sexta-feira, 31 de outubro de 2014

1589-O Espiritismo no Brasil


O Espiritismo e a ditadura

O Espiritismo definitivamente é uma doutrina democrática ainda que eventualmente alguns de seus expoentes não correspondam a este ideal. E por ser uma doutrina ligada à moral elevada e a princípios éticos, associados à democracia representativa, quando não há democracia, vêm os dias de chumbo também para a prática do Espiritismo.

A década de 1930 começara com a fundação em SP da União Federativa Espírita, filiada à FEB e com o lançamento do primeiro programa espírita de rádio, em Araraquara, por iniciativa de Cairbar Schutel, mas começava também o período de governo de Getúlio Vargas, sem a participação do Congresso e com pouca participação do Poder Judiciário.

Quando da implantação do Estado Novo, em 1937, a repressão ao espiritismo aumentou. A própria FEB foi fechada pela polícia em 27 de outubro e reaberta três dias depois por ordem do então Ministro da Justiça, Dr. José Carlos de Macedo Soares.

No ano seguinte (1938) mais uma vez é reafirmada a extraordinária vocação do Brasil quando veio a público a obra “Brasil, Coração do Mundo e Pátria do Evangelho”, através da psicografia de Francisco Cândido Xavier, atribuída ao espírito de Humberto de Campos.
Mais vez a esta obra de Humberto de Campos (espírito) narra a formação do Brasil sob a perspectiva espírita, pela qual as entidades espirituais teriam influenciado os principais eventos da história Pátria, a começar pelo inexplicável "desvio" da frota de Cabral ao afastar-se da África e dirigir-se para a América e também fazendo referência à abolição da escravatura, profetizando-lhe um lugar de destaque entre a Cristandade.Nenhum outro país do planeta tem tanta diversidade de religiões, etnias, culturas, costumes, línguas e tão elevado número de adeptos aos temas da espiritualidade.

Nenhum outro país do planeta produziu tantas obras de fundo espírita sejam livros, filmes, séries de tevê, revistas, jornais, blogs de internet, etc.

Há mais de um século o Espiritismo reforça sua afirmação entre os brasileiros, notadamente depois que Chico Xavier deu ao Espiritismo Brasileiro um toque de ecumenismo, próximo até do catolicismo.
No ano de 1939 realizou-se o I Congresso Brasileiros de Jornalistas e Escritores Espíritas e dois anos mais tarde era fundada a Sociedade de Medicina e Espiritismo do Rio de Janeiro, precursora da Associação Médica Espírita do Brasil.

A década encerrou-se com a reforma do Código Penal, que deixou de criminalizar explicitamente a prática do Espiritismo (1940). Ainda assim, no ano seguinte, todos os centros espíritas da então capital federal foram suspensos por portaria da polícia, do mesmo modo que todos os templos afro-brasileiros também foram atingidos.
Com o fim do Estado Novo, a Constituição Brasileira de 1946 garantiu ampla liberdade religiosa no país.

No contexto da II Grande Guerra, a partir de 1943, o escritor Monteiro Lobato realiza sessões espíritas em sua residência. Essas sessões, que tinham como médium a sua esposa, Dona Purezinha, eram realizadas com o método do copo e foram registadas pelo próprio escritor e publicadas postumamente na obra “Monteiro Lobato e o Espiritismo”. No período de 1946 e 47 chegaram inclusive a ser realizadas sessões na Argentina, durante viagens do escritor para aquele país.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

1588-O Espiritismo no Brasil


Os avanços da primeira metade do século XX

Apesar dos percalços trazidos para a vida do planeta, Brasil no meio, com os episódios de Canudos, Revolta da Armada Brasileira, 1ª Grande Guerra, Contestado, 2ª Grande Guerra, todos episódios muito bem explicados nos níveis espirituais, o século XX foi de crescimento para o Espiritismo Brasileiro. Registraram-se em síntese, entre outros, os seguintes principais eventos:

·         união dos Centros da União Espírita de Propaganda do Brasil e Sociedade Acadêmica Deus, Cristo e Caridade;

·         em 1904 estavam em circulação 19 periódicos dedicados ao Espiritismo no Brasil;

·         absolvidos em 1905 o médium Domingos de Barros Lima Filgueiras e o presidente (Leopoldo Cirne, da FEB) pela acusação de exercício ilegal da medicina;

·         a 1º de maio de 1912 passa a circular o semanário Aurora, dirigido por Inácio Bittencourt, que em 1919 funda e dirige também o Abrigo Tereza de Jesus, tradicional casa assistencial que ainda existe;

·         por divergências entre os líderes, a FEB racha e é fundada a Liga Espírita do Brasil, em 1926, liderada por Aurino Barbosa Souto;

·         um dos fatos principais de 1923 foi a adesão de Coelho Neto ao Espiritismo, o que se deu por haver ele participado, na extensão de seu telefone, de uma conversa entre sua neta falecida em tenra idade com sua mãe, intermediada por uma médium;

·         nesse mesmo ano, o serviço de mediunidade receitista da FEB atingiu o seu mais alto número de consultas, com 400 mil atendimentos;

·         Eurípedes Barsanulfo funda em São Paulo o Colégio Allan Kardec;

·         Começa circular em São Paulo o Jornal Verdade e Luz, sob a inspiração do espírito Batuíra;

·         fundam-se novos centros em Pernambuco e, em Minas Gerais, no Triângulo Mineiro, o que viria ser, mais tarde, a Casa de Trabalho de Chico Xavier, com a participação de Eurípedes Barsanulfo e Cairbar Schutel;

·         ainda em Minas Gerais, inicia-se em 1916 a psicografia por intermédio da médium Zilda Gama, de mensagens assinadas pelo espírito Victor Hugo;

·         em 1926 a médium Yvone do Amaral Pereira recebe mensagens de espíritos suicidas de todo o Brasil, trazendo para o Centro Espírita de Larvas (MG) pessoas de todo o Brasil;

