domingo, 26 de outubro de 2014

1584-O Espiritismo no Brasil


 
A liderança das nossas capitais

A fundação de Brasília como capital do Brasil se deu por intermédio de uma visão espiritual do padre italiano canonizado como São João Bosco (1815-1888), e levada a sério por espíritas brasileiros que ajudaram a redigir a Constituição do Brasil de 1891. Ali já estava expresso que a Capital Federal seria transferida para o Planalto Central. JK, candidato a presidente, em 1955, assumiu consigo mesmo a missão de construí-la. Hoje, Brasília é um dos mais importantes centros espirituais do planeta.

Mas, vamos ao papel da outra capital, anterior, Rio de Janeiro. Nela, então capital do Império do Brasil, as primeiras sessões espíritas foram realizadas por franceses, muitos deles exilados políticos do regime de Napoleão III da França (1852-1870), na década de 1860. Um desses pioneiros foi o jornalista Adolphe Hubert, editor do periódico "Courrier du Brésil”; outro foi o professor Casimir Lieutaud e também a médium psicógrafa, Madame Perret Collard.

Numa época em que a França era o país mais importante da Europa, os franceses se aproveitavam para estender seus interesses além mar. Em 1860, o professor Casimir Lieutaud, fundador e diretor do Colégio Francês no Rio de Janeiro, publicou a tradução, em língua portuguesa, das obras “Os tempos são chegados” e “O Espiritismo na sua mais simples expressão”, de Allan Kardec.

Os tempos haviam chegado, sim, ao menos para alertar as pessoas para o fato de que a vida do universo é dirigida por Espíritos, assim como a vida humana está atrelada ao espírito, que sobrevive à matéria.

O primeiro periódico a publicar trechos traduzidos das obras de Allan Kardec foi o “A Verdadeira Medicina Física e Espiritual associada à Cirurgia: jornal científico sobre as ciências ocultas e especialmente de propaganda magnetotherápica”, publicado de janeiro a abril de 1861 pelo Dr. Eduardo Monteggia, não por que se considerasse espírita, mas sim por ser um democrata que acreditava numa medicina além do campo biológico.

No mesmo período, o Jornal do Commercio, tradicional periódico da então capital brasileira, em artigo publicado em 23 de setembro de 1863, na seção "Crónicas de Paris", abordou os espetáculos acerca dos espíritos, então populares nos teatros de Paris e, em seguida, passava a tecer comentários em torno do Espiritismo. Esse artigo é citado pela “Revista Espírita”, onde Kardec comenta que o autor do artigo não se aprofundou no estudo do Espiritismo, de cuja parte teórica ignorava os processos. Elogia, porém, o comportamento sensato diante dos fatos para a explicação dos quais não levantara teorias temerárias. "Pelo menos" - referiu Kardec - "ele não julga pelo que não sabe". E complementa: "Verificamos, com satisfação que a ideia espírita faz progressos sensíveis no Rio de Janeiro, onde ela conta com numerosos representantes, fervorosos e devotados. A pequena brochura ‘O Espiritismo em sua mais simples expressão’, publicada em língua portuguesa, contribuiu, não pouco, para ali espalhar os verdadeiros princípios da Doutrina".

O Rio de Janeiro assumia definitivamente sua posição de capital líder do movimento espírita no Brasil. Em seguida surgiriam as entidades e as lideranças que se tornaram mais conhecidas.

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