sábado, 27 de setembro de 2014

1557-Helena Petrovna Blavatsky


Acusações de racismo contra a madame

Os críticos de Helena também a acusam de racismo, particularmente quando ela, ao escrever suas obras se refere a alguns grupos étnicos, os aborígenes australianos, por exemplo, como pertencendo a uma raça inferior, já que os identifica como "mestiços atlanto-lemurianos". Com relação aos semitas, particularmente, os árabes, diz que são "espiritualmente degenerados".

Para autores como Herrick, Penn e Newman, entre muitos outros, Blavatsky advogou uma filosofia racista a partir de suas ideias sobre a evolução do homem, que estavam possivelmente, segundo eles, influenciadas pela teoria da seleção natural esposada por Darwin e por argumentos derivados da linguística da sua época, que relacionavam complexidade de língua com nível evolutivo social. Seu conceito de evolução descrevia a sucessão cíclica de várias raças sobre a Terra desde tempos imemoriais, e dizia que a tendência geral era em direção a um constante aprimoramento das formas físicas e das capacidades morais e espirituais. Analisando o panorama presente da humanidade reconhecia que certas raças eram mais avançadas do que outras.

Na época em que viveu Helena, a ideia de superioridade racial não causava o espanto que aprendemos a sentir depois dos episódios proporcionados por Hitler e seus asseclas. De qualquer forma não fica claro se no seu esquema de evolução e avanço estivesse implícito o conceito de superioridade racial, mas ela foi acusada também disso.

Além do mais, aceitando que isso estava implícito naquela doutrina, como afirmam vários autores, parece haver-se perdido a perspectiva teleológica inerente à sua doutrina e esquecido de relacioná-la à sua crença concomitante na reencarnação. Para Blavatsky, todos os seres humanos estão de fato em estágios diferenciados de evolução, mas enquanto que os corpos mudam e evoluem, e a expressão exterior da divindade interna de cada um difere em dado momento, dizia categoricamente que os espíritos de todos são igualmente divinos, possuem uma idêntica dignidade e aguardam um destino glorioso idêntico.

O que mais importava para ela era a evolução da raça humana como um todo, e não suas diferenciações regionais exteriores, que são apenas como roupas usadas temporariamente por grupos de egos, de idades diferentes, para cumprir objetivos e desenvolver qualidades específicos.

Desta forma, as aparentes deficiências de certas raças, também explicava ela, são explicadas como fenômeno circunstancial e mesmo inescapável como parte de um processo evolutivo que não se limita a uma única encarnação, e não são um traço perene das individualidades divinas que habitam aqueles corpos. Um exemplo típico dessa visão é uma passagem da Doutrina Secreta dizendo que os africanos estão milênios atrás na evolução em relação aos europeus, mas que é tolice pensar em superioridade racial porque um dia, no curso dos séculos, quando os europeus tiverem sido varridos da face da Terra, os africanos serão o povo dominante, o que se insere em sua doutrina sobre os ciclos de nascimento, ascensão e queda de todas as culturas e civilizações.

O problema emerge, desta forma, da limitação da discussão ao âmbito biológico, o que reduz drasticamente a proposta original de Blavatsky, e da confusão entre personalidade mortal e individualidade eterna, levando à crença generalizada de que a vida presente é a única que as pessoas possuem. Dentro dessa perspectiva de uma única vida, naturalmente quaisquer distinções raciais se tornam relevantes, dando margem, como têm dado, a distorções de interpretação e ao uso de suas ideias por políticas totalitárias e eugênicas.

Goodrick-Clarke denunciou a conhecida apropriação de elementos teosóficos pelo nazismo como uma leitura tendenciosa e seletiva de trechos descontextualizados da obra de Blavatsky, e não considera legítima a responsabilização da Teosofia pelo desastre nazista, e Maroney a coloca contra o seu contexto histórico, quando o racismo era um lugar-comum, e diz que seria demais esperar que uma autora europeia do século XIX, por mais avançada que fosse, se furtasse inteiramente à influência da cultura de seu tempo.

Autores como Spring e Jayawardena, por outro lado, vão mais longe e discordam frontalmente das tentativas de se ler a teoria evolutiva e racial de Blavatsky como racista com o sentido que esta palavra tem hoje, e lembram que entre os objetivos fundamentais da Sociedade Teosófica, declarados em seus Três Princípios, está o de promover uma fraternidade universal sem distinção de sexo, credo, cor ou casta, e dizem que a atuação pública de Blavatsky e dos teosofistas em geral seguiu e tem seguido essas linhas.

Allan Kardec também faz referência ao atraso evolutivo dos indígenas, numa clara referência de que os espíritos nascem ingênuos, inocentes, ignorantes e são convidados a crescer sucessivamente reencarnação após reencarnação.

Nenhum comentário:

Postar um comentário