·         no ano seguinte, na residência dos Xavier, em Pedro Leopoldo, organiza-se o Centro Espírita Luiz Gonzaga presidido pelo pai de Chico Xavier, José Cândido;

·         Em Matão (SP) é lançada a Revista Internacional de Espiritismo, sob a direção de Cairbar Schutel (1925);

·         Em Goiás, é fundado um centro espírita na Fazenda Palmella, que mais tarde daria origem ao município de Palmelo, hoje conhecida como Cidade Espírita;

·         vem desta época as primeiras grandes dissidências entre o movimento espírita e a Umbanda em alguns centros como Niterói e Santos e também choques entre o Espiritismo e a Psiquiatria;

·         Henrique Roxo, psiquiatra, (1877-1969), em seu "Manual de Psiquiatria" (1921) dedica um capítulo inteiro ao espiritismo, reproduzindo o discurso médico e católico da época, ainda marcado pelo escravismo que remetia à crença, no País, a resquícios do fetichismo africano, observando: "Vê-se muito frequentemente o que se observa no cinema, nessas danças de negros, com seus movimentos extravagantes, suas contorções e seus gestos";

·         os profissionais formados na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro consideravam o espiritismo como uma patologia contagiosa, capaz de incapacitar grandes contingentes humanos para o trabalho. Devia, por essa razão, ser reprimida pelas autoridades e erradicada por meio de campanhas de saúde pública;

·         apelava, Henrique Roxo, às autoridades governamentais e à Igreja Católica para sensibilizarem a opinião pública e os poderes constituídos, propondo mesmo uma "Semana antiespirita" à semelhança da então existente "Semana antialcoólica", para mobilizar a sociedade contra esse mal;

·         no ano de 1931 Murilo de Campos e Leonídio Ribeiro publicam o livro anti-espiritismo "O Espiritismo no Brasil", buscando relacionar o Espiritismo com a Medicina, e onde se lê: "A prática do espiritismo é um problema de polícia, é crime contra o código penal;

·         em 1931 o espírito Emmanuel se apresenta ao médium Francisco Cândido Xavier e iniciam um trabalho conjunto que se estenderia até quase ao fim da vida do médium. No ano seguinte a FEB lançou a obra “Parnaso de Além-Túmulo” (6/07/32), pela psicografia de Chico, com grande repercussão na imprensa brasileira, como o tivera, em Portugal, no início do século, a coletânea “Do País da Luz”, pela mediunidade de Fernando de Lacerda;

·         a partir de Francisco Cândido Xavier o Espiritismo no Brasil ganharia novos conceitos e novos espaços;

·         paralelamente vão surgindo pessoas e instituições que construíram a nova face do Espiritismo Brasileiro. Mas, nem tudo era rosa.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

1587-O Espiritismo no Brasil


 
E veio o materialismo positivista

A iniciativa republicana e o período ensejado pelos adeptos da República contaram com o maior entusiasmo e apoio dos espíritas, mas dentro dos ideais republicanos permeava a doutrina de Augusto Comte, chamada Positivismo, profundamente materialista contando com muitos adeptos dentro do governo.

A primeira Constituição Republicana, de 1891, foi antecedida pelo Decreto nº 847, que promulgou o Código Penal. Nele a prática de magia e curandeirismo ficou associada ao Espiritismo, como reza o seu artigo 157: "É crime praticar o espiritismo, a magia e seus sortilégios, usar de talismãs e cartomancias para despertar sentimentos de ódio ou amor, inculcar cura de moléstias curáveis ou incuráveis, enfim, para fascinar e subjugar a credulidade pública. Pena: prisão celular de 1 a 6 meses e multa de 100$000 a 500$000" (a moeda dessa época se chamava réis).

Os espíritas protestaram junto a Campo Sales, então Ministro da Justiça, sem sucesso. O relator do Código, João Batista Pinheiro, limitou-se a afirmar que o texto referia-se à prática do chamado "baixo espiritismo", referindo à espiritualidade praticada pela população negra.

Em 22/12/1890, Bezerra de Menezes, enquanto presidente do "Centro da União Espírita do Brasil", oficiou ao Presidente da República, Marechal Deodoro da Fonseca, acerca do novo Código Penal. Preocupado com possíveis focos de resistência ao regime, o Governo autorizou a polícia a invadir reuniões e residências à procura de opositores. Como consequência, em 1891, na cidade do Rio de Janeiro, vários espíritas chegaram a ser detidos. Perseguidos e proibidos de se reunirem, os poucos centros espíritas então existentes viram-se na contingência de fechar suas portas a fim de não incorrer nas penas da Lei. A própria FEB foi obrigada a suspender a publicação de sua revista, o "Reformador" naquele momento.

É nesse contexto, entretanto, que Bezerra de Menezes funda o Grupo Espírita Regeneração (18/02/91), a "Casa dos Benefícios", como ficou conhecido.

No auge da segunda Revolta Armada, em 1893, quando a Marinha se rebelou e inclusive declarou Desterro/SC capital de um país independente do Brasil, o Governo (já então) de Floriano Peixoto (vice de Deodoro) endureceu ainda mais o regime perpetrando perseguições, prisões e até execuções. Os espíritas apresentaram um novo protesto ao Congresso Nacional contra o Código Penal, uma vez mais em vão, de vez que a comissão revisora do Código não atendeu às reivindicações formuladas. Vitimado por dificuldades externas e internas, o Reformador deixou de circular no último trimestre daquele ano. O "Grupo Espírita Fraternidade", após ter alterado os seus estatutos passando a denominar-se "Sociedade Psicológica Fraternidade" e, como a Revolta da Marinha havia acabado, em dezembro desse mesmo ano, Bezerra de Menezes encerrou a série "Estudos Filosóficos" que vinha publicando no O Paiz.

