sábado, 13 de setembro de 2014

1543-Religiões, fanatismo e espiritualidade


O que terão feito os hebreus para merecer tanto?

Vamos a uma narrativa de 1938. A Guerra não havia começado, de fato. Durante a noite de 9-10 de novembro, cerca de 7.000 lojas e negócios judaicos na Alemanha foram pilhados, a maioria das sinagogas queimadas e 91 judeus mortos. Cerca de 30.000 judeus mais ricos foram levados a campos de concentração. Mais tarde, a maioria desses foram soltos e receberam papéis de emigração, depois que todas as suas posses tivessem sido confiscadas. Cerca de cem mil judeus puderam emigrar da Alemanha, Áustria, Boêmia e Morávia, transferindo tudo que tinham aos nazistas. Os judeus foram excluídos da vida pública, de escolas e universidades. Tinham de usar distintivos amarelos em forma da Estrela de David na sua roupa todo o tempo. Foram acusados de qualquer mal embaixo do sol, e estavam sempre com receio de levar uma batida ou ainda ser morto nas ruas.

Em 20 de janeiro de 1942, uma conferência de dezesseis oficiais nazistas de alta patente, em Berlim-Wannsee, planejou a solução final: a completa exterminação da Judiaria Europeia.

No início havia a palavra antijudaica - no fim a Solução Final.

O que terão feito os hebreus para merecer tanto?

As explicações “pé de chinelo” falam da sua autoproclamação como povo escolhido de Deus e da sua não aceitação de Jesus como messias. Mas a judiaria foi tamanha que todo judeu tem todos os motivos para exalar ódio contra os cristãos e especialmente contra os nazistas não só alemães, pois eles foram cassados também em outros países sob a mesma alegação.

Não é a primeira vez que um suposto documento falso causa tremendos transtornos e prejuízos à sociedade. Em 1919 foram traduzidos da língua russa para a língua alemã “Os Protocolos dos Sábios de Sião”, um documento tido como secreto elaborado muito antes de 1919 e que passou a circular nos meios onde não poderiam ter circulado, como veremos.

O antissemitismo é mais antigo, muito antigo, porém, provavelmente, até o início do século XX, pelos motivos que chamo de “pé de chinelo”. O antissemitismo nazista se desencadeou a partir dessa “bomba” chamada Os Protocolos dos Sábios de Sião, no qual se elaboram as bases para que os judeus passem a dominar o mundo todo.

As pessoas bem informadas já sabiam da intenção e da possibilidade de poderosos grupos dominarem os principais setores da vida planetária através do setor financeiro, das comunicações, das universidades, da indústria farmacêutica e das fontes de energia. E os citados protocolos estavam a dizer exatamente isso como autoria judaica. Se já podia haver facetas de antissemitismo nazista em 1919, os conteúdos daquele documento soavam como um alarme estridente dentro do núcleo de poder não só alemão ainda mais porque previa a associação entre os judeus e a democracia ocidental; somem-se aí os princípios iluministas como contribuições judaicas à cultura ocidental; some-se mais a influência judaica na imprensa internacional; mais as crises econômicas provocadas por especuladores do setor financeiro bastante composto por judeus; além das figuras do capitalismo internacional e do comunista-bolchevista associadas aos judeus.

Como pode ter sido possível o discurso irracional de calúnia e de ódio racial conduzido pelo nazismo encontrar terreno fértil numa nação como a Alemanha, um dos países mais industrializados do planeta já naquela época e um dos bastiões da produção intelectual na Europa e no mundo? Esses aspectos aparentemente opostos ao barbarismo primitivo do nacionalismo tribal – baseado nos valores da raça e do sangue – conduzido pelo nazismo não se acreditava pudessem prosperar na Alemanha.

Os Protocolos dos Sábios de Sião, apesar de terem sido apenas um dos vários “documentos” e “provas” usados pelos nazistas a fim de apontar os judeus como protagonistas de uma conspiração para destruir a Alemanha e mesmo para a dominação mundial, foram explorados de forma intensa pelos nazistas: os judeus seriam a “chave” para se entender a história, o que de fato, para a maioria dos intelectuais, era verdade. O mundo cultural ocidental deve muito ao que nos legaram os judeus.

Curiosamente, um dos maiores divulgadores dos Protocolos pelo mundo não foi alemão, mas sim o americano Henry Ford – autor de O Judeu Internacional -, que chegou mesmo a ser condecorado com honrarias nazistas.

Os Protocolos dos Sábios de Sião são conhecidos como um livro que nunca “morre” e talvez, neste ponto, é que este livro demonstra uma preocupação ainda atual. Forjado e escrito nos anos finais do século XIX, em plena emergência da Era Industrial e no ventre do Capitalismo, e publicado no começo do século XX, na Rússia, os Protocolos se espalharam inicialmente por toda a Europa e, logo depois, por todo o mundo. Hoje, se encontra traduzido em 112 línguas. E haja reações nada favoráveis aos magnatas judeus.

No ano de 2002, por exemplo, foi levado ao ar, em vários canais de televisão árabe, “Cavaleiro Sem Cavalo”. Baseada nos Protocolos, a série foi patrocinada pela televisão estatal egípcia. Certamente produzida pela influência dos acirrados ânimos entre judeus e palestinos devido às tensões pela criação e permanência do Estado de Israel, a série televisiva se tornou popular no mundo árabe, contribuindo para a exacerbação de ódios infundados.

Entretanto, os Protocolos não se tornaram correntes apenas entre os árabes após a Segunda Guerra, o Holocausto e a criação do Estado de Israel. Este escrito já “preocupou”, inclusive, povos com pouco contato com os judeus, como demonstra a versão em língua japonesa publicada neste país em 1987. Quinze anos antes uma versão dos Protocolos foi publicada na Espanha para explicar algumas reformas da Igreja. Bem antes disso, em 1930 uma versão italiana se tornou popular entre fascistas e, nesse mesmo ano, uma versão em espanhol foi publicada na Argentina. Os argentinos antissemitas que liam os Protocolos acreditavam que os sionistas conspiravam para fundar um Estado judaico em seu país...

Em 1972 foi a vez do Egito receber a publicação dos Protocolos em seu país. No mesmo ano, a embaixada soviética em Paris publicou uma crítica ao Estado de Israel baseando-se em trechos dos Protocolos. Dois anos depois, a Índia também “recebeu” sua versão do livro. Em 1978, os Protocolos reapareceram na Inglaterra e, um ano antes, nos Estados Unidos.

Em 1992, certas escolas católicas mexicanas taxaram os Protocolos como leitura obrigatória. Oito anos depois, o Líbano publicou uma versão do livro.

Em 2006, a Centauro, editora que publicara a última edição dos Protocolos no Brasil teve 1.600 exemplares do livro apreendido em sua sede, em São Paulo, por ordem da Justiça. Membros da Fisesp (Federação Israelita do Estado de São Paulo) alegaram que o livro promovia o antissemitismo. Ao invés de investir na falsidade do livro, promoveu-o como coisa séria.

Se é tempo para ilações sobre fatos, documentos, versões, aqui vai mais uma: os responsáveis pela condenação de Jesus, desde 20 séculos, foram os membros da elite judaica, a mesma que possivelmente possa ser autora dos protocolos. Minorias jogando alto e criando reações que alcançam a todos os judeus...

Toda a discussão não acaba aqui. Também não acaba agora o sofrimento judeu, cuja pátria prometida por Abraão há 4 mil anos ainda não é totalmente realidade.

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