domingo, 7 de setembro de 2014

1537-Conhecimento condicionado


Um fracasso consciencial

Conforme mencionou-se anteriormente, a tutela dos direitos fundamentais também incide, reflexamente, sobre a democracia. Sinteticamente, entende-se que é necessário o respeito aos direitos humanos para que a democracia seja efetiva. Assim, o instrumento que serve à garantia daqueles também se presta, com igual pujança, a esta. E mais ainda à questão da fé, onde se percebe-se uma espécie de escravidão das consciências.

Onde não passou a existir o cidadão de direito e de fato também não existe o espírito liberto. Por isso, os fenômenos como das romarias a Padre Cícero, do Sírio de Nazaré e de tantos outros eventos menos famosos em toda a América.

Pelo exposto, visualiza-se uma ligação indissolúvel entre direitos humanos, democracia, divisão de poderes na arquitetura teórica iluminista e libertação das almas, mas se torna brutalmente mais evidente a sua inoperância na questão da fé. Onde houver um guru, um santo, um milagreiro, lá haverá filas de fiéis para receber bênçãos e graças por sua indignidade perante a espiritualidade, do mesmo modo que uma Bolsa Família representa numa só ilação, o domínio político sobre aqueles que não têm direitos humanos. Tão fundamental é este núcleo conceitual que os iluministas chamam de falsas democracias os regimes que prescindem dos direitos fundamentais (principalmente da liberdade). E hoje os analistas espirituais se preocupam com a retirada dos tutores espirituais para que efetivamente ocorra a evolução das almas.

A unidade conceitual rechaça o argumento de que primeiro deveriam ser criadas condições materiais necessárias à liberdade e, só depois, dar-se-ia espaço à participação democrática, como é imprescindível que o indivíduo entenda e se situe como alma divina que pode dispensar a mão do condutor ou guia se puder estabelecer conexões diretas com o Sagrado.

Entretanto, é importante notar, no caso político, que a divisão de poderes não foi sempre um mote dos iluministas. Tanto o é, que, historicamente, suas lutas (século XVI) contra a “anarquia” feudal justificaram o império da autoridade pública. Esta, desprovida daquele mecanismo de limitação do poder, deu espaço às arbitrariedades monárquicas. Em segundo momento é que a divisão de poderes animou os movimentos constitucionalistas contra o absolutismo da autoridade pública. Mas, a necessidade de combater a tutela da Igreja sobre os cidadãos acabou, também, por evidenciar um Iluminismo ateu ou laico, de que se aproveitou, também, a Igreja, para jogar pedras nas iniciativas de emancipação espiritual dos homens.

Eis aí, pois, porque uma expressiva maioria de pessoas continua orando à espera do milagre externo e não abre a jaula onde sua alma se aprisionou.

Condicionados desta forma, quase toda a sociedade ocidental engatinha espiritualmente, apesar das conquistas tecnologicas. E a Universaidade será, terá de ser, a responsável pelos avanços não alcançados até agora.

Fim da série.

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