No ano seguinte (1894)), com o abrandamento da situação política, Augusto Elias, em conjunto com Fernandes Figueira e Alfredo Pereira, inicia uma campanha financeira para subsidiar os projetos da FEB. O Reformador voltou a circular.

Os historiadores do movimento registam que, à época, vivia-se uma cisão ideológico-doutrinária entre os chamados "laicos" ou "científicos", representados pelo Prof. Angeli Torteroli, que defendiam o aspecto científico do espiritismo; e os "místicos", representados pelo Dr. Bezerra de Menezes, que defendiam o aspecto religioso. Desse modo, em 04/04/94 o "Centro da União Espírita" muda o seu nome para Centro da União Espírita de Propaganda no Brasil, sob a direção do Prof. Angeli Torteroli. À sua Diretoria pertenciam nomes como os de Júlio César Leal e Bezerra de Menezes, que dela se retirou em 1896, diante da campanha de insultos pessoais que contra ele se desencadeara, por ser considerado um místico, que não se dava ao trabalho de raciocinar.

Diante da renúncia de Júlio César Leal à presidência da FEB, após sete meses no cargo, devido à profunda crise administrativo-financeira e ideológica vivida pela instituição, Bezerra de Menezes, a 3 de agosto de 1895, aceitou assumir mais uma vez o cargo. No exercício de suas funções, imprimiu orientação evangélica aos trabalhos da instituição. Permaneceu no cargo até falecer, em 1900. Bezerra de Menezes é, hoje, um dos mais respeitados nomes de brasileiros ligados ao espiritismo.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

1586-O Espiritismo no Brasil


É pra frente que se anda

As perseguições, que tinham por trás dos panos o dedo do arcebispo do Rio de Janeiro, serviram na verdade, para fortalecer o movimento.

É nesse contexto que, no dia 6 de setembro de 1881, teve lugar o primeiro Congresso Espírita no Brasil, promovido pela Sociedade Acadêmica. No mesmo dia, uma comissão de espíritas foi recebida pelo Imperador Pedro II, a quem entregou em mãos, um documento com minuciosa exposição dos fatos e o pedido de que se fizesse justiça. O Imperador, na ocasião também teria afirmado: "Eu não consinto em perseguição". Duas semanas depois, a 21, a mesma comissão retornou ao palácio a fim de conhecer da resposta às considerações emitidas na exposição que fora entregue ao Imperador. Este afirmou que enviara os papéis ao Ministro do Império para dar solução ao caso, e tornou a afirmar, com certo ar de graça: "Ninguém os perseguirá. Mas...não queiram agora ser mártires e nem procurar algozes".

Embora a ordem policial jamais tenha sido oficialmente revogada, também não teve prosseguimento. Finalmente, em Ofício de 10 de janeiro de 1882, dirigido a S.M. D. Pedro de Alcântara, Imperador do Brasil, a Diretoria da Sociedade Acadêmica manifestou o seu júbilo "pelo começo da tolerância" em relação àquela Sociedade, "sinal evidente de que estão terminadas as perseguições encetadas contra o Espiritismo e os espíritas".

Em consequência do Congresso Espírita veio a ser fundada, a 03/10/1881, na "Sociedade Acadêmica", o Centro da União Espírita do Brasil, pelo professor Afonso Argeli Torteroli. A novel instituição tinha a proposta de congregar e orientar as sociedades espíritas a nível nacional.

Entre os seus associados contava-se o nome de Lima e Cirne. Esta Sociedade lançou, em janeiro de 1881, uma revista, o segundo periódico espírita no Rio de Janeiro, tendo nele colaborado o Major Ewerton de Castro.

Para marcar o primeiro aniversário da notícia sobre a repressão aos espíritas, foi aberta, a 28/08/1882, a I Exposição Espírita do Brasil, na sede da Sociedade Acadêmica, à Rua da Alfândega nº 120, sobrado. O programa comemorativo, organizado pela própria Sociedade, intitulava-se "Festa do Espiritismo no Brasil" e estendeu-se até 3 de setembro. Os seus visitantes tiveram a oportunidade de apreciar variados trabalhos mediúnicos, como psicografias em caracteres normais, taquigráficos e telegráficos, também em línguas estrangeiras (até orientais), psicopictografias, cópias da correspondência da Sociedade Acadêmica com associações espíritas estrangeiras, jornais e revistas espíritas da Europa e da América, obras espíritas diversas, retratos de vultos do Espiritismo de vários países e, também livros e jornais contrários à Doutrina. Na ocasião foi lançado ainda o jornal "O Renovador", pelo Major Salustiano José Monteiro de Barros e pelo Prof. Afonso Angeli Torteroli. Poucos meses depois, surgiria o "Reformador", sob a direção de Augusto Elias da Silva (21/01/1883). Para a ideia da publicação deste último pesou a Carta Pastoral combatendo o espiritismo, publicada em 1882 pelo arcebispo do Rio de Janeiro, que motivou respostas por parte do médico Antônio Pinheiro Guedes.

Será Elias da Silva quem promoverá, ao final desse ano (27 de setembro de 1883), em sua própria residência, a reunião preparatória de rearticulação do movimento no Município da Corte, dada a manifesta incompreensão entre os componentes das diversas entidades espíritas de então: o "Centro da União Espírita do Brasil", o "Grupo dos Humildes", o "Grupo Espírita Fraternidade" e a "Sociedade Acadêmica Deus, Cristo e Caridade". Como fruto desse entendimento, veio a ser fundada a 01/01/1884, a Federação Espírita Brasileira, considerada como a "Casa de Ismael", com o objetivo de federar todos os grupos através de "um programa equilibrado ou misto" e que difundisse por todos os meios o Espiritismo, principalmente pela imprensa e pelo livro.

