quinta-feira, 16 de outubro de 2014

1576-Paridos no terror e renascidos no amor


Vamos à morte pela revolução

Houve muitas revoluções no mundo, inclusive algumas no Brasil, como a de 1835 (farroupilha), 1893 (federalista), 1914 (contestado), 1930 (queda da república velha), 1964 (derrubada de Jango), mas vou tomar a Revolução Francesa como exemplo de matança, até porque esta revolução representou o fim do Sacro Império Romano-Germânico, do qual muito já se falou nos capítulos anteriores devido a sua influência na cultura dos ocidentais.

A Revolução Francesa foi uma revolta popular movida pela sede de vingança. O povo de Paris responderia aos atos de provocação do rei com o apoio do clero: os distúrbios começaram em 12 de julho e no dia 14 de julho uma multidão invadiu e tomou a Bastilha, — uma prisão real que simbolizava o despotismo dos Bourbons, sobrenome dos nobres da dinastia.

Mas antes do início da revolução em Paris, já haviam surgido, em inúmeras regiões da França, distúrbios locais, bem como revoltas de camponeses contra a opressão pelos nobres. O Conde de Artois (futuro Carlos X) e outros líderes reacionários, diante das ameaças, fugiram do país, transformando-se no grupo émigrés. A burguesia parisiense, temendo que a população da cidade aproveitasse a queda do antigo sistema de governo para recorrer à ação direta, apressou-se a estabelecer um governo provisório local e a organizar uma milícia popular que foi oficialmente denominada Guarda Nacional. A bandeira dos Bourbons foi substituída por uma tricolor (azul, branco e vermelho), que passou a ser a bandeira nacional. E, em toda a França, foram constituídas unidades da milícia e governos provisórios. O comando da Guarda Nacional foi entregue a Marie Joseph Motier, o Marquês de La Fayette.

A Assembleia Nacional Constituinte aprovou a legislação, pela qual era abolido o regime feudal e senhorial e suprimido o dízimo. Outras leis proibiram a venda de cargos públicos e a isenção tributária das camadas privilegiadas. E, para dar continuidade ao trabalho, decidiu pela elaboração de uma Constituição. Na introdução, que seria denominada Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, os delegados formularam os ideais da Revolução, sintetizados em três princípios: "Liberté, Egalité, Fraternité" (Liberdade, Igualdade, Fraternidade).

Em 17 de julho de 1791, os sans-culottes (nome dado aos membros da tendência revolucionária mais radical, que exigia a proclamação da república) se reuniram no Campo de Marte e exigiram a deposição do monarca. A Guarda Nacional, seguindo as ordens de La Fayette, abriu fogo contra os manifestantes, dispersando-os contribuindo para o acirramento irreversível das divergências existentes. O rei jurou respeitar a nova Constituição e a Assembleia Constituinte foi dissolvida para dar lugar às eleições previstas pela Constituição. A Assembleia Legislativa, que iniciou suas sessões em 1º de outubro de 1791, era formada por 750 membros, sem experiência política. A facção mais moderada era a dos feuillants, partidários da monarquia constitucional. O grupo majoritário, conhecido como A Planície, não tinha opiniões políticas definidas, mas se opunha ao setor radical que ocupava a ala esquerda e era composto, sobretudo, pelos girondinos. Estes defendiam uma república federativa, em projeto semelhante ao dos montagnards, grupo que ocupava A Montanha (nome dado à parte superior da Câmara) e era integrado pelos jacobinos e pelos cordeliers que advogavam a implantação de uma república centralizada.
Em 20 de abril de 1792 a Assembleia Legislativa declarou guerra ao Sacro Império Romano-Germânico.

Os exércitos austríacos obtiveram várias vitórias nos Países Baixos, graças a alguns erros cometidos pelo alto comando francês, formado majoritariamente por monarquistas. A invasão posterior da França provocou sérias desordens em Paris. A Assembleia Legislativa declarou estado de exceção em 11 de julho, depois que a Sardenha e a Prússia aderiram à guerra contra a França. Forças de reserva foram enviadas para enfrentar a difícil situação na frente de batalha, e voluntários foram conclamados em todo o país. Quando os reforços, procedentes de Marselha chegaram a Paris, cantavam um hino patriótico que ficou desde então conhecido como A Marselhesa e tornou-se o hino nacional francês.

O descontentamento popular provocou uma insurreição, em Paris, no dia 10 de agosto. Os insurgentes invadiram as Tulherias, residência da família real e assassinaram a Guarda Suíça do Rei. Luís XVI e sua família procuraram refúgio na sala de reuniões, próxima à Assembleia Legislativa, que não hesitou em depor o monarca e dar-lhe voz de prisão. Os revoltosos desfizeram o conselho de governo parisiense, substituindo-o por um novo conselho executivo provisório, que seria denominado a Comuna de Paris. Os montagnards, liderados por Georges Jacques Danton, dominaram o novo governo e passaram a controlar a Assembleia Legislativa, aprovando a realização de eleições em curto prazo, a fim de constituir uma nova Convenção Nacional, na qual teriam voto todos os cidadãos de sexo masculino. Entre o dia 2 e o dia 7 de setembro, mais de mil monarquistas e presumíveis traidores, aprisionados em diferentes pontos da França, foram julgados e executados.

A primeira decisão oficial adotada pela Convenção Nacional foi a abolição da monarquia e a proclamação da I República. O monarca foi declarado culpado e guilhotinado em 21 de janeiro de 1793. A rainha consorte, Maria Antonieta, teria o mesmo fim.

Quando a Convenção votou a favor do recrutamento de 300.000 homens e enviou delegados especiais a vários departamentos para organizá-los, os setores clericais e monárquicos inimigos da revolução incitaram à rebelião os camponeses de A Vandeia. A guerra civil então iniciada, não tardaria a estender-se aos departamentos vizinhos marcados por extrema violência contra as pessoas.

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