quinta-feira, 2 de outubro de 2014

1562-Allan Kardec


Enquanto os cães ladram...

Foi num ambiente de muita controvérsia que teve início o trabalho de Allan Kardec. Opiniões apaixonadas, fanatismo, intolerância, prepotência, desprezo, acusações levianas, deboches pululavam não só em Paris, mas noutros centros onde as experiências espirituais estavam em curso. Acrescente-se aí os aproveitadores que montavam shows com vistas a obter dinheiro com os espetáculos muitas vezes fajutos, fraudulentos.

Enquanto os detratores lançavam acusações e leviandades, Hippolyte seguiu em frente com determinação e coragem.

Kardec enfrentou a questão especialmente com extraordinária coragem. Enfrentou sozinho todo o poderio religioso da época sem o apoio de nenhum poder terreno. Teve então de colocar-se entre os fogos cruzados da Religião, da Filosofia e da Ciência. Os teólogos o atacavam na defesa de seus dogmas; a Filosofia o considerava um intruso; e a Ciência o condenava como um reativador de superstições que já haviam sido praticamente destruídas.

Convencendo-se de que o movimento e as respostas complexas das mesas girantes deviam-se à intervenção de espíritos, Kardec dedicou-se à estruturação de uma proposta de compreensão da realidade baseada na necessidade de integração entre os conhecimentos científicos, filosóficos e morais, com o objetivo de lançar sobre o real um olhar que não negligenciasse nem o imperativo da investigação empírica na construção do conhecimento, nem a dimensão espiritual e interior do homem.

E a vitória de Kardec definiu-se bem cedo embora tenha requerido paciência para esperar por sua consolidação. Ela veio devagar e firme para nunca mais retroagir, como aconteceu com muitas outras doutrinas.

A Ciência Psíquica inglesa, a Parapsicologia alemã e a Metapsíquica francesa nasceram da sua coragem e das suas pesquisas. Mais de cem anos depois, Rhine e Mac Dougal fundariam nos Estados Unidos a Parapsicologia moderna, seguindo a mesma orientação metodológica de Kardec. E a sua vitória se confirmou plenamente em nossos dias, quando as pesquisas parapsicológicas endossaram as conclusões de Kardec e logo mais a própria Física e a Biologia fizeram o mesmo. A palavra paranormal (médium), criada por Fredrich Myers e hoje adotada na Parapsicologia, substituiu em definitivo, no campo científico, a classificação errônea de sobrenatural dada aos fenômenos espirituais.

Durante este período, Rivail também tomou conhecimento do fenômeno da escrita mediúnica – ou psicografia, e assim não só experimentava usando mesas girantes, mas também passou a se comunicar com os espíritos através da escrita direta. Um desses espíritos, conhecido como um "espírito familiar", passa a orientar os seus trabalhos. Mais tarde, este espírito lhe informa que já o conhecia do tempo das Gálias, com o nome de Allan Kardec. Assim, Rivail passa a adotar este pseudônimo, sob o qual publicou as obras que sintetizam as leis da Doutrina Espírita.

Tendo iniciado a publicação das obras de Codificação em 18 de abril de 1857, quando veio à luz “O Livro dos Espíritos”, considerado como o marco de fundação do Espiritismo como Filosofia e como Ciência, após o lançamento da Revista Espírita, em 1º de janeiro de 1858, fundou, nesse mesmo ano, a primeira sociedade espírita regularmente constituída, com o nome de Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas.

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