A providência trouxe para o Espiritismo mais visibilidade, organização e adesão. Realizaram-se conferências públicas inicialmente modestas e com o tempo grandemente frequentadas. É desse tempo a adesão do famoso médico (militar e escritor) carioca Adolfo Bezerra de Menezes (17/08/1885), o que ocorreu numa cerimônia com a presença de cerca de duas mil pessoas.

Nos agitados dias que se estenderão da Abolição da Escravatura no Brasil (1888) até à proclamação da República (1889), destacam-se:

·         a série de artigos sobre a Doutrina Espírita publicada em O Paiz, periódico de maior circulação da época, com o nome de "Estudos Filosóficos - Espiritismo", cujos artigos saíram regularmente aos domingos, no período de outubro 87 a dezembro 93, assinados sob o pseudónimo "Max", na verdade, Allan Kardec em espírito;

·         a decisão de Bezerra de Menezes - que por meio de artigos e conselhos pregava a necessidade de maior compreensão entre os espíritas - depois de muito instado, assumir a direção da FEB, sucedendo a Ewerton Quadros, que a administrara de 84 a 88, e que, como militar, fora transferido para a então Província de Goiás;

·         a visita do médium de efeitos físicos estadunidense Henry Slade (1835-1905) ao Brasil;

·         é neste momento que se reorganiza e se instala nas dependências da FEB o Centro da União Espírita do Brasil em sua segunda fase, com Bezerra de Menezes como presidente sucedido por Elias da Silva (1893). Foi ainda Bezerra de Menezes quem incorporou à FEB o "Grupo dos Humildes", depois denominado "Grupo Ismael";

·         após a proclamação da República, o Grupo Espírita Fraternidade viria a incorporar-se também à FEB;

·         figuras proeminentes do movimento republicano, como Joaquim Saldanha Marinho (1816-1895) e Quintino Bocaiuva (1836-1912) passaram a ter simpatia pela doutrina espírita;

·         no meio literário destacam-se, como crítico, Machado de Assis (1839-1908) e como aliados o espírita Manuel de Araújo Porto-Alegre (1806-1879) - que realizou sessões de psicografia em Paris e escreveu uma peça teatral ("Os Voluntários da Pátria"), onde estão presentes elementos espíritas, e ainda como simpatizantes Castro Alves (1847-1871) - que pretendeu escrever uma obra de cunho espírita que seria o poema final de "Os Escravos", entre outras personalidades da época;

·         inicia-se a expansão do Espiritismo para outros Estados como Pernambuco e Santa Catarina.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

1585-O Espiritismo no Brasil


Entidades, lideranças, autoridades

Na velha capital, a primeira instituição espírita a ser fundada foi a Sociedade de Estudos Espiríticos – Grupo Confúcio, em 1873. Conforme previsto em seus estatutos, devia seguir os princípios e as formalidades expostos em O Livro dos Espíritos e em O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec. As suas atividades incluíam ainda o receituário gratuito de homeopatia e a aplicação de passes magnéticos aos necessitados. A sua maior virtude, entretanto, foi a de promover a tradução das obras básicas de Kardec para a língua portuguesa.

A reação na imprensa da época expressa-se, por exemplo, num comentário veiculado nas páginas do Jornal do Commercio, acusando o Espiritismo de fabricar "loucos" e pedindo a interferência da polícia. Concluía: "É uma epidemia mais perigosa que a febre amarela..." (Jornal do Commercio, 13 de dezembro de 1874).

Em 1875, o Grupo Confúcio lançou o segundo periódico espírita do País (primeiro do Rio de Janeiro), a “Revista Espírita”, dirigida por Antônio da Silva Neto. A este grupo estiveram ligados nomes expressivos como o de Joaquim Carlos Travassos que, ainda em 1875, apresentou a primeira tradução de "O Livro dos Espíritos" para a língua portuguesa ao médico Bezerra de Menezes.

O Grupo extinguiu-se em 1876, dando lugar à Sociedade de Estudos Espíritas Deus, Cristo e Caridade, sob a direção de Francisco Leite de Bittencourt Sampaio. No seu programa doutrinário, em que a obra codificada por Allan Kardec era parte essencial, compreendia o estudo da obra Os Quatro Evangelhos, de Jean-Baptiste Roustaing.

Mas, as pessoas pensam, decidem, teimam, se desentendem. Foi o que aconteceu ali. Divergências ideológicas entre os que preconizavam um espiritismo “científico” e outros que sustentavam um espiritismo "místico", conduziriam a dissidências na Sociedade de Estudos. Inicialmente, em 1877, um grupo se separou para constituir a Congregação Espírita Anjo Ismael (20 de maio)). No ano seguinte, outro grupo constituiu o Grupo Espírita Caridade (8 de junho). Ambos tiveram efêmera duração, tendo desaparecido já em 1979, como se a espiritualidade estivesse a avisar “não é por aí”. Nesse mesmo ano, a Sociedade de Estudos deu lugar à Sociedade Acadêmica Deus, Cristo e Caridade (3 de outubro de 1879), atendendo à orientação do grupo "cientificista", contrário ao caráter apenas religioso da doutrina. Em consequência, um último grupo, sob a liderança do médium João Gonçalves do Nascimento, de acordo com a tradição, sob a inspiração do próprio espírito Ismael, constituiu uma nova agremiação que se denominou Grupo Espírita Fraternidade (1880). Mais tarde o grupo veio a chamar-se "Grupo Ismael", vindo a integrar-se à Federação Espírita Brasileira, que existe até aos nossos dias.

Também em 1880, Augusto Elias da Silva, futuro fundador do Reformador (jornal) e da Federação Espírita Brasileira (FEB), funda a União dos Espíritas do Brasil, que passa a presidir.

Sobre esse conturbado momento, referiu o pesquisador Pedro Richard:

"Por essa época ocorreu um fato bem significativo: os espíritas, ou por discordância de ideias, ou por criminosa pretensão, criaram considerável número de grupos, cujos membros, em sua maioria, desconheciam os preceitos mais rudimentares da doutrina. Qualquer espírita formava um grupo só para satisfazer a vaidade pessoal de dar-lhe por título um nome que ele venerava. De grupos produtivos apenas se contavam alguns, em número por demais reduzido".

