quarta-feira, 3 de setembro de 2014

1533-Conhecimento condicionado


Mas, houve(?) riqueza

Novamente a História Oficial (escrita com o sangue dos derrotados) registra que a partir das Cruzadas, a mudança mais visível na Europa ocidental ficou conhecida pelo nome de Renascimento Comercial, Urbano, Cultural. Significou o desenvolvimento do comércio e das cidades, que tinham tido pouca importância durante os séculos anteriores e alguns avanços no modo tempestuoso e intolerante da cultura, principalmente religiosa.

O comércio, ainda incipiente, era praticado nas feiras que se realizavam nas vilas ou perto dos castelos e outros lugares fortificados. Inicialmente periódicas, as feiras tornaram-se permanentes, propiciando o aparecimento de núcleos urbanos, os chamados burgos.

A partir dos burgos, desenvolveram-se novas cidades, ao mesmo tempo que ganharam vida as mais antigas, que não haviam desaparecido por completo.

As cidades atraíam cada vez mais artesãos, que nelas se fixavam para viver de seu ofício. Atraíam também servos camponeses que buscavam as cidades para tentar vender seus excedentes agrícolas ou para viver como trabalhadores livres. Atraíam, ainda, comerciantes de sal, de ferro (este utilizado pelos ferreiros para produzir ferramentas e de inúmeras outras mercadorias, inclusive aquela que se aplica aos cascos dos cavalos para proteger-lhes nos deslocamentos sobre terrenos pedregosos).

E vieram as moedas, já, então, cunhadas. As atividades comerciais restabeleceram o uso regular da moeda. Logo, diferentes moedas circulavam nas feiras e nos núcleos urbanos, provenientes de vários feudos e regiões da Europa. Essa variedade criou a necessidade do câmbio, isto é, da troca de moedas. Os que se dedicavam a ele eram chamados de cambistas, precursores dos bancos e das agências especializadas.

Por meio da cobrança de algumas taxas estes cambistas realizavam atividades típicas dos bancos atuais, como empréstimos, câmbio, emissão de títulos e pagamento de dívidas, atividades que mostramos em outra série exercidas pelos Templários, aliás, poderosa organização nascida, também, durante as Cruzadas.

Tais cambistas proporcionavam assim maior estabilidade às trocas comerciais, pois livraram os comerciantes dos transportes de altos valores, em uma época em que as rotas de comércio ainda não ofereciam segurança aos mercadores.

Não era diferente dentro dos burgos, com a burguesia – nome daí derivado e representando uma aristocracia desocupada que vivia à sombra de quem trabalhava graças ao que ficou conhecida pejorativamente por burocracia.

As cidades que se formaram ao pé das fortificações estavam estreitamente vinculadas aos senhores feudais. Esses nobres, proprietários das terras onde ficavam os burgos, cobravam pesadas taxas daqueles que os habitavam. No início, toda a população do burgo chamava-se burguesia, mas posteriormente esse termo passou a designar apenas comerciantes, banqueiros e alguns artesãos enriquecidos e os burocratas.

Com o aumento do comércio e o fortalecimento da burguesia, alguns desses burgos obtiveram pacificamente autorização para negociar sem pagar aos senhores nenhuma tributação. Muitos, porém, tiveram de lutar, unindo-se aos reis, a fim de conseguir dos senhores feudais a licença (franquia) para efetuar suas atividades nas cidades.

Aqui entram as corporações de ofício, de onde se diz ter origem a Maçonaria operativa, hoje especulativa e simbólica. As corporações de ofício foram associações que surgiram na Idade Média, a partir do século XII, para regulamentar o processo produtivo artesanal nas cidades que contavam com mais de 10 mil habitantes. Cada corporação agregava pessoas que exerciam o mesmo ofício. Eram elas as responsáveis por determinar preços, qualidade, quantidades da produção, margem de lucro, o aprendizado e a hierarquia de trabalho. Os pedreiros, cortadores de pedra (não havia tijolo, nem cimento), de onde vem o termo (francês) maçom, eram os mais bem organizados em uma espécie de sindicato ou cooperativa da época.

Todos aqueles que desejavam entrar na corporação deveriam ser aceitos para a função de aprendiz, que não recebia salário, orientado por um mestre, aquele que detinha as ferramentas e fornecia a matéria-prima.

As corporações de ofício delimitavam suas áreas de atuações de forma estrita, de modo que não existia sobreposição de competências, por exemplo, uma alfaiataria não poderia consertar roupas, assim como uma oficina de conserto não tinha permissão de confeccionar peças novas. Tudo em nome da ética operacional.

Transplantadas da Europa para outros pontos do planeta, as corporações tomaram formas próprias inclusive no Brasil, em virtude da predominância do trabalho escravo, da indústria caseira, da escassez de artífices livres e da própria estrutura comercial local. Porém preservaram algumas funções de seu papel inicial elaboradas no “velho continente”.

As Corporações de Ofício basicamente eram compostas de três classes de integrantes independente da profissão (pois se compunha de pedreiros, carpinteiros, pintores, estivadores, ourives e outros): os mestres, os jornaleiros (não confundir com vendedores de jornais, pois a imprensa ainda não existia e tinham esse nome porque recebiam por dia trabalhado, por diária, por jornada) também chamados de companheiros, e aprendizes.

Os mestres eram os donos da oficina, que acolhiam os jornaleiros ou companheiros, e eram, também, responsáveis pelo adestramento dos aprendizes até sua ascensão ao nível de companheiro.

Os aprendizes não recebiam salários, geralmente eram parentes e moravam com o mestre; e não raras vezes acabavam casando com a filha deste. A extensão do aprendizado variava de acordo com o ramo, podendo durar um ano, ou prolongar-se de dez a doze anos. O período de costume do aprendizado, porém, variava entre dois e sete anos; após o término do aprendizado o aprendiz tornava-se jornaleiro (companheiro) e depois mestre. Entretanto, à medida que se avançava para o fim da Idade Média, tornava-se mais difícil ao jornaleiro atingir a condição de mestre. Isso acontecia principalmente em virtude do domínio que os membros mais ricos passaram a ter sobre as corporações, reduzidas quase que exclusivamente aos seus familiares. Hoje, isso é conhecido por Conselho Regional de profissões.

A prova pela qual o jornaleiro era submetido para tornar-se mestre ficou mais rigorosa e, por fim, a taxa em dinheiro que era paga ao chegar-se à posição de mestre foi elevada. Percebe-se que esse rigor não era para todos, pois, os filhos dos mestres, se comparados com o povo em geral, continuaram sendo privilegiados a tal ponto que em algumas cidades e em outros lugares, apenas os filhos de um mestre poderiam aspirar a ocupar tal condição. Esses foram os avanços assinalados neste período do conhecimento humano que nos diz respeito.

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