domingo, 12 de outubro de 2014

1572-Paridos no terror e renascidos no amor


Do Império Bizantino ao cisma

Para entender a divisão havida na Igreja Católica, é preciso, antes, conhecer as tradições de cultura e governo dos povos daquela região e não só quanto a Roma.

O Império Bizantino tinha por capital Constantinopla (a atual Istambul) que foi convertida na capital do Império Romano do Oriente no ano 330, depois que Constantino I, o Grande, fundou-a no lugar da antiga cidade de Bizâncio, dando-lhe seu próprio nome. Foi a capital das províncias romanas orientais, ou seja, daquelas áreas do Império localizadas no sudeste de Europa, sudoeste da Ásia e na parte nordeste de África, que também incluíam os países atuais da península Balcânica, Turquia ocidental, Síria, Jordânia, Israel, Líbano, Chipre, Egito e a região mais oriental da Líbia. Tudo isso continuava cristão através de Constantinopla, não de Roma.

Até então seus imperadores consideraram os limites geográficos do Império Romano como os seus próprios e buscaram copiar de Roma suas tradições, seus símbolos e suas instituições. Impuseram no que foi possível, mas perderam espaço naquele pedaço de mundo que se chama Oriente mas está muito próximo da Europa, a um passo que é dado sobre o Mar Mediterrâneo. A cultura de lá era mais forte que a importada. Com a Europa, alguma coisa podia funcionar, mas lá não era bem assim. Pouco a pouco o sentido romano foi sumindo ali.

O imperador Justiniano I (da porção oriental) e sua esposa, Teodora, tentaram restaurar a antiga suntuosidade e os limites geográficos que haviam pertencido ao Império Romano. Em vão. O Império sobreviveu às migrações e incursões dos godos e dos hunos durante os séculos V e VI. No século VII, o imperador Heráclito I acabou com um grande período de guerras com os persas, recuperando a Síria ocupada pelos persas, mais a Palestina e o Egito. Constantinopla aguentou grandes cercos por parte dos árabes na década de 670 e durante os anos 717 e 718. Foi nesse período que os árabes atravessaram o Estreito de Gibraltar e se instalaram na Ibéria por quase mil anos.

No início do século IX, o Império Bizantino experimentou uma grande recuperação, alcançando sua plenitude sob o duradouro reinado da dinastia macedônica, que começou com seu fundador, o imperador Basílio I. A vida intelectual reviveu. O renascimento cultural foi acompanhado por um retorno consciente aos modelos clássicos na arte e na literatura.

O maior imperador macedônico foi Basílio II, que reprimiu vigorosamente uma abrangente rebelião búlgara (1014) e ampliou seu controle até os principados independentes da Armênia e da Geórgia.

Em 1071, os Seljúcidas invadiram a maior parte da Ásia Menor bizantina. Os bizantinos perderam suas últimas possessões na Itália e foram separados do Ocidente cristão devido ao cisma de 1054 aberto entre a Igreja ortodoxa e o Papado romano.

O imperador Aleixo I Comneno, fundador da dinastia dos Comnenos, pediu ajuda ao Papa contra os turcos. A Europa Ocidental respondeu com a primeira Cruzada (1096-1099). Embora, em um primeiro momento, o Império tenha se beneficiado das Cruzadas, recuperando alguns territórios na Ásia Menor, estas precipitaram sua decadência.

O imperador Miguel VIII Paleólogo, recuperou Constantinopla das mãos dos latinos em 1261 e fundou a dinastia dos Paleólogos, que governaram até 1453. Os turcos otomanos, em plena ascensão, conquistaram o resto da Ásia Menor bizantina no princípio do século XIV. Depois de 1354, ocuparam os Balcãs e finalmente tomaram Constantinopla, o que representou o fim do Império em 1453, decretando, ao mesmo tempo, o fim da Idade Média.

Contudo, a tradição intelectual bizantina não morreu em 1453: os eruditos bizantinos que visitaram a Itália durante os séculos XIV e XV, exerceram uma forte influência sobre o Renascimento italiano.

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