No ano seguinte (1881), como um desdobramento do "Grupo Fraternidade" foi fundado o Grupo Espírita Humildade e Fraternidade, com apoio de Francisco Raimundo Ewerton Quadros, que viria a ser, anos mais tarde, um dos fundadores da FEB e seu primeiro presidente (7 de junho). O ano foi marcado, entretanto, pelo início da perseguição oficial ao Espiritismo (28 de agosto). Os periódicos cariocas O Cruzeiro e Jornal do Commercio anunciaram em suas páginas, em furo de reportagem, a ordem policial que proibiu o funcionamento da "Sociedade Acadêmica Deus, Cristo e Caridade" e dos centros que lhe eram filiados, tornando passíveis de sanções penais os espíritas que contrariassem as disposições policiais. Nesse mesmo dia, a Sociedade reuniu-se em sessão extraordinária a fim de tomar providências defensivas caso a referida notícia fosse confirmada. Ainda nesse mesmo dia a Diretoria da Sociedade Acadêmica compareceu perante o Ministro da Justiça, que a recebeu com muita cordialidade, declarando que deveria ter havido algum equívoco e que não consentiria na perseguição a ninguém.

Entretanto, no dia 30 de agosto, um Oficial de Justiça apresentou à Sociedade Acadêmica a contrafé do mandado de intimação do 2º Delegado de Polícia do Município da Corte, mandado que suspendia e vedava as reuniões da dita Sociedade, alegando que ela não se achava legalmente constituída. De imediato, a Diretoria da Sociedade Acadêmica expediu ofícios ao Chefe de Polícia e ao Ministro da Justiça, Conselheiro Manuel Pinto de Souza Dantas, demonstrando a arbitrariedade daquela medida. Uma comissão, da qual faziam parte o Dr. Antônio Pinheiro Guedes, Carlos Joaquim de Lima e Cirne e o Dr. Joaquim Carlos Travassos, entrou em contato com o Chefe de Polícia, que, apesar de tê-los recebido com amabilidade, nada resolveu, dando a entender que a ordem vinha de autoridade superior. E vinha, como veremos.

domingo, 26 de outubro de 2014

1584-O Espiritismo no Brasil


 
A liderança das nossas capitais

A fundação de Brasília como capital do Brasil se deu por intermédio de uma visão espiritual do padre italiano canonizado como São João Bosco (1815-1888), e levada a sério por espíritas brasileiros que ajudaram a redigir a Constituição do Brasil de 1891. Ali já estava expresso que a Capital Federal seria transferida para o Planalto Central. JK, candidato a presidente, em 1955, assumiu consigo mesmo a missão de construí-la. Hoje, Brasília é um dos mais importantes centros espirituais do planeta.

Mas, vamos ao papel da outra capital, anterior, Rio de Janeiro. Nela, então capital do Império do Brasil, as primeiras sessões espíritas foram realizadas por franceses, muitos deles exilados políticos do regime de Napoleão III da França (1852-1870), na década de 1860. Um desses pioneiros foi o jornalista Adolphe Hubert, editor do periódico "Courrier du Brésil”; outro foi o professor Casimir Lieutaud e também a médium psicógrafa, Madame Perret Collard.

Numa época em que a França era o país mais importante da Europa, os franceses se aproveitavam para estender seus interesses além mar. Em 1860, o professor Casimir Lieutaud, fundador e diretor do Colégio Francês no Rio de Janeiro, publicou a tradução, em língua portuguesa, das obras “Os tempos são chegados” e “O Espiritismo na sua mais simples expressão”, de Allan Kardec.

Os tempos haviam chegado, sim, ao menos para alertar as pessoas para o fato de que a vida do universo é dirigida por Espíritos, assim como a vida humana está atrelada ao espírito, que sobrevive à matéria.

O primeiro periódico a publicar trechos traduzidos das obras de Allan Kardec foi o “A Verdadeira Medicina Física e Espiritual associada à Cirurgia: jornal científico sobre as ciências ocultas e especialmente de propaganda magnetotherápica”, publicado de janeiro a abril de 1861 pelo Dr. Eduardo Monteggia, não por que se considerasse espírita, mas sim por ser um democrata que acreditava numa medicina além do campo biológico.

No mesmo período, o Jornal do Commercio, tradicional periódico da então capital brasileira, em artigo publicado em 23 de setembro de 1863, na seção "Crónicas de Paris", abordou os espetáculos acerca dos espíritos, então populares nos teatros de Paris e, em seguida, passava a tecer comentários em torno do Espiritismo. Esse artigo é citado pela “Revista Espírita”, onde Kardec comenta que o autor do artigo não se aprofundou no estudo do Espiritismo, de cuja parte teórica ignorava os processos. Elogia, porém, o comportamento sensato diante dos fatos para a explicação dos quais não levantara teorias temerárias. "Pelo menos" - referiu Kardec - "ele não julga pelo que não sabe". E complementa: "Verificamos, com satisfação que a ideia espírita faz progressos sensíveis no Rio de Janeiro, onde ela conta com numerosos representantes, fervorosos e devotados. A pequena brochura ‘O Espiritismo em sua mais simples expressão’, publicada em língua portuguesa, contribuiu, não pouco, para ali espalhar os verdadeiros princípios da Doutrina".

O Rio de Janeiro assumia definitivamente sua posição de capital líder do movimento espírita no Brasil. Em seguida surgiriam as entidades e as lideranças que se tornaram mais conhecidas.

sábado, 25 de outubro de 2014

1583-O Espiritismo no Brasil


 
O aporte dos mestres

Não resta dúvida que fluíram para as terras brasileiras, onde já existiam espíritos de alta hierarquia entre os indígenas, grandes mestres vindos de outros continentes e notadamente, inicialmente, para a Bahia, procedentes da África, o que faz da Bahia uma região líder do espiritualismo universal. Mas, não quero ir em frente sem um registro: entre os indígenas dos dez séculos anteriores ao descobrimento do Brasil, estavam alguns dos grandes mestres espirituais do extinto Continente de Atlântida (será tema para uma série).

