sexta-feira, 26 de setembro de 2014

1556-Helena Petrovna Blavatsky


O sofrimento da incompreensão
Como já informamos, Helena Petrovna Blavatsky nasceu na Ucrânia, no Império Russo, no dia 12 de Agosto de 1831. Casou aos 17 anos com um oficial do exército russo, de quem se separou meses depois.

Tendo-se interessado pelo ocultismo e espiritualismo, Helena Blavatsky viajou pela Europa, Estados Unidos e Ásia (sobretudo pela Índia e pelo Tibete). Na Índia terá, alegadamente, estudado sob a orientação de diversos mahatmas hindus.

Em 1873 viajou até Nova Iorque, onde conheceu H.S. Olcott, com quem fundou, entre outras obras, a Sociedade Teosófica (1875). Dois anos mais tarde, publicou “Ísis sem Véu”, o livro em que a autora critica a ciência e a religião, exaltando a experiência e a doutrina místicas como derradeiro meio para alcançar as verdadeiras perspectiva e autoridade espirituais.

Em 1879 viajou com Olcott para a Índia, onde estabeleceram com grande sucesso uma sucursal da Sociedade Teosófica e editaram o jornal da Sociedade, “O Teosófilo”. Na década de 1880, Helena Blavatsky é acusada pela imprensa indiana de forjar fenômenos espirituais, e em 1885 uma investigação da London Society for Physical Research declara-a uma fraude. Parte definitivamente da Índia para viver na Europa. É na capital britânica que escreve “A Voz do Silêncio” e “A Doutrina Secreta”, textos que continuam a debruçar-se sobre a Teosofia.
Morreu no dia 8 de Maio de 1891, em Londres. 
 
Blavatsky sofreu campanha acérrima dos inimigos da sua doutrina; difamações violentas, ataques a mão armada, e até um sinistro provocado a bordo do navio em que ela viajava para o Oriente. Sabe-se que no ano de 1870, ao atravessar o canal de Suez, explodiu a embarcação "onde a maior parte dos viajantes foi reduzida a poeira tão fina que nem se achou mais vestígio de seus cadáveres", J. Bergier, em livro publicado, disse “Desse ataque, madame Blavatsky escapou miraculosamente”.
Várias frentes decidiram lutar contra a fundadora da Sociedade Teosófica: ora o governo inglês, e consequentemente a polícia do vice-rei da Índia, ora os missionários protestantes; sem falar nos jesuítas. A Sociedade de Pesquisas Psíquicas, sediada em Londres, tinha na pessoa de Hodgson, vigoroso panfletista, um caluniador de Blavatsky; porém, E.S. Dutt provou a integridade moral da acusada, bem como a honestidade de seus propósitos. Dutt provou ainda a existência de uma conspiração, muito bem organizada para destruí-la. Logo no início do nosso século, surgem ainda duas obras contrárias ao valor da fundadora da Sociedade Teosófica: José Vasconcelos com “Estúdios Indoslânicos” e René Guénon com “Le Théosophisme - Histoire d'une Pseudo-religion”, respectivamente de 1923 e 1929.

Essas acusações, porém, iriam se arrebentar como o vidro de uma garrafa contra o rochedo impassível da evidência. Basta ler as respostas de G. R. Mead, Concerning H. P. B.; J. Ranson, Madame Blavatsky Occultist; F. Arundale, My Guest H. P. B.; W. Kingsland, La Verdadera H. P. Blavatsky; A. L. Cleather, H. P. Blavatsky, as I Kn.ew Her e., principalmente, a documentada e volumosa obra de Mario Roso de Luna, “Una Mártir dei Siglo XIX, Helena Petrovna Blavatsky”. São estudos criteriosos, desapaixonados, que convergem unanimemente à consagração de uma consciente missionária da Teosofia, da qual foi pioneira no Ocidente.

A Sociedade para a Pesquisa Psíquica (SPP) em Londres (London Society for Psychical Research) criou um comitê especial para investigar Madame Blavatsky. Em dezembro de 1884, Richard Hodgson, um membro do comitê da S.P.P. chegou à Índia para investigar e preparar um relatório sobre as alegações dos Coulomb. Baseado no relatório Hodgson, o comitê da S.P.P., em um relatório final em 1885, acusou Madame Blavatsky como "uma das maiores impostoras da história”.

Segundo testemunhas da época, Blavatsky trabalhava incessantemente em seus projetos, mesmo com sua saúde seriamente abalada. Seu trabalho pode ser visto na monumental obra “A Doutrina Secreta”. Nesta obra ela inclui mais de 2.000 citações, com indicações precisas de páginas e autores, relacionadas a livros que ela não poderia ter lido, pelo menos diretamente. Outro exemplo de seu extenso trabalho e dedicação é o livro “Ísis Sem Véu”, com mais de 1.300 páginas.
Várias testemunhas afirmam que sua biblioteca, que a acompanhava nas viagens, se limitava a poucos dicionários de inglês.

Segundo o crítico inglês William Emmett Coleman, para escrever “Isis sem Véu”, Blavatsky precisaria ter estudado 1.400 livros, o que seria impossível para alguém que viajava constantemente com uma pequena quantidade de livros em sua biblioteca pessoal. Além disso, se Blavatsky tivesse lido todos os livros (muitos deles disponíveis somente em alguns museus ou bibliotecas longínquas) dos quais cita trechos in verbatim durante seus livros, teria levado várias vidas para concluir a leitura.

Madame Blavatsky explicava que escreveu tanto “Ísis Sem Véu” quanto a “Doutrina Secreta” com a ajuda dos Mahatmas, que certas vezes transferiam suas consciências para o corpo físico de HPB, em um processo chamado “tulku” – hoje conhecido como bilocação de consciência.

Blavatsky afirma que tal processo, na concepção teosófica, não seria mediúnico, uma vez que os Mahatmas não seriam espíritos dos mortos, mas seres humanos em corpos físicos. Ainda segundo ela própria, algumas cenas e citações lhes eram mostradas clarividentemente através da luz astral, outras vezes, enquanto dormia, páginas inteiras eram precipitadas em sua própria letra, ou cartas dos Mestres se materializavam em papéis.

Esses fatos contribuíram fortemente para que Blavatsky fosse tomada como uma farsante. Mas, ela teve de enfrentar também outras acusações, como veremos.

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