quinta-feira, 4 de setembro de 2014

1534-Conhecimento condicionado


O rompimento com as sociedades independentes

O leitor está ciente de que havia o domínio, ao menos moral, da Igreja, sobre todas as atividades e também imposições econômicas.

A moral católica medieval tinha como verdadeiro que "é difícil não pecar quando se exerce a profissão de comprar e vender". Por isso, a Igreja procurou coibir as ambições dos homens de negócios, sempre preocupados com o lucro, impondo o justo preço e condenando a usura.

A noção do justo preço excluía qualquer ideia de lucro e devia levar em conta apenas o custo das matérias-primas e um pequeno ganho pelo trabalho prestado. Além da tentativa de exploração pelo preço, era considerado usura todo negócio que implicasse em pagamento de juros – por exemplo, no empréstimo. Mas, a atividade banqueira crescia e não obedecia a regra canônica.

Esse ideal foi inicialmente adotado por artesãos e comerciantes, cujas atividades eram rigorosamente controladas pelas corporações citadas na postagem anterior.

Na prática, porém, não era mais possível à Igreja aplicar suas imposições com o antigo rigor. Além disso, os homens de negócios sempre encontravam meios de contornar as interdições religiosas, como fazem hoje em relação ao fisco. Os maçons de ofício, apesar de muito religiosos, de começarem a terminarem suas jornadas com orações e louvores a Deus, a partir de um determinado momento passaram a realizar suas reuniões de trabalho em secreto, sem o acesso do padre. Não demorou e as corporações com essa prática foram postas sob a suspeita de que eram pagãs e que seus cultos já não eram para Deus. Tem início aí e perdura até hoje a divisão entre Igreja e Maçonaria, apesar de a Maçonaria de hoje ser apenas especulativa (não quebra pedra, não constroi, se tornou simbólica).

O momento da expansão da economia veio com o comércio de longa distância entre continentes. Se diz que as Cruzadas deram grande impulso às atividades comerciais no Mediterrâneo. Cidades da península Itálica, como Veneza e Gêova, passaram praticamente a monopolizar o contato com o Oriente, graças, também, às nevagações cada pouco mais tecnificadas com a invenção da bússola e mais tarde equipamentos de cálculos geodésicos.

Os produtos orientais trazidos pelos comerciantes da península Itálica eram revendidos para outras regiões da Europa. A península Itálica tornou-se, dessa forma, o principal centro comercial europeu.

Outro importante pólo de atividades comerciais desenvolveu-se simultaneamente no norte da Europa, na região de Flandres (norte da atual Bélgica). A partir dele, o comércio se propagou para o mar Báltico, chegando à Rússia. Note que no início as navegações se limitavam aos mares de menor extensão para só a partir do século XIV ganhar os Oceanos.

Mais tarde as cidades do Sacro Império Romano-Germânico (séc.XI-XVIII) formaram uma liga comercial chamada de Hansa Teutônica, que monopolizou o comércio nessa vasta região que compreendia a Alemanha, Áustria, Suiça, Liechtenstein, Luxemburgo, República Tcheca, Eslovênia, Países Baixos e parte da França, Polônia e Itália. Ligando Flandres (norte) à península Itálica (sul), desenvolveu-se uma rota terrestre que atravessava a região franca de Champagne. Nesse percurso realizavam-se, durante todo o ano, grandes feiras, que serviam de ponto de encontro aos comerciantes europeus.

Desse modo, entre os séculos XIII e XIV, formou-se na Europa uma verdadeira teia de rotas por onde começou a fluir um próspero e intenso comércio. Era a Igreja entrando em contestação e perdendo importância o que, de fato, ocorreu quando Luthero rompeu e formou a Igreja Protestante.

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