Entenda prezado leitor, que a espiritualidade indígena, africana, kardecista ou budista e hinduísta em nada diferem uma da outra. Para cada nível de consciência há um padrão de serviço espiritual, que vai do um aos mais elevados padrões. Sempre que algumas pessoas se apressam em separar isto daquilo, o que se dá é preconceito e muitas vezes com fundo racista, inclusive.

Afirma-se que a história do espiritismo (branco) no Brasil remonta ao ano de 1845, quando, no então distrito de Mata de São João, na então Província da Bahia, em função de trabalhos espíritas teriam sido registradas as primeiras manifestações dos espíritos e as primeiras reações contrárias a esta prática. De acordo com Divaldo Pereira Franco, o ano teria sido 1849 (a data pouco importa), tendo se caracterizado por um confronto entre elementos da Igreja Católica e espíritas (embora Kardec ainda não tenha publicado seu primeiro livro – O Livro dos Espíritos) com a interveniência de força policial.

Porém, note, leitor, que em 1845 ou 1849, o Brasil tinha cerca de 200 anos de escravidão em andamento e nas senzalas ou quilombos nossos negros lidavam diretamente com sua espiritualidade que era, certamente, trabalho espírita, porém negro, como ainda pensam alguns. Havia, em 1845/49, séculos de espiritualidade do chamado período do povo da Terra das Araras Vermelhas, pioneiros habitantes do continente migrantes da Atlântida e ancestrais das posteriores nações indígenas, principalmente do Leste da Terra de Santa Cruz. Esta história espiritual não é menor nem desprezível pelo simples fato de vir dos povos primitivos. Prometemos e vamos abrir uma série com este tema.

O fenômeno das mesas girantes, no Brasil, foi noticiado, pela primeira vez,  pelo jornal “O Cearense”, no ano de 1853.

Em Salvador, capital da Bahia, foi fundado em agosto de 1857 o Conservatório Dramático da Bahia, do qual participavam, entre outras personalidades, Rui Barbosa e Luís Olímpio Teles de Menezes, influentes senhores do Brasil imperial. Foi neste grupo que Teles de Menezes travou contato com os estranhos fenômenos, vindo a corresponder-se com espíritas franceses.

Nas páginas da Revista Espírita, sob o título "O Espiritismo no Brasil", Kardec informou aos seus leitores que o periódico “Diário da Bahia", em suas edições de 26 e 27 de setembro de 1865, trouxera dois artigos, tradução em língua portuguesa dos que haviam sido publicados, seis anos antes, pelo Dr. Amedée Déchambre (1812-1886), coordenador de publicação do “Ditionaire Encyclopédique des Ciences Médicales”, onde a medicina já aceitava lidar com a questão espiritual. Mas, especificamente neste caso, os artigos eram transcrições da “Gazette Médicale”, onde aquele médico fizera uma exposição conturbada do assunto, referindo, por exemplo, que o fenômeno das mesas girantes e falantes já havia sido referido pelo poeta grego Teócrito (300-250 a.C.), pelo que concluía que, não sendo novo esse fenômeno, não tinha nenhum fundo de realidade. Na realidade, apenas aumentava o interesse popular, pois Pitágoras, antes de Teócrito, também tratou da questão espiritual.

Repito: Kardec não é o criador do espiritismo e sim o sei codificador. O espiritismo estava presente em egípcios, indianos, chineses, persas e judeus nos vários milênios anteriores a Cristo.

"Lamentamos que a erudição do Sr. Déchambre" - comentou Kardec -, "não lhe tenha permitido ir mais longe, porque teria encontrado o fenômeno no antigo Egito e nas Índias." (Op. cit., v. VIII, p. 334-335). Os próprios espíritas da Bahia refutaram imediatamente esses artigos no próprio "Diário da Bahia", na edição de 28 de setembro. A carta que antecedeu a refutação, dirigida à redação da folha baiana e assinada por Teles de Menezes, José Álvarez do Amaral e Joaquim Carneiro de Campos, leva a supor que o referido jornal só publicara o trabalho do Dr. Déchambre por julgar houvesse nele uma apreciação exata da Doutrina Espírita.

A refutação consistiu num extenso extrato da introdução de “O Livro dos Espíritos”, o que levou Kardec a afirmar: "As citações textuais das obras espíritas são, com efeito, a melhor refutação às desfigurações que certos críticos fazem sofrer a Doutrina." (Op. cit., p. 336. Apud Zêus Vantuil e Francisco Thiesen. Allan Kardec - Pesquisa Bibliográfica e Ensaios de Interpretação. Rio de Janeiro: FEB.)

Este episódio é contemporâneo da fundação, naquele mesmo ano (1865), em Salvador, do Grupo Familiar do Espiritismo, por Teles de Menezes. Será este mesmo personagem que orientará, nesse ano, a primeira sessão espírita registrada nos anais do Espiritismo (branco) no País, a 17 de setembro.

No ano seguinte (1866), na cidade de São Paulo, a Tipografia Literária publicou “O Espiritismo reduzido à sua mais simples expressão”, de Kardec, sem indicação de tradutor.

Também foi na Bahia que se registou o início da reação da Igreja Católica através da pastoral "Contra os erros perniciosos do Espiritismo", de autoria do então titular da Arquidiocese de São Salvador da Bahia, Dom Manuel Joaquim da Silveira (16 de junho de 1867). Mas, nas senzalas onde milhares de escravos baianos ficavam à disposição dos senhores de engenhos, cafezais e cacauais, todas as noites os espíritos eram invocados bem à margem do olho gordo do arcebispo.

