quarta-feira, 1 de outubro de 2014

1561-Allan Kardec


Hippolyte descobre os espíritos

Conforme o seu próprio depoimento publicado em Obras Póstumas, foi em 1854, há, portanto, 160 anos, que o Prof. Rivail ouviu falar pela primeira vez do fenômeno das "mesas girantes", bastante difundido à época, através do seu amigo Fortier, um magnetizador de longa data. Sem dar muita atenção ao relato naquele momento atribuindo-o somente ao chamado magnetismo animal, do qual era estudioso; só em maio de 1855 sua curiosidade se voltou efetivamente para as mesas girantes, quando começou a frequentar reuniões em que tais fenômenos se produziam.

O que eram as mesas girantes?

As chamadas mesas girantes (em Portugal, mesas falantes) protagonistas da chamada dança das mesas, foram fenômenos aos quais se alegava natureza mediúnica, amplamente difundido na Europa e nos Estados Unidos a partir de meados do século XIX.

O fenômeno consistia no movimento, sem causa física aparente, de mesas e outros objetos pesados, em torno dos quais reuniam-se, nos salões, pessoas de todas as classes sociais à época. Uma roda de sete ou nove pessoas com a mão estendida sobre a mesa e sobre um alfabeto sobre a mesa com as letras distribuídas em círculo e estava montado o “show”. A cada nova pergunta a mesa girava até onde estava a letra, que assim vai formando palavras e sílabas como respostas.

Durante uma fase inicial, que perdurou aproximadamente por alguns anos, as mesas girantes foram, por um lado, objeto de curiosidade e divertimento, em especial nos salões nobres e burgueses europeus. Por outro lado, a curiosidade despertada pelos fenômenos tornaram-se objeto de observação e pesquisa, permitindo o estudo e sistematização de conhecimentos assim obtidos num corpo filosófico. O Espiritismo nasceu aí codificado pelo pedagogo francês Rivail, sob o pseudônimo de Allan Kardec.

Após esse período inicial, abriu-se uma fase de intensa curiosidade acadêmica e científica, que tinha por objeto as mesas e outras formas de manifestação tidas como espiritistas, provindas dos espíritos. Os físicos William Crookes, Oliver Lodge e Michael Faraday, os astrônomos Camille Flamarion e Friedrich Zölner, o naturalista Alfred Russel Wallace, o criminologista Cesare Lombroso, e Sociedades Científicas de diversos países, criadas especificamente para este fim, dedicaram-se à investigação de todos os fenômenos relacionados com espíritos.

A doutrina religiosa ensinava que ao morrermos vamos para o céu, para o inferno ou para o purgatório e não temos mais contatos com a vida material. Os espíritos vieram dizer que material também é a vida espiritual, pois energia é algo físico, comprovável, e que os espíritos são compostos de um tipo especial de energia.

Apesar de alguns autores terem concluído pela explicação espiritista para os acontecimentos, as inúmeras fraudes existentes e a turbulenta situação política enfrentada pela Europa na segunda metade do século XIX (Revolução Francesa) contribuíram para dissipar o interesse científico pelas mesas girantes e ocorrências similares.

Após realizar vários experimentos para testar as causas do fenômeno, Faraday concluiu que ele era explicado pelo efeito ideomotor, explicado como sendo a influência da sugestão sobre movimentos corporais involuntários e inconscientes. O fenômeno foi originalmente descrito pelo naturalista britânico William Benjamin Carpenter, em 1852, em um artigo sobre radiestesia. Porém, o químico francês Michel Chevreul havia se deparado com a mesma ideia já em 1808, que foi aproveitada e melhorada por Faraday.

Não havia equipamento capaz de sustentar as pesquisas e a cultura católica contribuía para detonar os estudos. Os bispos tinham receio de perder o público de suas igrejas e também eram verdadeiros ignorantes a respeito do tema.

As críticas choviam...

Nenhum comentário:

Postar um comentário