milhão e meio de judeus. À entrada do campo estava escrito Arbeit macht frei [O trabalho liberta], numa tentativa cínica para convencer os prisioneiros que não havia más intenções para com eles. Após a entrada no campo, os judeus eram alinhados e selecionados por médicos, tendo sido o mais famoso Joseph Mengele. Para o lado esquerdo, seguiam velhos, crianças e jovens até aos quinze anos, e debilitados. Iam diretamente para a câmara de gás. Em minutos, pessoas eram sufocadas até à morte, na maior das agonias, uma vez que era usado o mínimo de gás suficiente para matar. Depois cremavam-se as pessoas mortas.
 
Dos seis milhões de judeus que pereceram no Holocausto, talvez Anne Frank seja a mais famosa. Anne era uma jovem que vivia em Amesterdan quando os nazis invadiram a Holanda. Em 1942, quando começaram as deportações, a família Frank escondeu-se num anexo de várias salas de um armazém que pertencia à firma onde trabalhava o seu pai Otto. Durante este período, Anne escreveu o seu diário que, publicado após a guerra (1947), comoveu o mundo. A 4 de agosto de 1944, o esconderijo foi descoberto e os habitantes enviados para campos de concentração. Anne morreu em março de 1945 em Bergen-Belsen.
Na primavera de 1945, os Aliados atacam pontos estratégicos alemães. Os russos ocupam Viena a 13 de abril. O passo seguinte foi conquistar Berlim. A 25 de abril, a cidade foi cercada. Dois dias mais tarde, Hitler e a sua mulher Eva Braun suicidam-se. Finalmente, a 8 de maio de 1945, termina a guerra na Europa. O capricho de Hitler foi pago com mais de 6 milhões de judeus, mais de 3 milhões de soldados, mais de 2 milhões de mutilados, mais de meio milhão de vítimas de bombardeamentos, mais de quatro milhões de mortos, e mais de 16 milhões de refugiados.
 
Quando foi criado o Estado de Israel, em 1948, foi decidido que ali seria construído o maior museu sobre o Shoah:Yad Vashem. O museu está situado junto ao Monte Herzl, onde está sepultado Theodor Herzl, fundador do Sionismo. O nome Yad Vashem significa "uma mão [ou monumento] e um nome" e foi inspirado em Isaías 56:5, onde o profeta assegura que os Judeus sem filhos não serão esquecidos nas gerações vindouras.
 
O museu contém imensas fotos que documentam o Holocausto, assim como extensa bibliografia. Circunda o museu um jardim, conhecido como Avenida dos Justos, onde são homenageados gentios que albergaram judeus durante a barbárie do nacional-socialismo. Apesar de tudo, e ainda que em casos isolados, subsistiu alguma humanidade entre os dois povos.
 
E aí os judeus que desejassem começaram a voltar para sua pátria (Israel) e tem início as desavenças com os palestinos. Que será tema para outra série. Mas, é preciso acrescentar: a questão não se restringe apenas ao espaço geográfico, foi levada ao extremo religioso do fanatismo interminável.
 
A 29 de novembro de 1947, uma votação na ONU concede uma pequena parcela de território na Palestina para a formação do Estado de Israel. Este é fundado oficialmente a 14 de maio do ano seguinte com a designação de Medinat Israel [Estado de Israel]. É adotado como hino a canção Hatikwah [A esperança], que, tal como o nome indica, canta a esperança do povo judeu em viver um dia na terra de Israel. No dia seguinte à sua fundação, Israel é invadida por exércitos do Egito, Síria, Jordânia, Líbano, Iraque e Arábia Saudita. Israel nasceu no conflito, que subsiste até ao dia de hoje, embora haja tentativas de estabelecer um processo de paz, que vai evoluindo lentamente e com alguns retrocessos. Falta credibilidade para os negociadores. A Pátria Judaica parece ainda não consolidada. Não por culpa de seus ocupantes, mas pela instabilidade oferecida pelos seus vizinhos.