Em julho de 1869, em Salvador, iniciou-se a publicação da revista “O Écho d’Além Túmulo”, sob a direção de Teles de Menezes.

Mais tarde, em novembro de 1873, fundou-se em Salvador a Associação Espírita Brasileira, continuação do "Grupo Familiar do Espiritismo" e, no ano seguinte (1874), na mesma cidade, alguns membros dessa Associação fundaram o "Grupo Santa Teresa de Jesus".

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

1582-O Espiritismo no Brasil


Antecedentes

Com a eclosão dos (para a época) modernos fenômenos espíritas em Hydesville, nos Estados Unidos, pela mediunidade das irmãs Fox (1848)), em pouco tempo a novidade (para a época) se propagou pela Europa onde, na França, as chamadas “mesas girantes” também se tornavam um modismo popular. Entre os franceses esse tipo de fenômeno, em 1855, despertou a atenção do pedagogo Hippolyte Léon Denizard Rivail (que escolheu para seu pseudônimo Allan Kardec), conforme já divulgamos na série sobre sua biografia.

No Brasil, as ideias que darão origem ao espiritismo remontam às primeiras experiências com o chamado "fluido vital" (magnetismo animal aplicado à cura de doenças ou mesmerismo – referindo-se às experiências do médico Franz Anton Mesmer) por parte dos praticantes da homeopatia, nomeadamente os médicos Benoît Jules Mure, natural de França, e João Vicente Martins, de Portugal, que chegaram ao país em 1840 e aplicavam estes métodos em seus clientes.

Entre as personalidades que se interessaram pelo estudo do "fluido vital" destacam-se José Bonifácio de Andrada e Silva, o patriarca da Independência, também cultor da homeopatia, e Mariano José Pereira da Fonseca, marquês de Maricá, homem influente no Império que, em 1844, publicou uma obra com ensinamentos de fundo espírita (este nome ainda não existia de fato).

O grupo mais antigo desses estudiosos e praticantes constituiu-se no Rio de Janeiro, então capital do Império do Brasil, em torno da figura do médico e historiador Alexandre José de Mello Moraes, sendo integrado por Pedro de Araújo Lima (Marquês de Olinda), Bernardo José da Gama, visconde de Goiana, José Cesário de Miranda Ribeiro (visconde de Uberaba) e outros vultos do segundo reinado brasileiro. Bem como depois se consolidou, o espiritismo chegou antes nas camadas mais nobres e ricas, certamente, mais intelectualizadas e não tanto frequentadoras das igrejas.

A história do espiritismo no Brasil pode ser dividida em três grandes etapas: o pioneirismo na Bahia; o desenvolvimento posterior no Rio de Janeiro; e a contribuição de Chico Xavier, como detalharemos.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

1581-O Espiritismo no Brasil


Introdução

Você acha que foi fácil lidar com o esperanto no mundo? E com a ecologia? Bem, poderíamos alinhar uma série de outras perguntas para entender junto com você, querido(a) leitor(a), que tudo o que é novo é batalhado. Foi assim com o cristianismo daqueles pioneiros apóstolos e discípulos de Jesus nos séculos I, II, III da Era Cristã. E note que Moisés teve enorme dificuldade para organizar o povo hebreu em torno daquela que hoje é a religião judaica. Como se pode ver, as tábuas da lei, pelas quais se tornaram conhecidos os Dez Mandamentos, base do comportamento humano para aqueles tempos (e ainda hoje), foi um ato apresentado com enormes rejeições quando Moisés as deu como ditadas por Deus, escritas a fogo sobre a face de lousas obtidas no sopé do Monte Sinai.

Quantos anos os primeiros cientistas astrônomos ficaram insistindo no tema heliocêntrico até desmanchar a ideia de que a Terra era o centro do nosso sistema?

Com o espiritismo não foi diferente. As sociedades alcançadas pela Doutrina chamada Kardequiana ou Kardecista, eram fortemente influenciadas por uma poderosa organização institucional com ramificações até nas pequenas vilas, chamada Igreja Católica, cujos métodos de convencimento haviam passado pelo uso da força militar como ocorreu com as Cruzadas e pelo uso da força do Tribunal, como foi com a Inquisição, temas já abordados neste blog em outras séries. Quando Kardec interessou-se pelos fenômenos espíritas já não havia a Inquisição, mas haviam os hábitos de intimidação, pressão, denúncia, e haviam autoridades muito dispostas a colaborar com os bispos e padres.

Esta serie vai contar a história da chegada a da expansão do espiritismo no país que a espiritualidade maior anunciou ser a Pátria do Evangelho de Jesus, evidentemente que, principalmente, através do espiritismo, eis que as demais igrejas cristãs já se haviam desviado da essência da mensagem de Jesus.

Mas, para chegar aos momentos em que a Doutrina Espírita aqui chegou, faz-se necessário recuar algumas décadas. É o que faremos, na esperança de que você, leitor, nos acompanhe a aproveite para entender o que se passou, inclusive, para que você esteja agora lendo estas informações.

Também perceberá que houve discórdia, egocentrismo, vaidade entre as pessoas chamadas e/ou escolhidas para esta missão, no Brasil, comportamento típico daqueles que ainda estão na estrada e não estão prontos para contribuir; querem servir-se, querem aparecer, querem dominar.

Lembre-se de que nada acontece por acaso. Tudo tem uma causa e um efeito. No fundo, tudo tem um resultado.

