segunda-feira, 13 de outubro de 2014

1573-Paridos no terror e renascidos no amor


A Igreja Ortodoxa

Você compreendeu, leitor, que existiram dois impérios ditos romanos, o do Ocidente com sede em Roma (que faliu) e o do Oriente com sede em Bizâncio (Constantinopla), hoje Istambul (que andou). Por conta das duas sedes motivadas por questões culturais, havia também “duas” igrejas, mas a sede central era Roma, até o cisma. No século XI um conflito de interesses entre os prelados fez rachar a unidade Católica e deu-se a separação do Ocidente e a do Oriente naquilo que ficou conhecido como Cisma do Oriente. A culpa foi dada ao Oriente. O evento que estabeleceu o rompimento dentro da Igreja foi doutrinário e ambos os lados passaram a defender suas próprias doutrinas. E persiste até hoje. Semelhantes doutrinas, mas comandos distintos.

Ainda durante o poderio do Império Romano ficou estabelecido e acordado entre as duas partes da Igreja que a capital central do Império seria Roma. Mesmo a Igreja do Oriente concordando com a decisão, havia certo ressentimento por conta de algumas exigências jurídicas que os papas insistiam em fazer. Tais exigências foram mais marcantes durante o papado de Leão IX que durou de 1048 até 1054, sendo que seus seguidores preferiram por continuar com suas determinações. A Igreja do Ocidente se opunha também ao sistema adotado no Oriente de cesaropapismo bizantino, que consistia na subordinação da Igreja Oriental a um chefe secular.

As desavenças existentes entre as Igrejas de Roma e de Constantinopla geraram vários conflitos ideológicos. Ainda durante o Império Romano, o patriarca Fócio condenou a inclusão do filioque (tira do Espírito Santo a sua importância na Santíssima Trindade) no Credo da Cristandade Ocidental sob a acusação de heresia. A atitude que envolvia as questões disciplinares e litúrgicas da Igreja foi responsável por uma grave e primeira ruptura que já havia ocorrido entre Ocidente e Oriente Católicos entre os anos de 456 e 867.

Ao longo dos séculos as duas Igrejas cultivaram desigualdades culturais e políticas que através de vários enfrentamentos chegaram a causar a divisão inicial do próprio Império Romano entre Ocidental e Oriental, no século IV.

Situações culturais, políticas e sociais fizeram com que as duas Igrejas desenvolvessem suas características próprias.

No Ocidente as invasões bárbaras marcaram uma nova fase, gerando uma nova estruturação a partir do fim do Império Romano Ocidental. Enquanto isso, no Oriente as tradições do mundo clássico permaneceram presentes na sociedade e na Igreja cultivando a cristandade helenística.

A Igreja do Ocidente teve muito contato e recebeu a influência e presença dos povos germanos, já a Igreja do Oriente carregou a tradição e o rito grego e integrou especialmente o Império Bizantino.

Foi no segundo milênio que as diferenças e enfrentamentos se acentuaram. No ano de 1043 assumiu a Igreja Bizantina o patriarca Miguel Cerulário. Sob sua liderança foi desenvolvida uma campanha que pregava contra as Igrejas Latinas na cidade de Constantinopla. O combate proposto pelo novo patriarca envolvia questões teológicas que versavam sobre o Espírito Santo (como já nos referimos). Anos mais tarde, em 1054, Roma providenciou o envio do Cardeal Humberto a Constantinopla para tentar entender a crise e solucionar o problema. Entretanto a crise entre os cristãos já não tinha volta.

Como resultado da discussão, o Cardeal Humberto decidiu por excomungar o patriarca Miguel Cerulário. O ato do Cardeal foi entendido como extensivo a toda a Igreja Bizantina que, por sua vez, reagiu excomungando o papa Leão IX.

Configurava-se o Cisma do Oriente, também chamado de O Grande Cisma do Oriente, que daria origem à Igreja Ortodoxa, no Oriente, e a Igreja Católica Apostólica Romana, no Ocidente.

Cabe, então, ressaltar aqui que por ocasião das Cruzadas as duas igrejas estavam em lados opostos e entraram na guerra como inimigas. E se combateram.

Várias foram as tentativas posteriores de reunificar a Igreja, dentre as quais cabe destacar os Concílios Ecumênicos de Lyon em 1274 e de Florença em 1439. Por alguns momentos as duas Igrejas estiveram reunidas novamente, mas sempre por muito pouco tempo. A separação fez com que a cidade de Constantinopla fosse tomada pelos otomanos em 1453 resultando na dominação do Império Bizantino por muito tempo.

Somente no dia 7 de dezembro de 1965 o papa Paulo VI e o patriarca Atenágoras I tentaram aproximar as duas Igrejas novamente levantando a questão das excomunhões, que por sua vez foram retiradas no ano seguinte por ambas as Igrejas.

Na prática, os ortodoxos seguem sacramentos típicos da Igreja Ocidental, mas não acreditam na existência do purgatório, nem na infalibilidade do papa. Trata-se de uma outra corrente religiosa dentro do cristianismo e dentro do próprio catolicismo. Só recentemente as duas partes retomaram os diálogos tentando de alguma forma sanar o Cisma.

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