quarta-feira, 15 de outubro de 2014

1575-Paridos no terror e renascidos no amor


Muito distante da ordem e do amor

O processo social e político ocorrido na França entre 1789 e 1799, cujas principais consequências foram a queda de Luís XVI, a abolição da monarquia e a proclamação da República, que poria fim ao Antigo Regime, teve consequências além das fronteiras da França, pois a França era o país líder do Ocidente à época.

As causas determinantes de tal processo estavam na incapacidade das classes dominantes (nobreza, clero e burguesia) de enfrentar os problemas do Estado e da Nação, a indecisão da monarquia, o excesso de impostos que pesavam sobre os camponeses, o empobrecimento dos trabalhadores, a agitação intelectual estimulada pelo (nascente) Século das Luzes (Iluminismo) e o exemplo da Guerra da Independência norte-americana (1775-83) com a fundação de um modelo avançadíssimo de legislação.

Mais de um século antes da ascensão (1774) de Luís XVI ao trono, o Estado francês já havia passado por várias crises econômicas resultantes das guerras empreendidas durante o reinado de Luís XIV; da má administração dos assuntos nacionais no reinado de Luís XV; das dispendiosas perdas da guerra entre a França e a Índia (1754-1763) e do aumento da dívida gerada pelos empréstimos às colônias britânicas da América do Norte, durante a Guerra da Independência norte-americana (já datada).

Luís XIV, chamado Rei Sol por ter escolhido este astro como emblema real, promoveu a arte e a literatura francesas e fez de seu país a potência militar mais respeitada da Europa. Seu objetivo era a supremacia da França, tanto em tempo de guerra como de paz.

Os defensores da realização de reformas começaram a exigir o atendimento às reivindicações apresentadas e, em 1789, ao serem convocados os Estados Gerais (espécie de assembleia de crise), as delegações entraram em confronto com a câmara rejeitando os novos métodos de votação estabelecidos, até que, no dia 17 de junho, o grupo liderado por Emmanuel Joseph Sieyès e por Honoré Riguetti, o Conde de Mirabeau, conseguiu constituir a Assembleia Geral.

Este desafio ostensivo ao governo monárquico, que contava com o apoio do clero e da nobreza, foi seguido pela aprovação de uma medida que delegava exclusivamente à Assembleia Geral o poder de legislar em matéria fiscal. Luís XVI, em represália, retirou da Assembleia a sala de reuniões. Esta respondeu realizando, em 20 de junho, o chamado ‘Juramento do Jogo da Péla’, pelo qual assumia o compromisso de não se dissolver, até que fosse elaborada uma Constituição atendendo aos reclamos do povo e retirando poderes da coroa e do clero.

Como se depreende, as intenções até poderiam ser as melhores, mas os métodos eram do terror. Lideranças ensandecidas rapidamente se erguiam em armas, chamavam seus soldados que, sem escolha, partiam para matar ou morrer. E cometiam excessos, como estupros, execuções em massa, expropriações, expulsões, prisões sem julgamento, aplicação da pena de morte. E, claro, dando margem à vingança. Violência gerando violência. Não só na França, que é o caso aqui enfocado. Isso ocorria em outros territórios e continentes.

Houve quem ousasse lançar um olhar para o todo da humanidade e, envergonhado com o vira, tivesse dito: “a espécie humana é uma aberração da natureza e não merece sobreviver”. Palavras que não são de nenhum messias, mas certamente de uma alma que hoje está entre os lançadores da ecologia profunda, esta ciência que cuida de toda natureza com amor e respeito.

Convenhamos que o nosso passado como seres humanos é uma página de sangue, dor, ódio, incerteza e terror. Nós, habitantes da América, onde também ocorreram barbarismos, podemos dizer, hoje, estarmos convertidos ao amor?

A resposta é bem próxima do SIM.
Mas, ainda falta muito. Muitíssimo...  

Nenhum comentário:

Postar um comentário