domingo, 21 de setembro de 2014

1551-Helena Petrovna Blavatsky


Uma mulher de linhagem nobre

Helena Petrovna nasceu de sobrenome Hahn, prematuramente, à meia-noite de 30 para 31 de julho (12 de agosto pelo calendário russo) de 1831, em Ekaterinoslav, na província do mesmo nome, ao sul da Rússia. Tão estranhos foram os incidentes ocorridos na hora do seu nascimento e por ocasião do seu batismo, que os serviçais da família lhe predisseram uma existência cheia de tribulações.

Helena foi uma criança voluntariosa, oriunda de uma linhagem tradicional de homens e mulheres influentes e poderosos. A história dos seus antepassados é a história mesma da Rússia.

Séculos atrás, os nômades eslavos erravam através da Europa central e oriental. Tinham formas de governo próprias; mas, quando se estabeleceram em Novgorod, fracionaram-se em feudos, que se digladiavam entre si, não sendo possível chegarem a uma conciliação. Por isso, chamaram em seu auxílio um mediador (Rurik (862 d.C.), chefe de uma das tribos errantes de "Russ", homens do Norte ou escandinavos, que andavam à cata de mercado e procurando estender o seu domínio. Rurik veio e organizou em Novgorod o primeiro governo civil, que se constituiu em um centro opulento de comércio com o Oriente e o Ocidente. Foi ele o primeiro soberano e reinou pelo espaço de quinze anos. Durante sua vida, seu filho Igor e seu sobrinho Oleg consolidaram seu domínio no Oeste e no Sul.

Foi assim se chegou à importante cidade de Kiev; graças ao principado fundado por Rurik e seus descendentes.

Kiev tornou-se um grande Principado, e aquele que o governava era virtualmente o soberano da Rússia. Isso, de certa forma, nos leva a entender as raízes dos conflitos de 2014 entre Ucrânia e Rússia.

Ao longo dos séculos, os descendentes de Rurik ampliaram as suas conquistas e a sua autoridade sobre todo o país. Vladimir I (1015) escolheu o Cristianismo como religião do seu povo, e o chamado "paganismo" desapareceu. Yaroslav, o Sábio (1034), elaborou Códigos e os "Direitos Russos". O sexto filho de Vladimir XI (1113-24) foi Yuri, o ambicioso ou "dolgoroukiy", cujas biografias estão à disposição na Internet.

Este apelido persistiu como título de família, algo como designação de nobreza. Yuri fundou Moscou, e sua dinastia deu origem aos poderosos Grão-Duques, cujos governos se caracterizaram por lutas violentas entre eles próprios. As hordas mong6is, em 1224, tiraram partido das divergências e sujeitaram os grupos turbulentos que se rivalizavam em sua sede de poder e posição. Mas Ivan III, um Dolgoroukiy, libertou-se, em 1480, do jugo mongol; e Ivan IV exigiu ser coroado Czar da Rússia, arrogando-se a autoridade suprema. Com a morte de seu filho terminou a longa e brilhante dinastia dos Dolgoroukiy. Mas a família ainda exercia influência nos dias dos Romanoff, até a morte da avó da Senhora Blavatsky, a talentosa e culta Princesa Elena Dolgoroukiy, que se casou com André Mikaelovitch Fadeef, o "mais velho" da linhagem Dolgoroukiy, da qual os Czares Romanoff eram considerados um dos ramos "mais novos".

Vê-se, pois, que a família de Helena pertencia à classe superior, na Rússia, com tradição e dignidade a preservar, sendo conhecida em toda a Europa. Helena era uma rebelde, e desde a infância sempre manifestou desprezo pelas convenções, o que não a impedia de compreender que as suas ações não deviam molestar a família, nem lhe ferir a honra. Seu pai, o Capitão Peter Hahn, descendia de velha estirpe dos Cruzados de Mecklemburg, os Rottenstern Hahn. Em virtude de, aos onze anos de idade, haver perdido a mãe, mulher inteligente e devotada à literatura, Helena passou a adolescência em companhia de seus avós, os Fadeef, em um antigo e vasto solar de Saratov, que abrigava, muitos membros da família e grande número de criados e servidores (seu avô Fadeef era governador da província de Saratov).

Descendente de pessoas influentes nas áreas da administração pública e das forças armadas e, portanto, com larga ficha pregressa de decisões que envolvem os destinos de muita gente no bem e no mal, Helena Blavatsky destoava deste padrão e sempre mais longe dos centros de poder, preferia a natureza, os estudos místicos. Era, com certeza, um espírito experimentado na liderança de grupos sociais e viria a liderar novamente no plano espiritual a caminho de sua maioridade espiritual.

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