terça-feira, 14 de outubro de 2014

1574-Paridos no terror e renascidos no amor


Matou-se demais, por menos

Quando se estuda a origem dos espíritos à luz da Doutrina de Kardec nada sugere que eles venham a existir já possuídos pela violência, afeitos ao terror. Se ensina que eles nascem ignorantes comparados às crianças, ingênuos, dóceis; precisam ser educados, formados, instruídos. Então fica difícil entender de onde vem a violência e o terror que dominaram os seres humanos das civilizações dos últimos 15 mil anos. De cara nos vem à memória a hipótese do anjo caído da estória bíblica. Não seria possível misturar antropologia com mitologia, mas que dá vontade, dá.

A curta e sem explicação narrativa do assassinato de Abel, por Caim, na Gênese Bíblica, é pouco para qualificar esse lado bárbaro do ser humano. É claro que a narrativa bíblica possui uma conotação de lenda, mas está lá, significa o assassinato de 20% da humanidade de então. O que teria tornado a ignorância de um espírito em violência de um espírito? A resposta parece ser: uma violenta escola. Quem teria sido o professor? A leitura que se faz inclui também a falta de um melhor professor.

Estávamos tão longe do amor e da paz por tantos séculos e milênios, que os 83% contrários à Guerra do Golfo (1991) soam como algo muito, muitíssimo diferente no comportamento humano se comparados com estes mesmos humanos pelos séculos dos séculos passados. E o que dizer daqueles eternos beligerantes do Oriente Médio? Onde tem início o desejo de vingança e retaliação entre judeus e muçulmanos?

Olha, parece picardia, mas ali parecem estarem os professores que levaram esta parte da humanidade ao fracasso. Escalados para ensinarem o amor, ensinam o contrário.

Mas, não é só judeus e muçulmanos que se detestam e partem para a agressão muitas vezes inexplicável. Os cristãos também fizeram e fazem o mesmo.

Lembremos que foi na Idade Média, em pleno regime do Sacro Império Romano-Germânico que houve as Cruzadas, expedições destinadas a matar quem se opusesse à conquista pelos cristãos do território de Jerusalém, onde estão os locais considerados sagrados por haverem sido integrantes da história de Jesus.

Não se sabe quantas vidas pereceram nos dois lados cristãos (ocidental e (oriental), nem do lado apenas muçulmano. Não haviam estatísticas a este tempo.

A descoberta da pólvora e a evolução havida com relação aos metais, levaram os poderosos monarcas da Idade Média ao gosto pela guerra, seja pelas primeiras explosões em armas de fogo, seja pelas cavalarias ligeiras conduzindo exímios soldados armados de lanças e espadas, mais tarde armados de garruchas e mais tarde usando os canhões.

Foram cerca de 1.200 guerras no período de 1.000 anos. Sem falar do imenso número de mortes por fome e peste, o que não deixa de ser, também, um terror.

Os primeiros sinais de modernidade desta atual civilização vieram com a Revolução Francesa, porém também com muito sangue e terror. Ao menos freou a sede de poder dos monarcas, não de todos, mas restaurou na Europa o regime republicano que Roma já havia experimentado entre os séculos VI e I a.C. e influenciou grandemente a estruturação dos regimes modernos que se formaram depois disso, como foi o caso dos Estados Unidos e Canadá.

Apesar da República e do regime representativo em oposição ao absolutismo monárquico, continuou a matança. Na Europa, na América, na Ásia (e aqui inclui a União Soviética sob regime comunista) os seres humanos se reconheciam muito mais pelas armas do que pela sabedoria, muito mais pelo ódio do que pelo amor.

E as religiões, que deveriam ensinar o Caminho de Deus, que sem dúvida é o Caminho do Amor, ensinavam o que? Dominação, escravidão, substituição de crenças milenares (ainda que pobres) pelo absurdo de castigar aqueles catequizados que se rebelassem (caso do cristianismo atuando sobre os nativos das Américas). Entre índios e negros escravos ou próximos da escravidão ia se arraigando o desejo de vingança. E a vingança, de fato, imperou. A própria revolução francesa foi mestra na aplicação da vingança, como veremos.

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