terça-feira, 9 de setembro de 2014

1539-Religiões, fanatismo e espiritualidade


De onde surgiu satã?

Em princípio, toda maldade, falsidade, traição, perversidade, crueldade que existe no mundo dos homens, aprendemos a debitar ou creditar ao diabo. Ele é a figura oposta do bem. E aprendemos, por outro lado, que o diabo não é uma criação de Deus. Autocriou-se, desenvolveu-se, adquiriu poder, confronta os poderes de Deus.

A única história sagrada que chegou ao Ocidente nos foi dada pelos hebreus e fala que o mundo é bom, que o homem foi criado do barro e recebeu um sopro divino de vida e que o homem se destina a viver na amizade com Deus, que lhe concedeu o dom da liberdade dentro de algumas regras. Mas fala que a harmonia primitiva foi destruída pela desobediência humana provocada por uma serpente expoente do poder da mentira, que sugeriu ao homem a esperança de tornar-se como Deus. Tudo isso se passa entre Eva, uma serpente e Adão, sem nenhuma citação ao que hoje é o símbolo da adversidade com Deus, Lúcifer ou Satã.

Abra qualquer número de obras de referência bíblica usadas comumente e olhe para o verbete "Satanás". Na Gênese ele não está, a ideia tentadora, ali, não o põe na cena. Em Isaías 14:12-14, quando novamente ele é citado, sem que se lhe pronuncie o nome e o que parece ser é, na verdade, a narrativa da queda de Adão. Em Ezequiel 28:12-15, novamente a advertência é feita ao homem apresentado (não o diabo, mas o homem) como inimigo ou adversário de Deus.

Quem é satã, se não o próprio homem?

Pergunte à maioria das pessoas que creem na Bíblia de onde nos vem Satanás e nove entre dez lhe darão uma versão das histórias citadas acima.


A ideia de que Satanás é um anjo decaído a quem Deus expulsou do céu e que caiu na terra é tão espalhada que muitas pessoas acreditam que a Bíblia a ensina. Pode surpreendê-lo descobrir que a Bíblia não ensina tal coisa. É certo que há passagens na Bíblia que falam de seres caindo do céu, mas não são passagens sobre Satanás; usam linguagem figurativa.

Somente Jesus faz uma alusão à queda de Satanás, no trecho em Lucas 10:17-26 em que recebe os alegres setenta e dois discípulos seus enviados às comunidades para pregarem e curarem. Os discípulos anunciam: “Senhor, até os demônios (aqui os demônios são espíritos obsessores) se nos submetem em teu nome!” Então Jesus lhes diz: “Vi Satanás cair do céu como um raio. Eis que vos dei poder para pisar serpentes, escorpiões e todo o poder do inimigo”. E finaliza: “Pai, Senhor dos céus e da terra, eu te dou graças porque escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos”. (se os selecionadores dos textos bíblicos os alteraram a ponto de introduzir o nome de Satanás, fica a dúvida) Cristo teria, mesmo, falado a palavra Satanás? Não a usou em nenhuma outra fala. Falava de demônios, traduzidos do grego daemon (Daemon ou daimon (grego δαίμων, transliteração dáimon, tradução "divindade", "espírito"). É um tipo de ser que em muito se assemelha aos gênios da mitologia árabe. A palavra daimon se originou com os gregos na Antiguidade; no entanto, ao longo da História, surgiram diversas descrições para esses seres. O nome em latim é dæmon, que veio a dar o vocábulo em português demônio.

Para não ser contraditório em simplório e menos ainda fanático, Jesus deveria estar se referindo ao momento em que Lúcifer foi expulso de entre os anjos para vir, depois, estabelecer conluios com os seres do mal.

Somente por uma leitura descuidada destes textos pode alguém chegar à história popular relativa à origem de Satanás.

Examinemos as passagens bíblicas relevantes, no contexto, a seguir.

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