quarta-feira, 10 de setembro de 2014

1540-Religiões, fanatismo e espiritualidade


Quem é Satanás?

O nome "Satanás" é uma transliteração do hebraico satan, indicando um acusador no sentido legal, um queixoso que tem uma acusação a apresentar, uma espécie de promotor divino equivalente ao representante do Ministério Público na estrutura da Justiça Brasileira. Em Zacarias 3:1 lemos "Deus me mostrou o sumo sacerdote Josué, o qual estava diante do Anjo do SENHOR, e Satanás estava à mão direita dele, para se lhe opor”. Numa palavra, Satanás se opõe a nós, trabalha contra nós, ou nos persegue, na tentativa de nos derrotar espiritual e moralmente para que nos moldemos ao seu modelo.

Jesus chamou-o homicida e mentiroso, em João 8:44 ao discutir com os fariseus que o tentavam. Na falta de condições para se referir ao poderio militar capaz de destruir o planeta, em Apocalipse 12:9 João retrata-o como um grande dragão, uma representação que ressalta sua terrível natureza oriunda de Satanás. Esse mesmo versículo identifica-o como a serpente (talvez uma referência a Gênesis 3) e também como o diabo, que é outro nome religioso comum para ele.

A ênfase bíblica está no que Satanás é em relação a Deus (um inimigo). Algumas pessoas, contudo, pensam que certos textos bíblicos vão mais além e nos dizem como Satanás veio a se tornar assim. Examinemos estes textos cuidadosamente.

A partir de Zoroastro (Pérsia), passando pela religião hebraica e chegando às religiões derivadas de Cristo, aprendemos sobre a existência de Satã, inimigo de Deus, aliás, Lúcifer, um anjo de muita luz que se revoltou com a ordem instituída e perdeu a companhia dos anjos para habitar nas trevas. Nada absurdo se não tivéssemos dado a ele um extraordinário poder a ponto de ofuscar a autoridade do Ser Maior que é Deus.

A ordem universal não pode ter dois comandos; aprendemos isso ao decidir sobre nossas vidas, ou sobre o lombo de um cavalo, ou no comando de uma carroça ou de um automóvel ou de um avião, à testa de uma família, de uma empresa, de uma nação... Mas, o Universo, segundo alguns doutrinadores, tem dois comandos.

Nada é mais absurdo e ilógico. O segundo comando, na verdade, é a mente humana que encarna e reproduz esse lendário anjo caído, desobediente, expulso do paraíso e que, por sua soberba, arrogância, egoísmo e, por que não, POR SEU FANATISMO, mete os pés no lugar das mãos.

Na introdução desta série definimos o fanático como aquele ser que se julga inspirado ou iluminado por uma (aqui entre aspas) “divindade” e que age com extremo zelo faccioso, religioso ou ideológico, cuja maior demonstração é a exaltação, a intolerância e a ação passional e individual não dando margem a nenhuma inclusão: individualista, egoísta, egocêntrico, passional. Olhe para esta descrição e veja se encontra nela um retrato fiel da humanidade que somos no que tange a parcela que lidera esta humanidade dominadora da cena mundial. Outra parcela, talvez menor, mas nem por isso menos importante, é a vítima, subalterna à outra parcela.

Essa humanidade portadora de faculdades mentais, inteligência e livre arbítrio, por suas mais eloquentes lideranças, têm podido escolher entre o caminho da direita e o caminho da esquerda (só para citar registros bíblicos em que Jesus fala de para onde iriam os do bem e os do mal perante o julgamento das suas ações como humanos). E realmente existem muitos na pista da direita, entenda esta como a mão que leva para Deus, mas existem muitos mais na contramão. Vitória de Lúcifer?

Não. Derrota do homem. Derrota parcial, pois como anjo caído ele passará por provas e mais provas, ralará, rolará, até polir-se, deixar de ser uma pedra cheia de ganga e rugosidade e descobrir-se uma joia, uma obra de arte, uma escultura, como escreve Jung em “Os Sete Sermões aos Mortos”: trabalhará o abraxas (monstro) que existe em cada um de nós, para que, no final, o monstro e o anjo possam fundir-se num só, sem derrota de nenhum dos dois, mas com a vitória de ambos.

O fato de conviverem no mesmo espaço Deus e o diabo, não quer dizer que o poder está dividido. A concepção evolutiva do homem precisa contar com suas experiências por vezes tenebrosas, por vezes grandiosas. A Lei Divina é isso.

Esse “diabo” será recuperado quando tiver humildade para reconhecer que o que se espera dele é o bem, é o retorno ao bem.

Nós, diabos de nós mesmos, separados por egoísmo, divididos por arrogância, adversários por soberba, quer dizer, fanáticos cheios de razão e muito infelizes, precisamos escolher o lado.

Aprender a cobrar daqueles que formam a opinião, ensinam métodos, distribuem conhecimentos, que nos proporcionem conhecer também a realidade espiritual, já que nos afundamos na direção de doutrinas materialistas, que virtualmente aprisionam as criaturas no mundo fenomênico da medida, do número e do peso, tornando a própria existência da alma humana objeto de dúvida e debate.

Ou será que temos dúvidas que nosso Deus é um ser espiritual? Será que alguém duvida que viemos ao corpo por amor? Se for, é no mundo espiritual que temos de buscar nossa realização. Estou certo?

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