Vamos aos fatos? Obrigado por acompanhar.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

1580-Paridos no terror e renascidos no amor


Conclusão: uma conversão planetária

Passadas as séries mortíferas do século XX, quando Europa e Ásia ficaram definitivamente marcadas pelo sofrimento das bombas (guerras aéreas), assombrosamente, a última metade daquele século viria mostrar uma revolução no modo de pensar (de baixo para cima) da espécie humana em uma imensa região do planeta. Houve uma gradativa opção pela paz. Uma reviravolta na mentalidade antiga provocada por uma legião de espíritos imigrantes ou reentrantes, cuja maior e mais importante demonstração da virada aconteceria no Festival de Woodstock (EUA), em agosto de 1969, quando uma multidão abalou o mundo, chocou a moral, provocou o escândalo, quebrou convenções para dizer: “chega; somos da paz”. Nunca mais o sinal com os dedos indicador e médio abertos em forma de V significaria apenas vitória. A segunda mão também viria a ser usada com o mesmo sinal e então isso ficou expresso: “paz e amor”.

Tratava-se do resultado do fenômeno que ficou conhecido por “Babyboom”, nada mais que um período de calmaria e confiança nas instituições nascidas do pós-guerra (1945), com a OTAN e a ONU, em que os casais voltaram a ter interesse na proliferação e engravidavam com assiduidade, dando origem a muitos nascimentos. Isso foi chamado de “boom” dos bebês.

Passo a comentar agora o que se pode entender por espíritos imigrantes e/ou reentrantes. Fica claro que as encarnações havidas de 1945 em diante, em boa percentagem não era mais o repeteco dos velhos espíritos cansados de morte/violência e sim de uma legião diferente, desobediente, contestante, porém pacífica. Lembram do sinal de vitória “Paz e Amor”? Vinham de outras dimensões, desconhecidas do velho e arrogante modo de se relacionar da velha e cansada Europa & Cia.? Vinham de outras galáxias para dar um basta no modo truculento de asiáticos, europeus, mediorientais? Sim, sim, com certeza.

Claro, claro. Não pegavam em armas, pegavam em flores. Não pegavam em metralhadoras, pegavam em guitarras. Não usavam armaduras, tiravam a roupa. Não cantavam hinos de guerra, preferiam canções de amor. Mesmo que tivessem sido paridos repetidas vezes no terror, estavam renascidos no amor.

Uma das correntes pesquisou a chegada de espíritos de fora da Terra. Outra trouxe a hipótese de serem espíritos dos índios massacrados pelos brancos, que tinham como argumento maior o uso de cabelos longos, nascendo no seio de famílias tradicionais que os haviam levado à extinção como nações nativas. Eram os espíritos das vítimas do homem branco, dizimados pela truculência do colonizador voltando não para se vingar, mas para ensinar novos métodos de vida ao milenar guerreiro vindo da Europa, Ásia, África – isso no caso dos Estados Unidos, Brasil e outras culturas. Eram meninos e meninas dispostos a quebrar a estrutura velha trazida da Idade Média, romper com as religiões retrógradas, derrubar esse mundo hipócrita de nossos tetra-avós para cá, inclusive no interior da estrutura familiar.

Até mesmo os velhos espíritos guerreiros começaram a questionar-se e a aderir ao mesmo modo de vida. Foi assim que nasceram os “velhinhos transviados” aderentes ao estilo lançado pelos mais moços.

Mas, esta análise é fraca, diante da grandiosidade do trabalho desses espíritos tenham vindo eles de onde quer que seja. Eles não estavam apenas no continente americano, parece evidente. Seria parcial se fosse assim. Eles encarnaram em outras latitudes, principalmente na Europa e bagunçaram o coreto das tradições mais nobres e requintadas daquele continente também. O Japão passou a receber levas e mais levas de espíritos pacificadores dispostos a quebrar o paradigma tradicional. Internacionalizaram a fechada cultura japonesa.

Por isso, a tese imigrante se torna muito forte. Os convidados a reencarnar aqui teriam sido como que indutores de um novo processo de relações entre as pessoas, nações, instituições, exigindo de governos, religiões, escola, mercado, uma reviravolta sem precedentes.

As altas hierarquias espirituais retiraram daqui (e continuam a retirar) através das pestes, e ainda das guerras, assassinatos e acidentes violentos, além da fome, milhões de espíritos que perderam o enquadramento para participar dos novos padrões planejados para o planeta. E trouxeram para cá já (e continuarão a trazer) milhões (bilhões) de outros espíritos afinados com o que iria (irá) ocorrer daqui para frente. Na sequência, estão vindo os cristais e índigos (de quem falaremos em futura série). Já é a segunda leva de imigrantes.

A espiritualidade parece reservar-nos ainda uma terceira leva, que seria dos espíritos violeta, pertencentes às falanges de Saint Germain. A propósito desse espírito avançadíssimo que vem assumindo importantes funções nas hierarquias que têm Jesus como comandante principal, cabe dizer, se trata de São José, o pai de Jesus. Esteve entre nós em algumas oportunidades, uma delas como Cristóvão Colombo. Outra como Roger Bacon e a última e derradeira passagem dele pelo plano biológico teria sido como Conde de Saint Germain (pesquise na Internet) com passagem em muitos lugares da Europa. 

Então, meu caro leitor, para terminar esta série, cabe resgatar que entre os 83% dos homens e mulheres que condenaram a Guerra do Golfo (como vimos no início desta série), não estavam os velhos espíritos guerreiros milenares ou seculares da velha Europa, mesmo que reencarnados na América. Estavam muitos dos imigrantes ou reentrantes já citados e, certamente, muitíssimos adeptos conquistados por eles entre nós, velha guarda.

A assepsia planetária continua. Se agora as guerras matam menos, a retirada de espíritos truculentos vai se dando pelas guerrilhas urbanas movidas pelo tráfico de drogas, pelo próprio efeito das drogas e assim, pela velocidade e pelos vícios, como tem lavado muita gente.

Resta como desafio a quem queira avançar em profundidade, explicar o Oriente Médio. Por que aquela gente destila tanto ódio entre si? Por que o islã está tão vinculado ao terror? Sabemos que Maomé não é o mestre disso.

Com a palavra os doutos.

Fim da série.