quinta-feira, 18 de setembro de 2014

1548-Religiões, fanatismo e espiritualidade

 
Enfim (?), a pátria judaica
 
Entre 1941 e 1945 matar judeus foi a grande prioridade para Adolf Hitler e seus asseclas, assim como ganhar a Segunda Guerra Mundial. A partir de 15 de setembro de 1941, a população judaica com mais de seis anos de idade passa a estar facilmente identificável com a obrigatoriedade de usar a Estrela de David amarela com a palavra JUDE escrita no meio, sob pena de execução. Torna-se ainda obrigatório acrescentar ao nome próprio os nomes Sarah (para as mulheres) ou Israel (para os homens). Para alguns judeus, tais fatos constituíram motivo de orgulho.
 
Começam a ser criados campos de concentração, inicialmente para opositores ao regime. O objetivo de Hitler era exterminar fisicamente os judeus da Europa. No entanto, antes de proceder à solução final queria humilhá-los e torturá-los. Auschwitz foi o maior campo de concentração, onde pereceram cerca de um milhão e meio de judeus. À entrada do campo estava escrito Arbeit macht frei [O trabalho liberta], numa tentativa cínica para convencer os prisioneiros que não havia más intenções para com eles. Após a entrada no campo, os judeus eram alinhados e selecionados por médicos, tendo sido o mais famoso Joseph Mengele. Para o lado esquerdo, seguiam velhos, crianças e jovens até aos quinze anos, e debilitados. Iam diretamente para a câmara de gás. Em minutos, pessoas eram sufocadas até à morte, na maior das agonias, uma vez que era usado o mínimo de gás suficiente para matar. Depois cremavam-se as pessoas mortas.
 
Dos seis milhões de judeus que pereceram no Holocausto, talvez Anne Frank seja a mais famosa. Anne era uma jovem que vivia em Amesterdan quando os nazis invadiram a Holanda. Em 1942, quando começaram as deportações, a família Frank escondeu-se num anexo de várias salas de um armazém que pertencia à firma onde trabalhava o seu pai Otto. Durante este período, Anne escreveu o seu diário que, publicado após a guerra (1947), comoveu o mundo. A 4 de agosto de 1944, o esconderijo foi descoberto e os habitantes enviados para campos de concentração. Anne morreu em março de 1945 em Bergen-Belsen.
Na primavera de 1945, os Aliados atacam pontos estratégicos alemães. Os russos ocupam Viena a 13 de abril. O passo seguinte foi conquistar Berlim. A 25 de abril, a cidade foi cercada. Dois dias mais tarde, Hitler e a sua mulher Eva Braun suicidam-se. Finalmente, a 8 de maio de 1945, termina a guerra na Europa. O capricho de Hitler foi pago com mais de 6 milhões de judeus, mais de 3 milhões de soldados, mais de 2 milhões de mutilados, mais de meio milhão de vítimas de bombardeamentos, mais de quatro milhões de mortos, e mais de 16 milhões de refugiados.
 
Quando foi criado o Estado de Israel, em 1948, foi decidido que ali seria construído o maior museu sobre o Shoah:Yad Vashem. O museu está situado junto ao Monte Herzl, onde está sepultado Theodor Herzl, fundador do Sionismo. O nome Yad Vashem significa "uma mão [ou monumento] e um nome" e foi inspirado em Isaías 56:5, onde o profeta assegura que os Judeus sem filhos não serão esquecidos nas gerações vindouras.
 
O museu contém imensas fotos que documentam o Holocausto, assim como extensa bibliografia. Circunda o museu um jardim, conhecido como Avenida dos Justos, onde são homenageados gentios que albergaram judeus durante a barbárie do nacional-socialismo. Apesar de tudo, e ainda que em casos isolados, subsistiu alguma humanidade entre os dois povos.
 
E aí os judeus que desejassem começaram a voltar para sua pátria (Israel) e tem início as desavenças com os palestinos. Que será tema para outra série. Mas, é preciso acrescentar: a questão não se restringe apenas ao espaço geográfico, foi levada ao extremo religioso do fanatismo interminável.
 
A 29 de novembro de 1947, uma votação na ONU concede uma pequena parcela de território na Palestina para a formação do Estado de Israel. Este é fundado oficialmente a 14 de maio do ano seguinte com a designação de Medinat Israel [Estado de Israel]. É adotado como hino a canção Hatikwah [A esperança], que, tal como o nome indica, canta a esperança do povo judeu em viver um dia na terra de Israel. No dia seguinte à sua fundação, Israel é invadida por exércitos do Egito, Síria, Jordânia, Líbano, Iraque e Arábia Saudita. Israel nasceu no conflito, que subsiste até ao dia de hoje, embora haja tentativas de estabelecer um processo de paz, que vai evoluindo lentamente e com alguns retrocessos. Falta credibilidade para os negociadores. A Pátria Judaica parece ainda não consolidada. Não por culpa de seus ocupantes, mas pela instabilidade oferecida pelos seus vizinhos.

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