sexta-feira, 12 de setembro de 2014

1542-Religiões, fanatismo e espiritualidade


As contribuições judaicas à cultura

Nenhuma outra cultura teve tanta influência sobre a sociedade ocidental quanto a judaica, incluindo-se a questão religiosa. Influência construtiva e não construtiva, como sucede no curso dessas avaliações.

O estudo de incidentes antijudaicos na história mostra claramente que os argumentos, acusações e ações de antissemitas de todos os tempos não são coisas novas, mas antigas e muito perigosas, trazidas do tempo em que Yahweh só era deus para os judeus e não para os demais povos. Os incidentes históricos que serão relatados aqui, não são senão exemplos tomados duma variedade de eventos onde sobrou fanatismo e faltou espiritualidade.

Os hebreus, herdeiros de uma religiosidade recolhida nos seus cativeiros do Egito e da Babilônia, escreveram suas memórias e tradições e estas vieram para o seio das culturas indo-europeias, não sem um pouco de rejeição naquilo que a Europa (em parte) tem de refém da fé islâmica.

Não há como deixar de reconhecer que o caráter de povo escolhido por Yahweh tenha contribuído para o preconceito. O restante do mundo quer dizer aos judeus que esse aí só pode ser o deus dos hebreus e não o Deus de todos os demais homens. Quem é mais soberbo, arrogante, excludente ou fanático, aquele que se anuncia eleito exclusivo de Deus ou aquele que refuta essa afirmação? De que lado estão os fanáticos? Só o são aqueles que estão contra mim?

O fato de serem perseguidos, cassados, judiados (esta palavra vem de maus tratos a judeus) os fez unidos, cúmplices, monolíticos e, por isso, excludentes. Porém sofridos, instáveis, de futuro incerto. Por conta disso, fizeram-se muito religiosos, radicalmente religiosos porque não era a língua, nem a etnia o seu elo e sim a fé. Cada um de nós que tenha seus dias futuros colocados em dúvida, corre para os braços de Deus (não é assim?).

Levaram desde sempre a pecha de inimigos de Jesus, porque foram seus acusadores, enquanto os romanos foram os seus executores. Os romanos também foram os que se apossaram da doutrina de Jesus, mudada, modificada, adaptada aos interesses do Império Romano.

Por vezes, os judeus foram protegidos pela Igreja contra as autoridades civis. Em outros tempos, estas autoridades os protegeram contra uma igreja enfurecida. E às vezes tanto a igreja como as autoridades civis os perseguiram, ou ambas não puderam ou não quiseram deter as agressões populares, muitas vezes incitadas pelo baixo clero contra a vontade dos bispos.

Examinei uma lista dos incidentes oficiais da judiaria e ela serve para criar interesse no estudo do atrapalhado relacionamento cristão-judaico ou judaico e não judaico. Pode também servir para mostrar que o holocausto nazista foi precedido por uma longa história de maus tratamentos aos judeus nos assim chamados países cristãos, e que a Igreja Cristã, por seu ensino de desdém judaico contribuiu em grande medida para o sofrimento judaico. A malhação ao Judas traidor no sábado, queiram ou não, tem uma forte conotação com tudo, pois foi alguém chamado Judas o dedo duro que abriu caminho para a prisão, o sacrifício e a morte de Jesus.

As categorias do comportamento antijudaico estendem-se de palavras de ódio a assassínios em massa, como os registros deixam entender.

Palavras de ódio em textos, sermões, peças teatrais (especialmente nos Mistérios de Paixão), narrativas, chistes e mentiras sobre conspirações...

Acusações de deicídio (assassínio de Deus/Cristo), assassínio ritual, profanação de hóstias (da Eucaristia), conspirações...

Ameaças ou coerções, extorquir preço de resgate, expulsar do lar, converter...

Restrições para a prática religiosa judaica, interação social e profissional, direitos civis e políticos, residência (confinamento em guetos), limitação e extorsão de propriedade...

Força usada para fazer os judeus pagarem tributos mais altos, tirar-lhes as suas crianças (para educá-las como cristãs), pilhagens, vandalismo, expulsões...

Violência atacando judeus individuais e comunidades inteiras, batendo e torturando...

Assassínio e assassínio em massa em enforcamentos judiciais, cremações, massacres em tumultos, ataques de populacho, Cruzadas e pogroms (termo russo que significa destruição)...

A Solução Final dos nazistas para o assim chamado Problema Judaico se deu no Holocausto.

Tudo isso mostrou o que era realmente um problema cristão através da história. Conforme um levantamento efetuado a partir de registros históricos, foram mais de 400 os casos oficiais de ações de antijudaicas, maioria delas a cargo da Igreja de Roma ou de governos a ela coligados, até que em 1935 os judeus perderam sua cidadania na Alemanha. Daí para frente a história é bem mais conhecida.
 
Mas, de 1948 em diante o problema fanático ganha um novo cenário: parte da Palestina foi decretada Nação Judaica, contra a vontade árabe-muçulmana e o que se repete a cada pouco ali, parece não ter fim.

Nenhum comentário:

Postar um comentário