sábado, 11 de outubro de 2014

1571-Paridos no terror e renascidos no amor


O inexplicável poder de Roma

Queiramos ou não, o que é narrado a seguir, tem conotação espiritual e chega até nós a propósito de uma elevada hierarquia que apoia a evolução terrena. Quando olhamos para a extensão do Império Romano (quando era pleno) em um mapa, mal chegamos a imaginar que esta civilização se originou de um pequeno povoado da Península Itálica. Encravada na porção central deste território, a cidade de Roma nasceu por meio dos esforços dos povos latinos e sabinos que, por volta de 1000 a.C., teriam erguido uma fortificação que impedia a incursão dos etruscos, um povo briguento que existia no que hoje é a Toscana.

As poucas informações sobre as origens de Roma são encobertas pela clássica explicação mítica que atribuem sua fundação à ação tomada pelos irmãos Rômulo e Remo, que nem sabiam quem eram seus pais e que sobreviveram alimentados por uma loba. Após a fundação, Roma teria vivenciado seu período monárquico, onde o rei estabelecia sua hegemonia política sobre toda a população e contava com o apoio de um Conselho de Anciãos conhecido como Senado.

Os membros do Senado eram oriundos da classe patrícia (nobre), que detinha o controle sobre as grandes e férteis propriedades agrícolas da região. Com o passar do tempo a hegemonia econômica desta elite permitiu a formação de um regime republicano em que o Senado assumia as principais atribuições políticas. Entre os séculos VI e I a.C., o regime republicano orientou a vida política dos cidadãos sob o controle romano.

Entretanto, a hegemonia patrícia foi paulatinamente combatida pelos plebeus que ocupavam as fileiras do Exército e garantiam a proteção militar dos domínios romanos, bem como as conquistas, que não eram poucas. Progressivamente, a classe plebeia passou a desfrutar de direitos no interior do regime republicano e a criar leis que se direcionavam aos direitos e obrigações que este grupo social detinha. E foi exatamente a parcela dos plebeus que acabou por forçar o regime de Roma a reconhecer o cristianismo como religião.

Apesar de tais reformas, a desigualdade social continuava a vigorar mediante uma sociedade que passava a depender cada vez mais da força de trabalho de seus escravos, que eram, exatamente, os plebeus, dentre os quais os militares.

As conquistas territoriais enriqueciam as elites romanas e determinavam a dependência de uma massa de plebeus que não encontrava oportunidades de trabalho. De fato, as tensões sociais eram constantes e indicavam as diferenças no mundo romano.

Paulatinamente, as tensões sociais se alargaram com a ascensão de líderes militares (generais) que cobiçavam tomar a frente do Estado Romano. As tentativas de golpe sinalizavam a ruína do poder republicano e trilharam o caminho que transformou Roma em um Império de fato. No século I a.C., o general Otávio finalmente conseguiu instituir a ordem imperial. E foi como império que Roma adentrou no cristianismo.

Pode parecer esdrúxula a afirmação, mas o cristianismo, embora possa ter perdido essência sob a bandeira romana, serviu para a evolução dos romanos e mais ainda dos povos submetidos. Era um passo a ser dado e isso foi feito. O leitor precisa entender que pela via do cristianismo as classes submetidas, escravizadas, esquecidas, passaram a ganhar espaços não na capital, mas também nas colônias.

Durante o Império, observamos a ascensão de governos que mantiveram a ordem, bem como o aparecimento de outros líderes que se embebiam do poder conquistado. No século I d.C., paralelo à perda de sentido da religião oficial do Império (Mitraismo), aumentava de importância o desenvolvimento da religião cristã, nascida na Palestina, terra sob o domínio romano. Primeiro combatida e perseguida, depois adotada e adaptada aos interesses de Roma, a nova religião foi um ponto fundamental na transformação do Império. A nova doutrina religiosa contrariou principalmente três pontos fundamentais do antigo regime romano: o expansionismo conquistador, as crenças (politeísmo) e as instituições (escravismo) que sustentavam o antigo mundo romano.

Por volta do século III, o advento das invasões bárbaras e a interrupção da expansão dos territórios caminhavam em favor da dissolução deste Império. Apesar do fim convencional do Império Romano, suas práticas, conceitos e saberes permaneceram vivos e fundamentais para que compreendamos a feição do mundo Ocidental e suas posteriores colônias. De certa forma, todos os caminhos ainda nos levam (um pouco) a Roma, não pela importância econômica ou política, mas pela imponência da cultura que emanou de lá. Espiritualmente os europeus e os seus descendentes pelo mundo a fora, têm o molde romano na sua índole.

Apesar de tudo, o Império e a Igreja que o substituiu tornaram este pedaço de mundo um menos bárbaro e caótico. Teria sido bem pior sem eles. É nisso que as hierarquias espirituais trabalharam e obtiveram ganhos.

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